LUIZ GERALDO MAZZA
Corrida não olímpica
Há várias corridas não olímpicas, embora com algum revezamento: a de Dilma Rousseff tentando faturar deficiência do seu substituto interino e afirmando que o golpe aqui, ao contrário do da Turquia, é parlamentar e que isso indicaria conversão ao parlamentarismo, o que aliás se nota na própria Constituição de 1988, um tanto quanto híbrida com o seu presidencialismo ajustado ao final; há o cronograma, anunciado por Sérgio Moro, para que a Lava Jato se encerre em dezembro, ao menos a sua parte, Papai Noel aos delatores e o fogo do inferno para os denunciados; e fechando o quadro a revelação de que um dirigente da engajadíssima Fiesp, peça central da fermentação das ruas pelo impeachment, braço liberal mais forte da arregimentação, é titular da maior dívida de pessoas físicas com a União em R$ 6,9 bilhões, revelação que deixou mal a entidade contaminada por um episódio desse porte.
Pesquisa DataFolha revelou, em maioria folgada, que os brasileiros se enxergam mais próximos da estabilidade e da melhora na economia com Michel Temer e uma sondagem recente indica que metade da população brasileira é abertamente contra o Rio 2016 dos seus Jogos Olímpicos, o que dá bem uma ideia do nível de humor das pessoas de um modo geral. Há, portanto, um clima pendular nas opiniões e nas revelações e alguns sinais do caráter macunaímico da nossa gente nessa dívida bilionária do dirigente da Fiesp. Pelo jeito nem Dilma supera Temer, em que pese as suas deficiências notórias e seus recuos em medidas de austeridade, e muito menos a previsão de Sérgio Moro estaria garantida, pois seria indispensável ou acelerar procedimentos, que parecem não indicar um fim próximo dentro de cinco meses e a história do maior devedor brasileiro é uma evidência de que a saúde das nossas instituições não é mesmo lá grande coisa, apesar dos últimos avanços. Pelo menos a Lava Jato, até aqui, parece vacinada contra um golpe no salto de vara ou com vara.
Recuo clássico
O deputado Ademar Traiano, presidente da Assembleia, segue o axioma do guru Anibal Curi em relação a concursos e decidiu abolir o que estava marcado para este ano. Suas razões são diferentes das arguidas por aquele que mais exerceu o Poder Legislativo e se fundam no estímulo a aposentadorias e que esperava o pedido de cem deles quando houve apenas dez. Já Aníbal dizia não fazer concursos porque neles só passavam japoneses e comunistas.
Multas
Polícia Rodoviária informa: em 10 dias nada menos de 4 mil multas por não respeito à regra do farol baixo. Numa certa perspectiva funcionou.
Rotina
O Contorno Sul ficou interrompido várias horas em função de um protesto contra despejo judicial de área invadida e pertencente à Curitiba SA e que era utilizada para depósito de lixo hospitalar. Era visível a incompatibilidade do local para moradia diante de suas condições de extrema insalubridade.
Whatsapp
Deu xabu no sistema de comunicação pelo Whatsapp e não houve explicações. Pior do que isso, em termos de surpresa, foi o ocorrido com a Oi. Rescaldos da privataria, como diria um petista mal humorado. No fim do expediente, o STF derrubou a decisão do TJ do Rio que interditava o aplicativo.
Remember Munich
Depois dos ataques na França (o último o de Nice) crescem os cuidados preventivos, em certa medida exagerados, com a possibilidade de atentados na Olimpíada do Rio de Janeiro e com os cuidados nos aeroportos na revista das bagagens os usuários se mostram inconformados. O caso da boate nos Esteites e o do tunisiano que lançou o caminhão frigorífico em cima da multidão dá bem a noção de que as ações individuais desequilibram qualquer sistema por mais perfeito que seja sob o ponto de vista técnico-operacional. Em Munique, a tensão era menor do que agora e as de hoje agravadas pela possibilidade de ações de "lobos solitários" tendem a criar paranoia como a de ontem no Leblon onde uma bolsa deixada na rua gerou suspeita e intervenção do esquadrão antibombas, conquanto só houvesse roupas no objeto.
Folclore
Maioria de advogados criminalistas diante das denúncias bem feitas, nem sempre assentadas em delações premiadas como se viu no "mensalão" em que até o maior dos advogados Márcio Thomaz Bastos se deu mal, anda numa postura extremamente defensiva ante o apoio massivo da população à Lava Jato. Apesar disso e das reações que esboçam em manifestos doutrinários, não se alinham com as medidas cogitadas por Renan Calheiros na forma como pretende a punição de casos de transbordamentos da autoridade policial ou judiciária. É claro que há um momento cultural apoiando a punibilidade da corrupção e que não favorece em nada os criminalistas como se a virtude maior fosse a do inspetor Javert a perseguir Jean Valjean em "Os Miseráveis", de Victor Hugo, e não o sentido de comiseração despertado pelo infrator, esfomeado, que roubou um pão. Não cabe a analogia, pois os infratores de agora cada um levou pelo menos um milhão de padarias. A questão é, pois, de escala, nada mais. Pão pão queijo queijo.





