LUIZ GERALDO MAZZA
Transitório-permanente
Filosoficamente tudo é provisório, politicamente mais ainda como imposição essencial da democracia na transitoriedade dos mandatos. No Brasil de hoje, com presidentes interino e afastado, tudo se complica: o que entrou querendo ficar e o que saiu pretendendo voltar.
E os dois agem no sentido de superar o transitório: a afastada fazendo proselitismo para vencer o impeachment e o interino, às voltas com a Lava Jato e outros processos como o que enquadra o seu Chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, mas marcando feitos como o de anteontem na questão da renegociação (haja irresponsabilidade fiscal) das dívidas dos estados. O desgaste de Dilma favorece Temer, porém a Lava Jato chacoalha os dois.
De qualquer forma, pactos como o das dívidas dá sobrevida ao presidente interino e também aos estados e isso confere ao ato um sentido de salvacionismo, o que nutre a solução emergente, como se fosse permanente, tal a euforia provocada pelos devedores. Enquanto o assunto principal era esse, para dar mais fôlego ao Paraná, que também padece da crise e aplica um plano duríssimo de contenção (até aqui se revelado impotente) de gastos, o secretário Mauro Ricardo Costa buscava acertar na Secretaria do Tesouro Nacional a liberação dos crônicos empréstimos internacionais de R$ 1 bi e meio.
A torcida do "fica, Temer" ganhou pontos, porém a preocupação com senadores indecisos quanto ao "impeachment", alguns com jeitinho de chantagem, persiste para reafirmar outra vez o provisório sobre o permanente. Permanente no Brasil é a corrupção, provisória a ética, quase sempre apenas no discurso e na doutrina.
Greve
Permanente é o estado de greve no Hospital de Clínicas, provisória a paz como o acordo em torno de salários: 9,83% a quem ganha até R$ 2,5 mil e 6% aos que ultrapassam o patamar.
Repique
Vereadores de cidades como Jacarezinho que enfrentaram campanhas contra aumento dos seus salários repicaram e fixaram alta para 2017: o povo pressionou e o prefeito vetou. Resta agora evitar a promulgação do aumento pelos vereadores seguida de interminável debate sobre sua constitucionalidade.
Água
Enquanto Londrina festeja a prorrogação dos serviços de saneamento por 30 anos em favor da Sanepar, o Ministério Público de Maringá aciona a estatal pelos padecimentos sofridos pela população quando as águas do Pirapó cobriram as instalações da fonte de captação e deixaram sua população em mais de 85% sem o abastecimento.
Não se ouve mais falar na Capital nos casos de lançamento de esgotos sem tratamento na bacia hidrográfica do Iguaçu, denunciada tanto pelo Ibama como pelo Ministério Público. E o que prevalece é a versão de que a nossa estatal é a melhor do Brasil.
Desintegração
A ruptura da integração metropolitana do transporte só criou problemas para a Comec, que teve que se reorganizar para assumir o problema: houve a quebra da unidade tarifária e a perda de eficiência operacional, com alterações em nada menos de 16 linhas, entre as quais a que conduzia diretamente ao Hospital Angelina Caron e que agora passa pelo terminal de Campina Grande do Sul. Algumas das mais competentes figuras do estafe de Lerner tentam reduzir o descompasso do setor.
Vigarice
Hospitais e clínicas na Capital são alvo frequente de vigaristas que exploram usuários do SUS inventando cobranças de procedimentos. Verdadeiras quadrilhas agem com liberdade e por isso não espanta no Rio de Janeiro o fato de haver o resgate de um bandido perigoso por um grupo de traficantes. Não dá para esquecer o caso no Hospital Santa Cruz, de um preso, custodiado por policiais, e que acabou fugindo rocambolescamente para o exterior.
Salomão
Segunda-feira, às 10 horas, o pessoal do Banco Central em Curitiba presta homenagem póstuma a um dos seus mais credenciados quadros: o economista Miguel Salomão que por força do seu talento montou a estrutura centralizada de Angola e exerceu, ainda no governo Lerner, as secretarias da Fazenda e do Planejamento, um dos artífices da vinda das montadoras e um teórico dos incentivos fiscais que a tornaram possível. Foi também da equipe de jornalistas da "Última Hora" na sucursal paranaense.
Folclore
Quando estimularam a Copel a desenvolver energias alternativas, indicaram os campos de Palmas, no Sudoeste, como o ponto mais apropriado para captar o vento e explorar a energia eólica. Descobriram, pouco depois, que Tijucas do Sul era mais adequado. Hoje, uma das áreas de investimento é nesse tipo de energia, porém no Nordeste. Ontem ela deu uma notícia boa, a tarifa baixa 14,03%.





