Políticos nas estatais
O Senado corrigiu a Câmara e aprovou a prioridade de técnicos sobre políticos nas estatais. No exemplo de Paulo Roberto Costa há a prova de que o profissional pode se transformar por adesão num "político" operador como se deu com ele e tantos outros timbrados pela aura sindical. Assim, portanto, o filtro não é suficiente, mas de qualquer jeito um avanço.
Nas nossas estatais, as regionais, não há bloqueios a políticos, alguns até razoáveis, assimilando o código da Copel ou Sanepar. Urge algo maior, um espírito de corpo que busque preservar a cultura institucional e que às vezes é insuficiente para conter o arreganho dos políticos: botar a Copel na licitação de estradas, sob Requião, foi um deles ou em gestões boas anteriores, mesmo na fase mais aguda do neysmo, transformá-la em aparato de campanha eleitoral ou montagem de quadros para ocupação de secretarias. Formas de instrumentá-la para missões de caráter estranho às suas funções.
É verdade que isso decorria da qualificação dos seus quadros, que acabavam ocupando pastas estratégicas como a da Fazenda (sob Lerner o absurdo da acumulação de Ingo Hubert aí e na joia da coroa) ou a de governo. Nessa relação a estatal sempre leva a pior nos riscos. Quando da gestão José Richa o estamento reagiu, com as forças possíveis, à carga de ideólogos que pretendiam "flexibilizar" normas de eletrificação rural para baixa de custos. Houve martírio na perda de empregos (pelo menos seis hierarcas), depois recuperados na justiça.
Enfim uma estatal, que se respeite, tem seus códigos ao menos para oferecer resistência a um eventual transbordamento político. Com Parigot de Souza, criador da empresa, era certamente inimaginável a ousadia; hoje, com o afrouxamento geral, é possível. Indispensável, porém, embora a persistência do fator político, a barragem humana, crítica, enfim o acervo da "inteligentzia" corporativa.

Alerta
Já foram registradas 116 mortes pela gripe, das quais 105 pelo vírus H1N1 e a secretaria da Saúde pleiteou mais 100 mil vacinas diante das condições do frio que aumentam e muito a possibilidade da incidência.

Recessão
Férias coletivas na Renault para 150 trabalhadores no sentido de ajustar-se à demanda e também de dez dias, por um motivo de falha na terceirização da Volks quanto à entrega de bancos.

Pregação
Deltan Dallagnol, doutrinador-chave da campanha do Ministério Público Federal pelo endurecimento das normas, esteve na Câmara Federal e comparou a dispersão da corrupção com aquilo que leva ao "serial killer".

Controle político
O governo, que todos sabem ser o maior interessado na prorrogação dos contratos de pedágio, acabou concordando que qualquer mudança nessa relação passe pelo crivo legislativo. Isso não agradou as concessionárias, que pretendiam que tal assunto fosse tratado numa perspectiva eminentemente técnica. A preocupação não se sustenta porque no tipo de democracia que temos, aqui ou na Venezuela, vale o que o governo decide. E se a reação for intensa, há o recurso do "massacre" de 29 de abril.

Cosmopolitismo
A permissão para que estrangeiros possam ter até 100% do capital das companhias aéreas caminhou no Congresso e é uma sinalização de Michel Temer para um novo ciclo de investimentos no País, imagem fortalecida pela presença do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Passou na Câmara e vai ao Senado, o que significa, em termos estratégicos, recuo nos sedimentos estatistas e nacionalistas que tanto influem na área e que se mostram inúteis num país em crise recessiva e que não dispõe, por tradição, de poupança interna.

Lava Jato
Empresários e investidores se uniram parcialmente aos políticos para fixar limites a Lava Jato e criar condições para reverter o quadro econômico. É o retorno da tese de que o processo trava a economia. Outro dia um levemente referenciado falou nisso, o ministro Moreira Franco, cuja pasta irá tratar das parcerias público-privadas. No Brasil, a cultura a respeito é contubérnio. Sergio Moro, em lançamento do livro sobre a Lava Jato, anteontem, disse que ela não esfriou e quem esfriou foi Curitiba.

Folclore
Que as delações premiadas afundam os nossos maiores empreiteiros e com isso colocam freios na economia não se pode discutir. Mas a criação de um ambiente mais limpo, transparente, sem tanta corrupção, atrairia gente mais séria daqui e de fora e não exporia essas aos riscos do que já acontece com as turbulências do metrô e ferrovias de São Paulo que mexeram com a Alston e a Siemens e que não se submeteram a um exame como o da Lava Jato e que afinal protege o tucanato que o provocou. Tentam agora pasteurizar o caso da merenda escolar como se fosse um insignificante pixuleco.

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