LUIZ GERALDO MAZZA
Menos marketing
A campanha eleitoral deste ano será mais curta e mais pobre, inclusive sem marqueteiros ao menos no faturamento habitual. Essa liofilização do processo é boa para todos: cronograma mais curto, tempo menor de TV e rádio e um pouco mais de exercícios de persuasão fora daquela redução, coisificada, de transformar candidato em produto, do refrigerante ao aparelho de barbear, do perfume ao remédio, de poste a gênio.
Instruções que vieram do Tribunal Superior Eleitoral fixam os tetos de R$ 9,5 milhões para o primeiro turno e R$ 2,8 milhões para o segundo turno. Para vereadores, o limite é R$ 475 mil. Com tais limites é impossível imaginar marqueteiros de verdade (será que os temos?) na parada com esse fim da dolarização das campanhas que há longo tempo nos acostumamos.
Esse ajuste pode obrigar a mais pensamento do que fantasias como se dava com as antigas campanhas, como a de Getúlio Vargas em 1950 que produziu o maior comício da história na capital, Boca Maldita, com 50 mil pessoas, um terço do total da cidade, mas trazendo gente até de Ponta Grossa e Guarapuava por estradas macadamizadas. Atração sem showbiz era a figura magnética do candidato, nada mais.
Um outro fator limita a campanha municipal: o predomínio dos temas nacionais e das perspectivas em relação aos partidos como em São Paulo, onde o postulante João Dória do PSDB faz a tentativa de reocupação de uma praça que é do PT. Por falar nisso, aqui houve a deserção do tucanato que procura agora ter alguma presença em alianças e isso se deve ao alheamento do governador que na eleição senatorial ao insistir em privilegiar Ricardo Barros, do PP, em desfavor do correligionário Gustavo Fruet, anulou aquele que poderia evitar a ascensão de Roberto Requião como aconteceu. Houve também desdém na eleição passada municipal com o governo perdendo (apesar de suas vitórias pessoais duas vezes em Curitiba e mais duas no Paraná em primeiro turno) os principais polos da capital e Londrina. Essa rala identificação do governador com o partido, que poderia, como seu pai, ser um dos cardeais do PSDB, expressa baixa representatividade e subutilização do seu potencial de liderança. Somos autárquicos quando poderíamos ter expressão nacional.
Nada indica que teremos racionalidade nas pregações, posto que a realidade fiscal pressione nessa direção, já que o caixa estourado não comporta fantasias de um município que sobrevive, imitando o Estado, de transfusões da Câmara Municipal e do fundo de pensão, que vai para a UTI, mas salva, transitoriamente, a prefeitura.
Formalismo
O deputado mais atuante do nosso Legislativo (ele de um lado, Romanelli de outro) Tadeu Veneri sofreu forte revés na 4ª Câmara do Tribunal de Justiça condenado por uso indevido de R$ 390 mil, em valores atualizados, de suas verbas de ressarcimento na campanha eleitoral própria em 2010 e que devem ser devolvidas. O deputado recorre dessa decisão ao STF e isso se dá num momento difícil na condição de candidato do PT à prefeitura e que atinge uma das suas mais fortes características, a da integridade. Trata-se formalmente de pecado venial e que demonstra que o candidato usou recursos impróprios, mas menos chocantes do que aqueles que se servem de lobby em favor de financiadores como os relatados da Lava Jato. Uma infração formal e que indica também a carência de recursos.
Confiança
Melhorou muito o nível de confiança do empresariado na economia brasileira, segundo pesquisa da Fecomércio e isso se dá, também, num momento em que o próprio FMI indica discreta melhora nas previsões quanto ao PIB e a outros indicadores. Só falta agora Marilena Chauí, a filósofa petista, ver nessa mediação algo para manter Temer e afastar Dilma, agora definitivamente, como enxerga em Sérgio Moro um agente da CIA para garantir a entrega do pré-sal às sete irmãs.
Corregedoria
Se o corporativismo não limitasse tanto a ação das corregedorias, certamente tanto a polícia civil quanto a militar dependeriam menos de ações originárias do Ministério Público mormente do Gaeco. Ainda agora houve o caso do ex-delegado de Piraquara, ora afastado por 90 dias em ato administrativo, por haver transferido um carro objeto de perícia criminal para seu pai. Se as corregedorias puderem atuar com um mínimo de "distanciamento", casos como esse serão resolvidos na instância própria.
A cultura de proteção é compreensível, tanto que o controle externo do Judiciário não mais faz das corregedorias uma escala definitiva, prevalecendo o ponto de vista do Conselho Nacional de Justiça, aberto inclusive às denúncias.
Folclore
Cada vez que desejava provocar os seguidores de Lupion, o jornalista e poeta Barros Cassal reproduzia a sátira em versos "O barão de Arapoti" que mexia com a suposta proteção do governador por familiares e amigos. Fazia também versos a favor, pois escrevia a coluna "A ferro e fogo´´ no jornal ´´O Dia´´ que era do caricaturado-elogiado. Tempos bons aqueles.





