LUIZ GERALDO MAZZA
Respeitar dogmas
Há dogmas no setor público invioláveis, um deles a privatização da Petrobras, para o que, segundo seu presidente Pedro Parente, a sociedade brasileira não está madura sequer para debater o assunto. Privatizar a Petrobras nem Fernando Henrique Cardoso, o que mais ousou nessa direção, teve peito para tanto e seria estranhíssimo se o fizesse, pois seu pai, o general Leônidas Cardoso, foi um dos líderes, ao lado de outros generais Buxbaum e Carnaúba, da campanha, originária do campo militar, "O petróleo é nosso". Lutadores como Monteiro Lobato não faziam restrições à exploração privada e ele, próprio, a tentou. Já a linha militar vinculava o caso à soberania nacional e isso fez escola tanto que o presidente Geisel, ao admitir a guinada para os contratos de risco, tal como cometesse uma heresia, mostrou-se abalado em rede nacional e fazendo acrobacia retórica para defender o atrito com o dogma.
Por sinal que um recuo de FHC na temática seria como se Beto Richa agora, em função da inegável crise que nos afeta profundamente, acabasse com duas conquistas do funcionalismo público - o décimo terceiro e a paridade entre o pessoal da ativa e aposentados, feitas por seu pai José Richa. É verdade que Beto fez uso de uma arma que o pai jamais empregou por artes do seu secretário de Segurança, Fernando Francischini, no maldito 29 de abril com o massacre dos que protestavam contra o assalto aos recursos da ParanaPrevidência e convenhamos que José até poderia arriscar-se quando encarou, tranquilamente, a ocupação de professores e os sem-terra em frente ao Palácio Iguaçu: de um lado, as barracas de praia dos mestres e, de outro, as rústicas de lona preta.
Aí, também, não há afinidade, pois se José Richa era tolerante isso não significava passividade, tanto que chegou a um ponto em que se viu obrigado a ensinar a boa doutrina aos petistas, à época cultores sistemáticos das barricadas a três por dois, quando levou-os pela reflexão a saber diferenciar democracia de democratismo e liberdade de assembleísmo. Tal como se estivesse a restabelecer fundamentos como os de Marx quando da reflexão: "O esquerdismo, doença infantil do comunismo".
No Paraná, um que tentou fazer algo como privatizar a Petrobras foi Lerner com a Copel, ao travar uma luta desmedida contra a lei de iniciativa popular que proibia o leilão e que seria vitorioso não fosse o ataque às torres gêmeas nos Esteites, e o problema interno do apagão brasileiro que inviabilizaram os lances notadamente internacionais. Isso não impede que os basistas das passeatas afirmem que eles é que salvaram a Copel o que lembra um pouco o ascensorista do elevador que se imagina um astronauta, o que é bom porque o faz feliz.
Tratoraço de novo
Ficou demonstrado ontem que de pouco vai valer a condicionante de passar pelo crivo legislativo qualquer mexida no pedágio: a discussão e votação do projeto que cria 43 cargos em comissão no Teatro Guaíra passou sob o regime do tratoraço em sessões simultâneas.
No terra a terra
Elegantíssima, com bolsas e lenços de grife, a senadora Gleisi Hoffmann visitou nesses dias o assentamento "5 de Maio" em Pinhão num roteiro de viagens políticas pela região. Seguiu a trilha de Joãozinho Trinta "quem gosta de miséria é intelectual, pobre gosta de luxo". E quanto mais pobre mais ainda.
Estranheza
Um policial militar, em discussão sobre futebol em Campina Grande do Sul, matou um cidadão com tiro pelas costas. Prestou depoimento, fica afastado temporariamente das funções e responde processo na auditoria militar. Alega legítima defesa, mas pessoas afirmam que a vítima tinha na mão apenas uma garrafa dágua.
Investimentos
Anunciado um investimento de R$ 180 milhões na área de supermercados que meses passados perdeu várias unidades importantes.
Youssef de novo
Youssef e mais oito pessoas indiciados por corrupção ativa e passiva em empresa de equipamentos pela Polícia Federal. Apesar das delações premiadas, em que reduz suas penas, volta e meia é alcançado por suas ligações afrontosas.
Vetos
Grande parte das decisões, como essa da criação dos cargos no Guaíra, que implicam num gasto anual de R$ 3,2 milhões, passou pelo crivo do Mauro Ricardo Costa, da Fazenda, que também foi duro em questões essenciais como a da frota de veículos para a Segurança. Há o temor da parte dos contidos que a medida extrema do congelamento de salários de barnabés acabe amortecida pela tradição brasileira como se dará também com o caso da dívida dos estados e municípios.
Folclore
Tanto o pessoal do MST como dos professores que acamparam no Centro Cívico, anos 80, foi pedir apoio a Requião, prefeito da capital, mas ele alegou que não poderia fazê-lo porque devia muito ao governador José Richa. Prometeu que se nascesse um filho de professora com sem-terra poderia ser o padrinho.





