Dúvida na força-tarefa
Noticiário de ontem sugeria que um dos maiores entusiastas da força-tarefa da Lava Jato, o procurador Deltan Dalagnol, estaria cético quanto a seu andamento diante da reação ora desencadeada, e alcançando seus níveis mais altos, mormente com a mobilização dos interessados em trancá-la. Ora até agora, a não ser pequenos descuidos, inevitáveis na abrangência das apurações, teriam sido cometidos, mas a precipitada notícia da prisão dos senadores Renan Calheiros e Romero Jucá – um vazamento temerário e irresponsável - teve o condão de unir bancadas do governo e oposição no Senado para barrar a iniciativa. Um acordão foi estabelecido e com forte argumentação jurídico-política e a solidariedade convocada também se funda em valores que vão além das referências a pessoas, não importando o posto que ocupem e ganham o campo institucional no respeito às normas que regulam o princípio da interdependência e autonomia intrapoderes, amplamente ferido na quebra de rituais.
Não foi a oposição que criou o problema, que no momento une a Câmara Alta como bloco monolítico, mas a precipitação de uma notícia que pelo peso do seu porte e ousadia não poderia provocar outro efeito que não o de favorecer as pessoas coagidas. Gerou-se uma crise que até então não se vira no desencadeamento de todo o processo, bastando lembrar que se soma a outros, entre os quais o afastamento de Eduardo Cunha da Câmara, decidido por unanimidade pelo STF sem qualquer vislumbre de previsão legal, talvez visto como metajurídico, quase um Ato Institucional, mas de impacto menor do que o da prisão da cúpula nacional do PMDB.
Para o público, que em maioria esmagadora torce (e como aquilo que se vê em estádios de futebol) pela Lava Jato foi um olé a mais pela força representativa tanto dos presidentes do Senado e da Câmara como do presidente do PMDB e ex-ministro, senador Romero Jucá. É claro que não é novidade o seu enquadramento nas propinas petrolíferas, mas isso tem que necessariamente ser comprovado em processo regular. É bem mais do que a condução coercitiva de Lula na mecânica institucional que deu embalo aos grupos minoritários que veem na Lava Jato uma constante infração de direitos básicos. Recuperar-se dessa é preciso para que a própria força-tarefa não dê armas e conteúdo para a demonização do processo, ajudando a obter aquilo que os acusados não conseguiram, a despeito do seu inegável poderio, em "melar" o maior esforço de moralização na vida brasileira.

Apoio
Ministério da Saúde concedeu verba de R$ 14 milhões ao Hospital Erasto Gaertner, um dos mais qualificados no tratamento do câncer no País. Pertinente o exame da tese de que de um modo geral os que estiveram nas pastas da Saúde e Educação (nada menos de sete) pouco fizeram em termos regionais por preferirem a inserção nacional. Resultado: crise permanente no Hospital de Clínicas e nenhuma universidade estadual federalizada. O reforço para o hospital do câncer se voltará para atualização e ocorre em favor da Liga Paranaense de Combate ao Câncer quem em década passada teve crise em seus quadros diretivos.

Piada pronta
Em andamento no legislativo estadual um projeto que proíbe inauguração de obra inacabada como se dá com escolas. O problema não é esse e sim o de pagar por empreitada inconclusa, como se percebe na atual gestão com a Quadro Negro, sob exame do Gaeco. Com isso aí nem o Centro Cívico seria legal, visivelmente incompleto. Por exemplo: além do Tribunal do Juri o que havia para o Judiciário? O Palácio que ele ocupa é uma adaptação do prédio que uniria todas as secretarias de Estado, hoje enriquecido com um Anexo de igual porte e mais ainda a antiga sede do Alçada, ora incorporada e que ocupou o espaço da antiga fábrica de Pianos Essenfelder que, mesmo "tombada", foi regularmente esnobada. Uma infração em cima da outra. Por sinal que locação de prédio para o poder público sempre foi bom negócio. A fome predial da burocracia é pantagruélica.

Folclore
Ontem tivemos em Curitiba menos 1,3 graus, a menor desde 1997. Insisto na necessidade da reedição da Geografia do Paraná de Reinhard Mack e da necessidade de atualizar, ao longo do tempo, os registros de cheias, ciclones, geadas, acidentes naturais que constavam até os anos sessenta do século passado naquele documentário. As coisas nesse país do improviso são tão graves que um acompanhamento empírico que fizemos no Diário do Paraná de uma geada que detonou cafezais em 1955 com seu mapeamento valeu, para efeito de financiamento no Banco do Brasil, como se perícia fosse, da área atingida. Lembro do pintor Loio Pérsio, como artista gráfico, fazendo as convenções correspondentes aos percentuais de prejuízo. No comando de tudo, Adherbal Stresser, o dono da casa, na pele do repórter, do coordenador e no time lá estavam Airton Batista, Antonio Bruneti, Samuel Guimarães da Costa, Danilo Cortes, Adherbal Fortes, todos relatando os prejuízos com as condições precaríssimas da época. Telefone ruim, previsão do tempo bem pior e com efeitos devastadores.

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