LUIZ GERALDO MAZZA
Opção ou poção
A opção oferecida pelo governo aos servidores públicos tinha mais jeito de poção e com veneno letal: a feiticeira má que tenta matar a donzela na história de carochinha com maçã intoxicada é fichinha perto dessa escolha. Assim, a opção entre os atrasados das promoções e progressões ou o reajuste automático, mais uma vez alvo de desobediência oficial como a havida em maio do ano passado, é um garrote vil igual ao do ajuste fiscal que puniu a massa para salvar o governo pródigo e gastador.
Evidenciada também a ausência de horizontes por parte do Palácio Iguaçu e estimulada pela omissão de órgãos encarregados das tarefas de controle. Depois de tudo chega a prestação de contas no TC e não há uma condenação por esses desvios e deformações e não se lê uma linha sequer de anomalias na contabilidade pública. Ademais, a subserviência do Legislativo, quase sempre seu cúmplice obsequioso, assegura a montagem da opereta bufa.
Quem mais uma vez sofrerá, seletivamente, por essa mancada será o pessoal do Executivo, já que os demais poderes, dentre eles o anexo do Legislativo, Tribunal de Contas, sairão, como no ano passado, em situação de vantagem. A única força de resistência seria a da APP-Sindicato, que montaria uma barragem que outros órgãos representativos não têm força estrutural e de organização para o embate. Iriam pegar no pé dos deputados para tentar dissuadi-los e de uma forma permanente em todo e qualquer deslocamento do governador, uma corrida de rato e gato, um Tom & Jerry cotidiano.
O governo recuou, não enviou o pacote, brecou o trâmite da LDO, Lei de Diretrizes Orçamentárias, mas confia em decisões radicais de Brasília, decorrentes do adiamento das dívidas com a União e que poderia salvar Estados quebrados com um dispositivo radical que proíba reajustes do funcionalismo nos três níveis de governo enquanto perdurar a recessão. Seria o maná bíblico para Rio, Goiás, Minas, Alagoas, Rio Grande do Sul, São Paulo e Paraná, justamente áreas do Brasil mais desenvolvidos do sul e sudeste. Aí o foco mudaria de lugar.
E Beto Richa poderia dizer, mais uma vez, que a União é a culpada, como insistia quando fez a quebra fiscal do Estado e que o levou a importar o Mauro Ricardo Costa para calafetar o barco fazendário que mal flutuava e ameaçava afundar.
Rugiu
Como era esperado, o ex governador Requião rugiu e foi ao Conselho Nacional do Ministério Público em denúncia contra os promotores da Publicano e o vazamento das revelações do delator Luis Antonio de Souza e que o colocaram na defensiva. Aliás, como já fizera no Conselho Nacional de Justiça em representação contra o juiz Sergio Moro. Como Gabriela, ele nasceu assim, cresceu assim...
Solto
O motorista do caminhão tanque causador da tragédia na BR-277 foi solto ontem por ordem judicial. Na delegacia de polícia afirmou que havia avisado o seu patrão, dono da empresa de transporte, de que o veículo estava com defeito. Isso não exclui a sua responsabilidade, já que era consciente das más condições do caminhão e assim mesmo o dirigiu com a chamada carga perigosa e causa eficiente das cinco mortes, tantos feridos e prejuízos materiais.
Lobby
Lobby funciona: a CCJ recusou o projeto que proibia a produção do cimento amianto, ideia que lá atrás animou o então deputado Luis Eduardo Cheida.
Bloqueio
Justiça federal de São Paulo bloqueou R$ 102 milhões do tesoureiro do PT, João Vaccari, e mais importância igual do ex-ministro Paulo Bernardo.
Toque de recolher
Embora a PM tenha negado a ordem de "silêncio", o toque de recolher, na Cidade Industrial, a região foi sitiada e comércio e escolas não funcionaram em função do assassinato de um dos chefões do tráfico de drogas na região. Empresas de ônibus confirmaram que o "sítio" decretado as obrigou a fazer troca de linhas na área. Mais evidência de desgoverno na segurança com assalto e sequestro nas imediações do terminal da Vila Hauer, posto que atendido pela polícia, transbordamento de jovens.
Folclore
O pacote de maldades do Palácio Iguaçu já estava em elaboração quando o pessoal foi alertado para o fato de que o governo federal, em função da anistia provisória das dívidas estaduais, estaria propenso, ante a crise fiscal que atinge as principais unidades do país, dentre elas São Paulo, Minas e Rio de Janeiro, a produzir um "édito" proibindo de forma temporária (isso já era cogitado há bastante tempo) o reajuste de salários de servidores dos três níveis de governo no cenário recessivo. Aí o doutor Silvana não seria mais o Beto Richa e sim o presidente transitório, Michel Temer, que aliás já é alvo permanente da APP-Sindicato em função da linha lulopetista de engajamento contra o impedimento de Dilma Rousseff e uma das razões do seu estado de permanente mobilização.





