A tocha como pressão
Urbanitários de Curitiba ameaçam a cidade com uma greve justamente no dia da mobilização para receber a tocha olímpica nos 36 kms de percurso. Que os sindicalistas se valham de uma clara chantagem em compromissos públicos da cidade não espanta. Seria uma redundância se numa hora dessas mostrasse cavalheirismo e com isso uma dose de urbanidade.
Mas o clima na área trabalhista é de paranoia pura, tal a frequência das demissões, algumas, aliás, ocorridas em nossas redes de televisão, e situações dramáticas como a vivida ontem pelos trabalhadores do call center da Tim, muitos deles despedidos. No caso dos urbanitários eles temem, em função da crise financeira da prefeitura da capital (que tomou emprestado R$ 86 milhões da Câmara Municipal como já fizera com recursos do instituto de previdência em mais R$ 50 milhões), que se negue qualquer reajuste e resolveram jogar a Urbs na parede com estado de greve já declarado.
Essa cultura do caos dificulta que demandas salariais sejam bem sucedidas e sequer que possam garantir o repasse da inflação acumulada. Tal clima ameaça travar negociações com o uso da conjuntura, o desemprego generalizado, razão pela qual a apelação pode vir também do lado obreiro ao valer-se da mobilização pela tocha olímpica para criar um problema bem mais sério para a administração. Isso levou a Sanepar a pedir previamente audiência judicial no meio da semana o que a obrigará a sair da retranca e fazer uma proposta, mesmo que abaixo da inflação acumulada.
Como a disputa anda meio selvagem, uma certa dose de chantagem já não espanta ninguém como se dá nas "operações padrão" do fisco nos aeroportos e na fronteira e que atrasam os atendimentos. A regra é essa: como a tocha vem aí, atocha!

Serraglio
Como presidente da CCJ da Câmara, Osmar Serraglio, alega não ter sido dele a iniciativa de transferir a sessão que examinaria os delitos éticos do ex-presidente da Casa Eduardo Cunha. De qualquer forma, isso vai influenciar na sua possível candidatura a presidente diante da impaciência do pessoal da Comissão de Ética irritado com as manobras que Cunha ainda desenvolve para impedir seu julgamento. Como a eleição ficou marcada para terça-feira, as impressões digitais são nítidas e o cronograma só favorece o renunciante.

Inflação
Recuo na inflação nacional em junho que chegou a 0,35% e em Curitiba desacelerou menos em 0,09% em função de alguns itens como o feijão e o leite longa vida, este com alta de 5%.

Estupro
Manifestação hoje na capital contra a cultura do estupro com a marcha das vadias. Um texto da militante Jessica Stori na última edição da revista Ideias tem a força de um manifesto, denso e articulado.

Assaltos
A frequência de assaltos a condomínios de alto padrão na Água Verde e no Batel levou o Cope a levantar imagens captadas nesses locais dos bandidos e que colocou aos cuidados dos interessados, as vítimas dessas ações de rapinagem. E pede que as pessoas que porventura identificam os ladrões que se manifestem. A imagem dos autores não deixa de melhorar a imagem da polícia em baixa atualmente como em tempo algum. Vide o assalto a caixas eletrônicos em todo o Paraná e a manutenção do clima de violência.

Reação
Com a queda da venda de automóveis novos, o comércio de usados cresceu de maneira bem significativa, um segmento que estava sob forte crise em função do boom do consumo de anos passados. Ocorre que a baixa demanda favorece a saída dos seminovos, ostentando preços mais equilibrados. Na política, o predomínio é justamente de atores seminovos (Aécio, Temer, Cunha, Renan) pela impossibilidade até de haver novos, muitos deles usados e abusados .

Pré-sal
Ninguém esquece da imagem desoladora do ex-presidente Geisel quando anunciou, como quem está perdendo e concedendo, em rede nacional de TV, a adoção dos contratos de risco, dada a acendrada posição estatista e nacionalista, especialmente dos milicos. E agora em função dos desgastes da Petrobras, da inexistência de poupança interna e da necessidade de atrair capitais externos avança na Câmara Federal o projeto (José Serra) que acaba com a participação obrigatória da estatal no pré-sal, já aprovado no Senado. Fernando Henrique Cardoso, quando presidente, tentou avançar nessa direção e ironicamente o seu pai, o general Leônidas Cardoso, juntamente com seus colegas generais Carnaúba e Buksbaum, comandou a campanha histórica de "O petróleo é nosso".

Folclore
Mexeu na Petrobras mexeu comigo, diziam os petistas. Estavam apenas confessando que a empresa era deles tal o desfrute mostrado pela Lava Jato.

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