Eleições desmotivadas
O peso dos temas nacionais, até pela força do noticiário e a angústia da população à espera de algum sinal de reversão do quadro, tornará as eleições municipais desmotivadas, conquanto marcadas por disputas pessoais que tenderão à irracionalidade. Aos que reclamam no caso da eleição curitibana e londrinense, a falta de quadros dá para responder que mesmo a de Sampa, a maior do país, tem todas as deficiências ainda que colocando em cena duas históricas ex-prefeitas com Luiza Erundina e Marta Suplicy, ex-petistas, a primeira mais à esquerda no PSOL e a segunda acomodada no PMDB.
Segundo o DataFolha Celso Russomano lidera distanciadamente a disputa seguido de Marta Suplicy com 16, Luiza Erundina com 10, Haddad com 8 e fechando a raia Doria, PSDB, 6. Há esperança de que a candidatura Russomano seja barrada na Justiça Eleitoral, mas tirada a sua figura Marta iria a 21, Luiza a 13, Haddad a 11, Doria a 7, Marco Feliciano a 5.
Como se percebe, não há em São Paulo a má vontade com petistas e ex-petistas tão forte aqui em Curitiba e mais suave em Londrina que emplacou três vezes o governo, primeiro com, Cheida e depois com Michelleti. O maior feito petista na capital foi o de Angelo Vanhoni que quase chegou lá não tivesse engasgado num debate com Cassio Taniguchi. Tadeu Veneri, que o representa no processo, a despeito de sua condição de guerreiro de plenário, terá dificuldades para sair de uma posição nitidamente periféricas.
Se em São Paulo pode haver concentração de forças em três candidatos, na capital tudo tende a uma polarização entre Gustavo Fruet e o ex-prefeito Rafael Greca com Requião Filho um pouco atrás. Para os paulistas a supressão de Russomano, na hipótese do veto judicial, animaria um esforço do tucanato para alavancar Doria em condições de retomar a cidade.
Dá, no entanto, para imaginar, depois da votação final do impeachment, o cenário econômico e político do país a demonstrar o lado periférico das eleições municipais se não ganharem, de alguma forma, dimensão nacional e de juízo de valor em torno do que se dá no Brasil.

Linha Verde
A maior intervenção urbana de Curitiba, representada pela Linha Verde que ocupou o traçado da BR-116, levará mais duas décadas para mostrar que continuará um problema. Na segunda-feira mais um casuísmo (em demanda de transportadores) com a permissão de caminhões de até 10 toneladas nos horários tolerados, uma guerra contra veículos de passeio dominantes na área desde o tempo da estrada federal, há trinta anos, quando se percebeu que entre os bairros Pinheirinho e Atuba o tráfego era 90% urbano.
É por isso que alguns concluem que o melhor seria deixar a estrada como estava com pequenos aperfeiçoamentos do que prometer tanto fluxo e apenas gerar o caos. A Linha Verde pode apodrecer antes de chegar à maturidade.

Fiscalização
No momento em que há uma leve queda de preços nos combustíveis, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) deu uma incerta em nove postos em Curitiba, Pinhais e São José dos Pinhais, dos quais nada menos de quatro apresentavam anomalias e foram por isso multados. Em Londrina, ao contrário do que se dá na capital, a Justiça acolheu, mais de uma vez, a tese de cartel em função do alinhamento das tarifas.
Há preocupações com documentação, equipamentos, a bomba especialmente, reservatório de combustíveis e a qualidade dos produtos em função de denúncias de manipulação.

Adiamento
Não se trata de um bom exemplo a iniciativa de licitar o novo painel eletrônico da Assembleia Legislativa num momento de recessão que o governo parcela e transfere seus débitos com a Copel (um bilhão) e a ParanaPrevidência (os R$ 640 milhões em setenta vezes e mais os 33 mil inativos de sua responsabilidade) e ainda por cima os atrasados do funcionalismo, ora em quase R$ 300 milhões, desde o ano passado, em promoções e progressões, causa, inclusive, da mobilização da APP-Sindicato. Agora razões mais burocráticas do que técnicas determinaram o adiamento da pretensão.

Ornamentos
A bronca de Rafael Greca contra o uso da bandeira do município nos institucionais da prefeitura dá bem ideia do ornamentalismo que poderá marcar a disputa. Seria pior se nos anúncios saísse a imagem da santa padroeira.

Folclore
No Salão Anual de Curitiba, que inauguraria o Museu de Arte desejado por Adherbal Stresser, diretor do Diários Associados no Paraná, houve mostra na Biblioteca Pública de parte do acervo do Museu de São Paulo entre os quais o quadro "A Arlesiana" de Van Gogh. A peça, superguardada, ficava em sala especial do Conselho Estadual de Educação e entregue à elite da PM. Stresser foi inspecionar a sala e viu, estupefato, um dos militares, fascinado pela aura que a tela proporcionava, a explorava com as unhas. Foi preciso segurar o chefe que gritava: "Vá tirar leite de vaca que cuidar de arte você não sabe e não pode!".

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