LUIZ GERALDO MAZZA
Beto, cabo eleitoral
Nas últimas eleições municipais Beto Richa perdeu o pleito na capital, em que foi prefeito reeleito, e em Londrina, sua terra natal. Pelas amostragens do Ibope de anteontem capta-se que terá escassa presença no pleito de Curitiba por haver permitido uma fragmentação em torno de aliados especialmente com Ratinho Júnior, tanto que o postulante do PSDB, Paulo Martins, é o pior classificado e nenhum dos três que aparecem empatados tecnicamente Rafael Greca, Gustavo Fruet e Requião Filho - sofrem qualquer influência de sua área, a não ser o caso de Luciano Ducci, seu vice e substituto e que apoia o primeiro classificado.
Para quem aspira deixar o governo com Cida Borghetti para disputar vaga senatorial, é sinal alarmante de desinteresse, ainda que haja candidatos como a deputada Maria Vitória, filha de Ricardo Barros, na disputa e possa sugerir afinidades com o líder maringaense hoje no Ministério da Saúde do governo interino a quem tanto prestigiou na eleição senatorial em prejuízo ao postulante do PSDB com maiores possibilidades de vencer Requião, que era o hoje prefeito Gustavo Fruet.
Como é possível a candidatura de Ratinho Júnior ao governo, haverá o choque inevitável com Cida entre as forças aliadas e um jogo de braço capaz de fortalecer um disputante de oposição como um Osmar Dias, por exemplo.
Quanto à pesquisa Ibope, ela tem valor relativo apenas confirmando uma possível polarização, desde há muito tempo evidenciada, entre Fruet e Greca, mas apontando também que Requião Filho pode embaralhar o quadro, em que pese o tônus de maior rejeitado.
Itaipu
Embolou o meio de campo para a Itaipu: de Eduardo Schiarra, chegou a Lupion, esse com apoio do governador, Rocha Loures e até o Mario Pereira, o mais ajustável ao figurino que pede perfil técnico nas estatais. No chove não molha, Samek permanece até o impeachment e se Dilma levar a melhor fica tudo como está.
Mínimo de 4 paus
O Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Diese), cultua uma utopia estatística, seu campo de manobra, a do ajuste do salário mínimo ao decreto que o instituiu e diz para cobrir toda a planilha de gastos seria hoje de R$ 3,9 mil, algo impensável para nossa crise e nossos padrões. Ocorre que quando ele foi instituído mais de setenta por cento da população estava no campo e a ele não tinha acesso, já que o proletariado urbano é que dele se beneficiava exclusivamente, algo apropriado a estudos de igualdade.
Museu
Enquanto crescem as expectativas quanto à possibilidade de alguém tentar apagar a tocha olímpica em protesto, a população assiste ao Museu Olímpico Itinerante na Praça Rui Barbosa na capital. Autoridades policiais estudam meios de impedir a tentativa de apagar a tocha, bolada por vários movimentos em protesto contra a crise e a corrupção. Uma das formas esportivas de apagar a tocha seria, como se fosse vela de bolo de aniversário, com esforço coletivo e também necessariamente olímpico de "sopro a distância".
Frágil
A App-Sindicato se deu mal na manifestação de ontem no Legislativo estadual: debilitada, fraquinha, seguramente um desperdício para quem entende do riscado. E, convenhamos, a causa é pra lá de boa: a de brigar pelos atrasados das promoções e progressões juntamente com o ajuste anual em janeiro de 2017 .
Orquestra afinada
A Orquestra Sinfônica do Guaíra é a razão da mensagem do governo criando cargos em comissão no Teatro, um remendão que não resolve a pendência, pois os músicos prefeririam afinal o concurso público e a efetivação. Essa deformação, também presente na TV Educativa, é arranjo ilegal já apontado administrativamente pelo Tribunal de Contas e pela Justiça.
Uma instituição como a orquestra não pode ser tratada dessa forma que gera crises como as havidas em várias unidades federativas, inclusive na maior de todas, a de São Paulo.
Em andamento
Estudos para a montagem de novos modais para o transporte coletivo em andamento e entre as opções o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) e a hipótese de usá-lo sobre pneus. Já tivemos três projetos: o VLT de Lerner, o do Lubomir Ficinsk de grande porte e o elevado de Taniguchi para o Eixo Metropolitano, hoje Linha Verde.
Folclore
Na eleição governamental em 1965, sob regime militar, tivemos a disputa entre Paulo Pimentel , apoiadíssimo por Ney Braga contra a esquerda do PDC que queria Affonso Camargo Neto, e Bento Munhoz da Rocha. Liberalino Estevam, o poeta populírico, fez a quadrinha: "Não assopre contra o vento// que o vento não tem lei// seja Bento cem por cento// Mil por cento contra o Ney//´´. E tascou outra em sentido oposto: "Nessa era tão moderna// e de tanta confusão// o Paraná não se governa// com uma garrafa na mão//". Injusta caricatura, pois Bento não bebia, embora a versão falsa tivesse sido cultivada pelo jornalista Barros Cassal e viralizado, como se diz hoje da redes sociais.





