LUIZ GERALDO MAZZA
Ouvidor da sociedade
Não há o menor propósito nessa concentração de taxistas de vários pontos do País na "República de Curitiba", programada para hoje, para pedir providências ao juiz Sérgio Moro contra o Uber, como se fosse o único magistrado capaz de pôr um fim no que consideram um abuso. É o desdobramento de manifestação anterior com objetivo semelhante feita pelos taxistas da terra na base de buzinaço e foguetório.
O assunto não diz respeito ao juiz federal e o alentado material de denúncia contra o concorrente desleal pode ser encaminhado ao Ministério Público Federal para a avaliação e a adoção de providências de praxe. O fato de estar conduzindo o maior processo na história do Brasil contra a corrupção institucionalmente instalada não o habilita a ser uma espécie de ouvidor de todas as demandas sociais, e a postura dos taxistas no caso se torna essencialmente política com efeitos específicos na sociedade do espetáculo e sem retorno concreto.
Sérgio Moro não está só nessa fase de ataque sistemático à corrupção. Temia-se, por exemplo, que o fatiamento da Lava Jato pudesse encontrar magistrados sem a disposição e determinação daquele que se transformou num ícone do Judiciário, mas o que se viu foi um ajuste dos novos titulares, como se dá em São Paulo, Rio e Brasília, à mesma disposição e dinâmica. Também não é conveniente à magistratura que se atribua poderes excepcionais a um dos seus membros, o que evidentemente em termos institucionais não é um bom caminho.
No caso de Curitiba, quem tinha obrigação, por deveres funcionais, para tratar do Uber seria a Urbs que afinal vive das taxas e emolumentos que cobra, generosamente, dos que a encaram, como sempre, como poder concedente e lhe prestam obediência. Em nome desse "império", há tanto tempo exercido, caber-lhe-ia, sem grandes exercícios acadêmicos, cumprir tal papel e não fugir da raia como faz aí como também em relação ao transporte coletivo, impondo a clareza meridiana dessas relações e não o predomínio da caixa preta como acontece.
Gripe
Até agora 178 mortos pela gripe, dos quais 152 pelo vírus da H1N1. A baixa umidade relativa do ar, as constantes mudanças térmicas e as viroses oportunistas agravam o cenário.
Saída
A única saída para o governo estadual, na questão das estradas, está justamente na opção pelo pedágio, razão pela qual ela se define como estratégia. A rodovia dos minérios, negociada com a indústria de cimento do grupo Ermírio de Moraes em suposta parceria na Grande Curitiba, era para ser iniciada em 2014 e até hoje continua parada. Assim, fórmulas distantes da adotada no pedágio rigorosamente não funcionam, razão pela qual todas as apostas são feitas em cima da prorrogação contratual como garantia de vida aparente e produção de recursos.
Ficou visível essa proeminência ao ser devolvida tal atribuição à chefia da Casa Civil e ao papel que nela exerce o deputado federal Valdir Rossoni, o mais político dos auxiliares do primeiro escalão, num momento em que nomes mais técnicos como os de Reinhold Stephanes e Mauro Ricardo Costa ganham evidência pelas amarras da recessão.
Escape
Para mostrar a rigidez que cerca o sistema pedagiado, temos agora o projeto da área de escape da Ecovia na BR-227 com o sentido de prevenir situações como a havida com a explosão do caminhão-tanque dependente, é claro, de estudos de viabilidade técnica e financeira. Toda inversão tem que ser obviamente compensada, daí as dificuldades de qualquer inovação andar. E isso amarra toda e qualquer iniciativa, ainda mais com o atropelo da prorrogação e a resistência da frente parlamentar que não quer moleza na área.
Saturação
Demonstrações de mobilização policial como a ensaiada ontem não devolvem à população o perdido sentimento de segurança como se observa nas consequências visíveis do toque de recolher na Cidade Industrial. Em vários bairros da capital caminhões de carga (de gás, de cigarros e outras mercadorias) são obrigados a pagar "pedágio" para chegarem ao comércio.





