Corrupção em metástase
Não se aplica aos convocados para explicações em propinas a máxima bíblica de que muitos serão os chamados e poucos os escolhidos. É que não se trata de uma lista de vestibulandos ou de concurso para o serviço público, tal a tendência generalizante a que se chega, dando a impressão de algo como uma lista telefônica.
Da mesma forma que se soube da existência de critérios que favoreciam o "racha" do chuncho ao PMDB do Senado em prejuízo aos da Câmara e ainda que um mensalão generoso era transferido sistematicamente da Transpetro para caciques, a derradeira listagem de Sérgio Machado foi bem além do presidente interino.
Diz-se que não pegou nenhuma vestal, mas elas existem por acaso? O exercício da política é bem pior, como se sugeria no passado, do que andar em ruas suspeitas. Fazer um descarrego sobre essa cloaca não vai ser fácil, mas mesmo esse remanso de esgoto deve ser detidamente examinado como se faz, por exemplo, com urina e fezes nos laboratórios de análises clínicas, já que inúmeras referências a propinas, ainda que sórdidas, ganharam status de legais por terem seguido todos os trâmites da regularidade.
O processo de financiamento político foi radiografado e vê-se que para sustentá-lo urge um sistema de prêmios, como o dos craques de futebol, que todavia no caso favorece até os mais empedernidos "pernas de pau".

Pessimismo
Democracia, pelo que se vê na Lava Jato, é, antes de tudo, antieconômica e de custo-benefício altamente discutível. Pelo que está ocorrendo no Brasil a política é um lixão e para transformá-la em aterro sanitário vai levar, no mínimo, três gerações. A paciência é impositiva.

Multas morais
Embora se afirme que o bolso é a parte mais sensível do corpo, na justificativa do uso da multa como solução pedagógica, Curitiba vai apostar fortemente na multa "moral". Infratores de regras de respeito a pontos especiais em favor de idosos e deficientes terão no para-brisa do carro o decalque, na forma de um singelo bilhete, da infração cometida. Prefeitura e Universidade Federal entram no mutirão. Tomara que concorra fortemente com os decalques eleitorais, menos úteis, como se sabe e se constata.

Vino acre
A promotoria de Defesa do Consumidor pediu e a justiça autorizou a interdição do quentão produzido pela Vinícola Durigan, que alega estar cumprindo determinações de ajuste com a fiscalização do Ministério da Agricultura. Perder esse mercado num momento de frio, posto que haja pequena mudança, não é fácil. Quentão, aliás, é o que não falta nas feirinhas de inverno nas praças Osório e Santos Andrade em Curitiba.

Justiça poética
Dois ladrões em fuga, depois de um assalto, em Santa Quitéria, bateram numa motocicleta, feriram o condutor, mas acabaram machucados e, justiceiramente, presos.

Asfixia
O Ministério da Saúde concedeu auxílio de R$ 11 milhões ao Hospital de Clínicas para encarar a sua crise material (falta de tudo de esparadrapo a material de limpeza) e prometeu conceder mais R$ 10 milhões anuais. A União (aí, sim, não no chororô do Beto Richa sobre empréstimos, ainda recentemente cheio de conversa com o presidente interino) tem uma dívida antiga com a instituição, apesar de estarmos hoje no quarto ministro da Saúde, como tivemos três na Educação, por ser um dos raros hospitais-escola que não tem o seu pessoal pago pela União, causa de suas crises permanentes e inclusive das greves intermináveis, endêmicas.
Essa mediação do ministro Ricardo Barros é homeopática, mas relevante dada a asfixia em que se encontrava a organização, dependente, inclusive, de campanhas filantrópicas por parte da sociedade paranaense para sobreviver.

Carga ligeira
Depois do pedido de prisão da cúpula peemedebista (Romero Jucá, Renan Calheiros, Sarney) pela PGR, a nova listagem de Sérgio Machado serve de motivação para o "impeachment" do Procurador da República, Rodrigo Janot, até por afinal colocar em ação um chefe de poder, o do Senado, e há tempo mostrando irritação com o processo no qual aparece inúmeras vezes citado como beneficiário de propinas. Isso bate de frente com algo identificado com a maioria da população brasileira, que vê na devassa um caminho para frear a corrupção.

Folclore
No vestibular de Direito o examinador, irritado com a ignorância do candidato, pediu ao bedel que trouxesse, para desjejum, um pouco de alfafa. "Pra mim" - disse o vestiba - "pode me trazer um cafezinho".

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