LUIZ GERALDO MAZZA
Lula na República que criou
Os processos de Lula (sítio do Atibaia e tríplex de Guarujá) virão para a República que o indiciado criou ao fazer ironia com o poder da justiça federal da Capital. Tentaram fazer de tudo para blindar o presidente com a sua designação para Ministro da Casa Civil, que lhe asseguraria foro privilegiado. A parte relativa à gravação entre Lula e Dilma foi retirada, por irregular, o que não deixa de ser uma censura a Sergio Moro, por determinação do ministro Teori Zavaski.
Até aqui há empenho das empreiteiras que doaram serviços ao ex-presidente em dizer que presenteavam o amigo e a família com as obras. Como não é fácil provar o nexo de causalidade físico-subjetiva de vantagens com a reciprocidade, pode-se argumentar que bajular não é crime, dependendo, é claro, do tamanho, pois há previsão legal e parâmetros. Tudo isso se insere na relação do público-privado no Brasil.
Aqui no Paraná, como governador, Requião ganhou cavalos e até hoje a demanda tramita na justiça, por obra e graça do seu ex-aliado e ex-deputado José Domingos Scarpelini, peça-chave da primeira eleição com o caso Ferreirinha. Os cavalos foram colocados também num sítio, este público, do Canguiri.
Aquele braço
Piadinhas sobre a derrota para o Peru: o radialista Airton Batista Júnior, Tusquinha, da CBN, sugere uma saudação "Alô Brasil, aquele braço!" Uma sutilíssima foi do Olé argentino "La mano, adiós", lembrando o gol de Maradona com "la mano de Dios".
Mais verba
Deputados cogitam de aumentar verbas de ressarcimento. Se nos compensassem com menos verbos, ainda vá lá.
Juninas
Justamente quando se divulgava o aumento em 40% dos incêndios florestais no Paraná em função dos fatores climáticos, a polícia apreendeu, anteontem, em São José dos Pinhais, em flagrante, cinco baloeiros. Por sinal que há menos "quadrilhas" nas festas populares do que as existentes no governo como o demonstra a Lava Jato.
Punição
Justiça de União da Vitória bloqueou R$ 30 milhões do espólio da empresa de ônibus causadora do acidente que matou dezenas de romeiros que iam ao litoral do Paraná na estrada Dona Francisca.
Escalado o matador
Ninguém dos candidatos a prefeito de Curitiba tem o poder de fogo de Rafael Greca, daí o cerco, há muito tempo, para colocá-lo como o ponta de lança para atingir Gustavo Fruet, cuja maior dimensão (mais valorizada nesse tempo) é a da honestidade. O apoio do PSB e da sua figura máxima, o ex-prefeito Luciano Ducci, a Greca altera profundamente o cenário. Na linha de fogo, conquanto mais discreto, Ney Leprevost, do PSD, e provavelmente, se for lançado pelo PSDB, Paulo Martins, de discurso privatizante e agressivo, que terçará forças com o já folclórico Professor Galdino, mais uma tonalidade de opereta no processo.
Divisão demasiada nas forças de oposição pode favorecer Fruet conforme a intensidade desses ataques, o que não pega bem no eleitorado da praça. Tadeu Veneri, do PT, faz figura pela redenção do partido e com a imagem de crítico nunca bem recebida por sua direção muito vinculada, quase como linha auxiliar, de Requião.
Unanimidade
"Fora, Temer" e "Fora, Dilma" podem até dividir o eleitorado porque ambos se merecem na origem da crise brasileira. Nada, porém, supera o "Fora, Dunga", ontem consumado. Já a CBF está numa situação semelhante à da maioria dos políticos brasileiros com a justiça.
Pelas CPIs
Estudantes foram ontem no legislativo estadual pleitear CPIs para o chuncho dos fiscais, a Publicano e dos desvios nas construções escolares, a Quadro Negro. O presidente Ademar Traiano falou com os estudantes e os chamou de "esquerdinhas". Por sinal que ele é citado na Quadro Negro.
Folclore
Tivemos dezenas de geadas, ao longo dos anos, até a pá de cal com a "negra", de 1975 ao norte, enunciada no dia anterior com a neve na Região Metropolitana da Capital. Chateaubriand atacava a nossa cafeicultura e o seu jornal Diário do Paraná, em Curitiba, era tido pelos concorrentes como um torcedor pela devastação do maior produtor, tanto que ao acionar a sirene, que anunciava algum acontecimento, havia a zombaria contra o jornal, que tinha entre seus acionistas muitos produtores ou armazenadores de café. O clima mudou muito e ironicamente o café, até então ornamental, passou a ser produzido em pequena escala: no Centro Cívico, ao lado de uma das sedes desta Folha, havia um mini produtor com 11 covas em produção e que quando havia frio intenso cobria as plantas com encerado.





