Painel salvador
A Assembleia Legislativa quer modernizar-se e como não confia na melhora dos seus quadros, que vê piorar a cada legislatura, empenha-se na aquisição de um novo painel eletrônico a um custo mínimo de R$ 2,3 milhões. Trata-se de algo simbólico para o momento em que está mais do que configurada a quebra fiscal e que exigiria, por sua delicadeza, empenho máximo de cada um dos poderes em baixar a bola no atendimento a demandas, mesmo as dramáticas como a da Universidade Estadual de Londrina com deficit de 700 funcionários e abrigando provisórios para contornar o impasse.
Ainda ontem publicação da Secretaria do Tesouro Nacional mostra que o valor da dívida que os estados deixaram de pagar subiu de R$ 6,276 bi (janeiro-abril de 2015) para R$ 11,443 bi no mesmo período. Na relação de quanto cada unidade represou em pagamentos, o Paraná não é um destaque mas aparece em quinto lugar com R$ 804,3 milhões, Rio de Janeiro à frente com R$ 4,189 bi, Bahia com R$ 1,087 bi, Distrito Federal com R$ 1,041 bi, Rio Grande do Sul com R$ 1,038 bi. Estamos fora do G4, mas nossa situação não é de comemorar.
Se o nosso governador não fosse um pródigo com o capital político que amealhou desde as reeleições para prefeito de Curitiba, e o Palácio Iguaçu exerceria a liderança, a que tem direito por esses feitos, para o momento convocando os demais poderes para um esforço comum de não aprofundar os já terríveis efeitos da recessão. Não o tem feito e hesita em fazê-lo. É que lidar com austeridade para político é algo tão sufocante como a luz ao Conde Drácula: sabe que é necessária e indispensável, mas confia na passagem do tempo e também na fácil metabolização dessas coisas na vida brasileira, conforme a tradição.

Ainda o Uber
A questão do Uber, como tenho dito, é assunto obrigatório da Urbs, de ninguém mais, afinal ela é quem expressa na área o poder concedente e no gigantismo da maior empresa municipal. Composições tentadas por vereadores (dois apresentaram proposta revezando credenciamento com o pessoal dos táxis) apenas confundem o meio de campo e aguçam o radicalismo dos mais emocionais. E ela, à la Garrincha, fica dando dribles espetaculares e transferindo o ônus de tudo isso ao prefeito. Dá-se mal no transporte coletivo e também no de táxis. No calendário eleitoral vai ser questão dominante com as insinuações de que alguém leva algum com a liberdade concedida aos clandestinos até pela circunstância de tratar-se de um poder invisível e cujos frutos não circulam por aqui.

Sinais bons?
Inflação caiu, mas se deu em razão da retração da demanda. Agora a Fecomércio anuncia que houve alta de 1,96% nas vendas de abril em relação a março, todavia no acumulado de janeiro a maio há 7% de queda.
Já na indústria, embora o sinais de contenção na queda em nível nacional, tivemos o terceiro mês consecutivo, segundo a Fiep, em 3,78%. De maio a maio a queda é de 5,96%. Quem estiver sorrindo é porque se trata de uma sequela de derrame na face.

Pendular
A visão do Direito no governo paranaense é pendular: firmou, sacramentalmente, com os servidores estaduais que o reajuste sairia em janeiro, como se deu este ano, mas não pretende manter em 2017 o compromisso alegando falta de caixa e até no aguardo de um ato imperial da União congelando salários nos três níveis de governo por dois anos pelo menos, o que resguardaria um pouco a situação de Beto Richa diante dos que têm a perceber promoções e progressões. Obviamente, funcionário não tem cultura do sacrifício e considera sagrados os reajustes que, ao menos, recomponham a inflação, como ditava a lei originária desprezada ano passado depois de vários anos de automática recomposição desde Requião para cá.
O quadro é, portanto, de insegurança jurídica que amanhã dificultará até a missão do Poder Judiciário na impossibilidade de que as suas intervenções e mediação na hermenêutica dos textos tenham alguma eficiência operacional.

Circo
Anunciam um circo da democracia que tem todo o jeito de defesa contra o impeachment com a convocação do MST, que se esperava que agisse nas ruas e no campo e não em ambiente acadêmico substituindo diretórios estudantis. O pontapé inicial foi ontem no auditório da Direito Federal e a fase mais aguda será em agosto perto da decisão senatorial.

Folclore
Argumenta o presidente da Assembleia, Ademar Traiano, que o novo painel eletrônico é indispensável para a modernização do poder. Se houver pressões, como as já anunciadas pelos professores e sindicalistas, indispensável seria mudanças que não levassem a maioria aliada a esconder-se num camburão da polícia para reafirmar fidelidade ao Palácio Iguaçu como se deu historicamente tempos passados.

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