Rotinas necessárias
Fazer greve na rede escolar ou no Hospital de Clínicas como se trata de rotina deve ter como resposta algo rotineiro: uma administração que não seja a causa eficiente da parede e quando defrontada cumprir os dispositivos defensivos como não pagar dias parados. A do Hospital de Clínicas, iniciada anteontem e encerrada ontem, com o pagamento atualizado da primeira parcela do 13º, mas ainda com outros pontos a avaliar em assembleia e capazes de retomar a greve exigiria, pelo caráter essencial da atividade (um milhão de pessoas atendidas ao ano e originárias de todo Paraná e mais São Paulo e Santa Catarina), fazer disparar por parte da Justiça do Trabalho a imposição de um percentual mínimo de funcionários em setores tidos como vitais da instituição: impedir o agendamento de consultas é um deles.
Também é forçoso reconhecer que a Ebserh, estatal de serviços hospitalares, que foi bloqueada ao desespero na aceitação do convênio pelo Conselho Universitário, com atos de terrorismo explícito impedindo que conselheiros tomassem a decisão, deveria prevenir-se de causar constrangimentos com direitos trabalhistas e, portanto, de provocar greves. Não se trata de restabelecer aquilo que se fez no regime militar de generalizar o conceito de atividade essencial para impedir a greve, mas evidenciar que há setores como o hospitalar e mesmo os ligados a transportes de massa que reclamam cuidados para não colocar uma aspiração obreira acima dos interesses e direitos coletivos.
Em Curitiba já se estabeleceu como doutrina que a Justiça Trabalhista fixe, desde logo, os percentuais indispensáveis de trabalhadores e de frotas para assegurar direito coletivo à mobilidade urbana. Tira um pouco do poder de pressão sindical nas age em favor da maioria, expressão e valor indispensável numa democracia.
Se tivermos, o que não é impossível, algum ato de terrorismo criar-se-á uma interpretação extensiva de textos da lei deste ano que poderiam ver como configuradores tanto a invasão do Legislativo pela APP-Sindicato como a repressão fascista de 29 de abril. Fixar rotinas de um e outro lado adequadas são o caminho correto e indispensável: quer brincar de revolução? saiba que o risco da repressão pode também extrapolar.

TC alerta
O Tribunal de Contas precisa enfatizar sua atividade educativa, pedagógica, tal qual faz agora alertando 12 cidades que ultrapassaram o limite prudencial da LRF, Lei de Responsabilidade Fiscal, nos gastos com pessoal. E o governo estadual tem sido alertado mais pelo setor de retaguarda técnica do que pelo plenário com predominância política e não técnica, algo que precisaria ser revisto na hipótese das tais reformas do Estado.
Todo endurecimento aí é indispensável e no caso em tela, o do Paraná, fortaleceria desde logo o trabalho desempenhado pelo Mauro Ricardo Costa, o primeiro a zelar pelo assunto. Norma correta seria evitar o limite no rigor do acompanhamento. Afinal, em que pese toda a soma de cuidados, a despesa anda a jato e a receita em carroça e isso com todos os alarmes.

Mais greve
Agora quem está botando a greve no disparo é a Polícia Civil, via Sinclapol, alegando falta de condições de trabalho, isso genericamente, mas especificamente contra a superlotação das cadeias e distritos com número intolerável de presos que subvertem as prioridades operacionais da polícia. Não é a primeira que isso acontece e a recessão dificulta ao governo estadual acelerar seu programa de construção ou ampliação dos presídios.

Adolescentes
Entre institucionais oficiais o mais nobre deles é o da campanha pró-adolescentes, mas o da Nota Paraná com aquela alegre coreografia revela profissionalismo. Resta que haja mensagens voltadas para autossuperação, recuperação da autoestima, pelas estatais Copel-Sanepar.

Imunização
O ministro Ricardo Barros, da Saúde, e o governador Beto Richa deflagram em Paranaguá, no Porto, na terça-feira a vacinação contra a dengue. Há uma resposta estatística no gesto pela incidência da doença como epidemia com grande número de mortos.

Riscos
A lei antiterror pelo seu caráter radical, voltada até para ensaios preparatórios como nessas prisões recentes (posto que o material probatório seja razoável, lembrando em parte ações da esquerda festiva nos tempos da Guerra Fria de forte condicionante psicossocial) pode repetir os transbordamentos da Lei de Segurança Nacional há muito em prática no país e só agora fora do disparo em função de um momento de notório desequilíbrio entre os princípios da liberdade se sobrepondo ao da autoridade. Apenas na Lava Jato se vê o contrário a ação judicial com preponderância à autoridade no caso em favor da lei e da luta contra a cultura da impunidade e da corrupção inseparáveis do jeito brasileiro de ser.

Folclore
Graciliano Ramos, revisor de jornal, que não tinha paciência com ornamentalismos, diante da palavra outrossim num editorial: "Outrossim é a pqp!".

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