Omissão política
O Ministério Público é hoje a única esperança para suprir a omissão dos políticos. Em todas essas situações que o País hoje vive desde o mensalão até a Lava Jato decorre da ineficácia das controladorias até o silêncio cúmplice dos políticos no exercício da democracia. Arranjos aqui sempre impediram um clareamento do sistema de transporte coletivo, pois a despeito de todas as suspeitas da última licitação sob Richa prefeito de Curitiba. Pessoas investigadas no caso dos sistemas de Guarapuava, Maringá e Foz do Iguaçu envolvem operadores dos grupos Constantino e Gulin, que atuam nacionalmente e às voltas com casos denunciados em Brasília.
Resultado: ficamos na dependência do Gaeco tal qual se deu agora em outro bastião tido como inexpugnável, o tal do ICI, Instituto Curitiba de Informática, mais uma das clássicas capitanias donatárias como as que lidam com o transporte coletivo, a coleta do lixo, aluguel de veículos e outros tantos. Como a oposição é aritmeticamente fraca e o monolitismo em defesa das concessões muito forte, firmamos cada vez mais essa dependência. O ICI, reconheça-se, foi enfrentado por Fruet, mas na base de cautelas excessivas, agindo pelas bordas, e o grupo teve a ousadia de ameaçar a cidade de colapso na informação por deter esse absurdo monopólio.
A operação "Publicano" e a outra "Quadro Negro" foram precariamente detectadas pelos órgãos de acompanhamento e não fosse a ação abrangente do Gaeco e a impunidade seria mais uma vez vitoriosa. Agora, a Procuradoria da República está em cima de vantagens adquiridas por fiscais, com infração aberta em alteração de quadro de carreira sem concurso público, boa parte deles por sinal envolvida até o pescoço nos chunchos acumulados e detentores de direitos de percepção de vantagens da ordem de R$ 1 bi, como já afirmaram por várias vezes.
No andamento desse conflito entre taxistas e o Uber o prefeito parecia o Beto Richa ao afirmar que o sistema de Curitiba é o melhor do Brasil. Ambos- o prefeito e o governador- podem dizer que têm a melhor gestão fiscal do país, todos quebrados, Beto Richa com dívida de R$ 260 mi só para os professores e Gustavo Fruet festejando o empréstimo de quase R$ 60 mi da Câmara Municipal com o que conseguirá pagar o décimo terceiro do funcionalismo.

Entes doentes
O caso do ICI prova que temos mais entes no universo público e que volta e meia aparecem em processos: as tais Oscips criadas para flexibilizar o meio de campo aparecem com tal freqüência negativa no noticiário que carecem de uma ampla revisão. É também o caso das ONGs em que todas as tentativas de levá-las ao rigor de uma CPI fracassaram. São entes novos que nascem doentes. No ICI, acusa o Ministério Público, são comuns a terceirização e até a quarteirização das atividades, o que dificulta o exercício de qualquer controle. A liberação das licitações é a chave de tudo.
Os mandados de busca e apreensão, ontem praticados, sinalizam mudança de rumo. Será?

Londrina
Junto com a passagem da tocha olímpica, a descoberta em Londrina de um núcleo que gerenciava rota de cocaína boliviana. Nesse aspecto, o da patologia, mormente a de natureza política, mais do que um ciclo, caracterizando uma era desde Belinati-Janene passando por Youssef e outros tantos. A cidade que se consagrou com a reação aos abusos de Belinati com o movimento pé vermelho de mãos limpas, que uniu Igreja, OAB e maçonaria e conseguiu até uma inimaginável intervenção na Globo regional, cujo setor jornalístico dava cobertura ao prefeito. E a justiça está aí funcionando como se vê na "Publicano" e agora na condenação, outra vez, do ex-prefeito e ex-deputado Barbosa Neto.

Infrações
Autoridades do Ministério do Trabalho detectaram mais de oitocentas mil infrações das empresas de transportes coletivos em relação aos seus trabalhadores. Se havia absurdo como o de a Urbs e empresas cobrarem de trabalhadores nas estações-tubo o numerário eventualmente roubado, o que afronta a mínima noção de Direito, como se coubesse reação ao empregado e não à polícia, dá para perceber que tudo poderia acontecer. Prova também que o Sindicato, Sindimoc, bom de mobilização para pleitear reajustes às vezes em comum acordo com as empresas, não tem uma visão integral do processo, posto que pretenda assumir responsabilidades de assistência médica e previdência.

Folclore
Duas quebras de comportamento na passagem da tocha olímpica: uma em Maringá e outra em Cascavel com os autores tentando apagá-la, razão pela qual acabaram presos. O de Cascavel valeu-se de um extintor de incêndio e dizendo que o fazia contra o governo Temer por estar, como tantos brasileiros, desempregado. A família se vale da técnica petista no mensalão fazendo uma "vaquinha"´ entre amigos e parentes para libertá-lo.

mockup