Luiz Geraldo Mazza
"Deve o ministro emplacar reivindicações regionais ou cingir-se aos planos nacionais?"
A nossa presença
Com o governo Lula voltamos a ter presença forte no governo com Gleisi Hoffmann, Paulo Bernardo e Gilberto Carvalho, praticamente três ministérios. No governo transitório de Michel Temer temos o ministro da Saúde, Ricardo Barros, e há esforços para emplacar gente nossa no chamado segundo escalão.
Temos tido, nos últimos tempos, e isso vem desde 1954 com a morte de Getúlio Vargas passando pelo regime militar e aqueles pós eleição de Sarney e de Collor, que vale a pena refletir se isso rende vantagens reais ao Paraná ou a homenagem acaba se cingindo às vantagens políticas do grupo beneficiário. E um dos fatores que nos obriga a insistir no raciocínio está na crise permanente do Hospital de Clínicas e também no fato de não termos federalizado nenhuma das nossas universidades estaduais.
Ocorre que nessa área que envolve Saúde e Educação tivemos Flávio Suplicy de Lacerda, já na gestão Castelo Branco, como aquele que editou o 477 que intervinha nos diretórios estudantis e as preparatórias do acordo Mec-Usaid; depois também na pasta Ney Braga e Euro Brandão e na Saúde, já em 1954, Aramis Athayde e depois o sudoestino Alceni Guerra e o lapeano Borges da Silva e agora o maringaense Ricardo Barros. Apesar de toda essa congregação de esforços, o Hospital de Clínicas se evidenciou como um dos poucos hospitais-escola que não tinha o pagamento do seu pessoal por verba ministerial, origem de sua crise endêmica e que não se suavizou com o convênio com a empresa hospitalar federal, tanto que ainda agora perdura uma greve que a instituição não tem como atender pleitos salariais.
O questionamento é pertinente: deve o ministro emplacar reivindicações regionais ou cingir-se aos planos nacionais? Um dos que no ministério soube extrair vantagens locacionais foi o dos Transportes, Affonso Camargo, cuja passagem está presente num dos maiores entroncamentos rodoferroviários do Estado, em Ponta Grossa, o que lhe sustentava ganhos eleitorais seguidos, vinculados ainda a um varejo relevante - o do vale-transporte.
Protagonismo
No momento o que estamos vendo, além do discurso oposicionista de Alvaro Dias, é o trabalho de resistência em favor da presidente afastada tanto por parte de Gleisi Hoffmann como de Roberto Requião, esse com papel de destaque na tese do plebiscito por uma nova eleição, após Dilma Rousseff retomar a presidência. Requião não se recupera com isso do papel negativo que exerceu ao assinar com seus colegas petistas o documento "Reclamação Disciplinar" encaminhado ao Conselho Nacional de Justiça contra o juiz Sergio Moro.
A articulação pelo plebiscito tem como condição primeira o retorno de Dilma, só que há ainda algumas dúvidas quanto a disposição da presidente, depois da humilhação do afastamento, aceitar essa tese de grupos de esquerda e movimentos sociais.
Na bancada federal, destaque para o Rubens Bueno, com suas intervenções que ganham evidência nacional e a condição de "regra três" na mesa do paranaense Giacobo e a de Omar Serraglio na Comissão de Constituição e Justiça, em função do processo ético em cima do presidente afastado Eduardo Cunha. Aliás, a respeito disso, o enquadramento de Claudia Cruz, mulher do presidente, parece desmontar o álibi do acusado sobre trustes. Cunha, segundo o juiz Sergio Moro, foi beneficiário de propinas em contrato da Petrobras celebrado no âmbito da Diretoria Internacional ocupada por Jorge Luiz Zelada e que "utilizou contas secretas no exterior para receber, ocultar e dissimular o produto do crime".
Em termos de protagonismo, desde Janene, passando logicamente pelo doleiro Yousseff, estamos bem representados no polo ativo e passivo do processo com alguns presos como o ex-deputado André Vargas e outros investigados e também no lado virtuoso da Justiça, do Ministério Público e Polícia Federal, a espinha dorsal da República de Curitiba, epiteto de Lula e que pegou.





