Mais que avariado
Nesta semana, em reunião de alguns secretários, aqueles incumbidos de uma força tarefa para uma barragem nos gastos do governo estadual (Casa Civil, Administração e Previdência e Fazenda), com Beto Richa, uma avaliação dos efeitos do Decreto 4189, de 25 do mês passado, que fixou normas rígidas para promoções e progressões de servidores (e que continuam postergadas), aumentos de salários, transformação de cargos, bem como provimento de cargo efetivo. Para se ter uma ideia da dureza, que parece economia de guerra, atos que impliquem em despesa superior a R$ 3,5 milhões devem ser submetidos à prévia e expressa autorização do tzar financeiro, Mauro Ricardo Costa.
Esses atos oficiais são a maior prova de que aquela história de oásis fiscal é publicitária e que a maior parte do ajuste se deu pela captação (empréstimo, aqueles R$ 640 milhões) ou saque no capital do fundo de pensão estadual. Como a situação não é nada boa, faz-se o uso do recurso publicitário, aquele clássico da árvore e da floresta, afinal o caso do Paraná é quase um purgatório, enquanto o do Rio de Janeiro é o inferno revelado.
Já há sinais de lucidez no fato de constatarem que vai ser difícil impedir que as despesas sigam de elevador enquanto a arrecadação anda a pé, a despeito da suposta camisa de força aplicada aos gastos. Antes isso do que a continuidade do oba oba e da lua de mel observados no mandato anterior, que afundou o Estado e ameaça fazer soçobrar a Paranaprevidência. Aí há outra esperança: os cuidados de Reinhold Stephanes como secretário da área que tem know how técnico (e que tentou salvar, como ministro, a previdência nacional), tanto quanto o de Mauro Ricardo Costa para conter o cerco dos políticos. Porque se não fosse essa condição haveria passaporte para o abismo.

O hospital
Mas quem persiste num clima de abismo é o Hospital Evangélico de Curitiba e até agora, um ano e meio depois de instalada, a comissão interventora não sabe o tamanho do rombo e também quanto tempo durará o seu trabalho. Registra, porém, baixa nos custos e também o pagamento de rescisões trabalhistas e melhoras consideráveis no corte dos seis cursos que a Fundação ministrava, permanecendo o de Medicina. Em meio à origem da crise, a denúncia de cursos e convênios irregulares que responsabilizavam o gestor.
Constatação absurda é que os hospitais que mais atendem o Sistema Único de Saúde, tanto o filantrópico Evangélico quanto o universitário Hospital de Clínicas, estão sob o impacto de crise, este último com as greves endêmicas do Sinditest.

Teste
O teste para a passagem da tocha olímpica em Campo Largo não mereceu vaia, mas irritou profundamente seus moradores na simulação que conteve o trânsito por várias horas. Deu a impressão que a prefeitura desconhece os limites da circulação urbana. Aliás, na rodovia federal ela já é pós-graduada em engarrafamentos, apesar da duplicação do governo estadual em favor da concessionária.

Livre
Em liminar do desembargador Naor Macedo Neto foi concedida liberdade a Beatriz Abagge, condenada a 21 anos no caso das bruxas de Guaratuba. A defesa fez interpretação de um decreto presidencial em favor das sentenciadas com filho menor de 18 anos.

Moro
Magistrados de todo o País chegaram ontem em Curitiba para uma homenagem a Sergio Moro por sua atuação na Lava Jato. Essa celebração se iniciou no Facebook pelo "Magistratura Free", maior grupo fechado de juízes na rede social com 2.631 membros. Boa parte dos integrantes da comitiva se associaram em março à campanha "Eu honro a minha toga - Apoio Incondicional ao trabalho do colega Sergio Fernando Moro". Quando a Lava Jato esteve sob ataque, juízes e servidores com roupa preta puseram faixas à frente de tribunais em defesa de Moro e pela independência do Judiciário. Haverá um jantar de confraternização e hoje pela manhã Sergio Moro faz palestra no Tribunal do Júri só para magistrados e segue-se almoço em Santa Felicidade.
Relevantíssima essa manifestação num momento em que a classe política, flagrada com a mão no jarro, tenta, em manobras sutis ou escancaradas, "melar" a Lava Jato e submeter Rodrigo Janot, Procurador da República, a um impeachment. Isso é quase confissão de culpa como o é toda carga contra o juiz federal. Como se vê, a presunção óbvia é de culpa, não de inocência.

Folclore
Sete horas da manhã o caboclo de Rio Branco do Sul chega ao Palácio São Francisco e vê um homem idoso e grisalho cuidando das flores do jardim. Entra em diálogo e perguntado o que pretendia diz que quer falar com o "presidente" (como eles chamavam à época o Manoel Ribas) e fala de bronca de terras. Aí o jardineiro pergunta: "E se ele não o atender?. "Aí não tenho dúvida: mando-o à pqp!" Depois de meia hora esperando no andar superior é chamado e ao entrar percebe que o chefe é aquele cara que mexia com flores no jardim. Repete-se o ritual e depois de todo o detalhamento da sua missão o "presidente" lhe pergunta: "E se eu não o atender?". "Aí fica do jeito que nos combinamos lá embaixo..."

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