Seletivo, sim
A forma como andam as investigações contra petistas e a base aliada de Lula-Dilma é muito mais rápida do que as que possam alcançar cardeais do tucanato. Daí a surpresa de possível enquadramento, tantas vezes referido, mas sempre acomodado, quer dos casos de trens e metrô de São Paulo que pega gestões sequenciais do PSDB, como essa mais recente que volta a tratar do Aécio Neves, o que se soma aos outros dois inquéritos no STF na Lava Jato. Também se observa essa contenção no caso da merenda escolar paulista em que o PSDB monta esquema de guarda pretoriana para salvar seus correligionários, valendo-se de maioria hegemônica ora disponível, algo parecido com o que se dá aqui na resistência a que se examine em âmbito de CPI tanto a roubalheira dos fiscais como a dos desvios das construções escolares sob o fundamento de que trata dos assuntos institucionalmente nas pastas envolvidas mais a Segurança e o Gaeco, braço do Ministério Público.
Não se pode negar que essa blindagem, seja política ou judicial, revela mais profissionalismo por parte de seus atores e advogados. Nessa gravação mais recente que mostra a relação entre o líder tucano e o ex-presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, a assessoria do senador Aécio Neves diz que o divulgado é autoexplicativo e de conteúdo correto de entendimento sobre doação havida na campanha presidencial dele de 2014.
Essa habilidade, inexistente nos outros, tanto no mensalão quanto no petrolão, se reproduz no Paraná ante fatos de menor contundência, mas que acentuam menor nível de promiscuidade e também sinais digitais menos visíveis. Obviamente há corrupção e tanto que o STJ, Superior Tribunal de Justiça, investiga o caso da suposta drenagem de dinheiro de achaque do fisco para a campanha de reeleição do atual governador, também destaque do tucanato .

Posicionamentos
Muito questionado se o deputado Osmar Serraglio, por vincular-se a Eduardo Cunha, estaria hoje, na condição de presidente da CCJ da Câmara, num papel diverso ao do exercido quando da relatoria do mensalão. As circunstâncias mudam: o procurador da República do mensalão, Antonio Fernando de Souza, de formação jurídica na terra, que foi exemplar como acusador, é hoje advogado de alguns enquadrados nas propinas da Petrobras e Gustavo Fruet, que teve papel saliente nos debates da CPI, também na ofensiva, pouco depois firmou aliança com o PT para eleger-se prefeito e do qual no momento foge como um "punk" de um desodorante.

Índios
Cerca de 20 indígenas ocuparam ontem as instalações da Funai em Curitiba, dizendo tratar-se de movimento nacional. Reivindicações as de sempre, nada com a tocha olímpica que alguns engajados nas causas nacionais querem apagar.

Recorde
O governo é maneiroso em apropriar-se de dados macroeconômicos para explorá-los em seu favor, mas não vira as costas para os negativos: agora, por exemplo, há um exemplo forte nos casos de dengue hoje em 54.606 e que se tivermos mais 110 incidências superará o recorde epidemiológico de 2012/2013 quando chegamos a 54.716 pessoas afetadas. Reconheça-se que ele, interessado na prevenção da doença e cura, é que os revela. Fazê-lo é obrigação, ainda mais porque fortalece as ações profiláticas.

Prensa
A chantagem dos urbanitários funcionou para garantir reajuste ao pessoal da Urbs: havia nada menos, ontem à tarde, de 27 semáforos sem função pouco antes da assembleia que apreciaria a contraproposta e tudo convergia para acerto em função do tumulto que uma greve causaria justamente hoje na passagem da tocha olímpica. Chantagem com fim determinado e virtuoso é "santagem", chantagem santa.

Cultura
"Quando me falam em cultura puxo o revólver", prenunciava o militar nazista. Aqui falamos muito no assunto, mas temos esse absurdo da forma como contratam a orquestra e o corpo de baile do Guairão, algo deprimente pelo que tem de periférico, marginal, com os técnicos à procura de saídas que não deem margem a confrontações judiciais. Imaginem a escola do Bolshoi em Joinville às voltas com situações do gênero. Uma vergonha para dizer o mínimo.

Folclore
Ontem na Secretaria de Justiça uma reunião entre a operadora Tim e o Procon em função dos prejuízos aos usuários com as demissões em massa no call-center (nada menos de quinhentos) da empresa. Buscava-se resolver tudo, tim tim por tim tim. Passaralho é agora em toda parte e quem segura emprego canta aquela "Obrigado, Senhor, por mais um dia!". Para outro Senhor, não o patrão, embora esse seja alvo de apelos cada vez mais fortes e também esteja agredido pela recessão.

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