Brancaleone na rua
Sempre houve quem acreditasse no residual revolucionário do petismo, colocado à prova no processo do impeachment: algumas manifestações em maiores centros ou de porte médio, a ocupação de algumas repartições e ainda ontem, em Curitiba, na mesma trilha o MST no Incra e o MTST (os sem teto) invadindo a sede da prefeitura e tentando a mediação em favor de área de empresa falida na Cidade Industrial e mais a regulamentação do chamado "aluguel social", mais uma miragem do populismo insaciável.
Quando Lula, em meio à derrubada da sua sucessora, sugeriu que poderia botar fogo no País a qualquer momento, como antes já se referira às tropas do MST, que aderiram o chamado e aqui mesmo no Paraná, na imediação de áreas conflagradas no oeste, bloquearam estradas e até aqui se mantém mobilizados. Entre as ocupações houve a do entorno da residência de Michel Temer em São Paulo.
Esses focos todos perdem significado ante a notícia do pedido de prisão pelo Rodrigo Janot, Procurador da República, ao STF para os presidentes do Senado e da Câmara Federal e o do PMDB, Romero Jucá, e também do ex-presidente José Sarney em função das delações da Lava Jato, a cúpula luminosa do maior partido do Brasil. Nunca o País viveu tão grave crise política e, percebe-se, que o maior questionamento em função de tudo isso e de situações, como a do afastamento de Eduardo Cunha pela instância superior, coloca em questão o problema crucial da divisão dos poderes e da sua declarada interdependência.
Também a facilidade dos vazamentos mostra que está mais do que rompido o sistema de freios e contrapesos constitucionais. Já as legiões do estilo Brancaleone, aquele do filme de Vitório Gasman, continuam em ação e alguns sindicatos ligados à CUT, como o principal dos nossos, o dos professores, se mantêm em vigília e especula-se que na visita que Michel Temer fará a Recife 14 deste mês há programação de fortes manifestações contra os cortes do governo federal. É que o impacto de tudo isso fica fichinha ante o que se dá na área judicial.

Sobrou pro japonês
O policial Newton Ishii, o celebrado "japonês da Federal", depois de tanto aparecer conduzindo réus e indiciados da Lava Jato, por decisão judicial, em processo antigo que respondia por fatos ocorridos em Foz do Iguaçu, acabou preso e deve assim continuar por mais quatro meses. É a aplicação automática daquela decisão do STF relativa a processos depois de tramitarem na segunda instância. Em função do mesmo fundamento, Beatriz Abagge, do caso das bruxas de Guaratuba, também irá para a prisão para cumprir sua pena. No momento é tida como foragida. A prisão do japonês pode render prejuízos ao fabricante de máscaras de Carnaval, que colocou 25 mil unidades no mercado e também algum transtorno para as inúmeras pessoas que fizeram selfies ao seu lado, valendo-se da fama temporária. O herói de hoje pode ser o vilão de amanhã. Difícil é o contrário: José Dirceu voltar a ser olhado como o Chê Guevara do Bananão. Mocinho de uniforme zebrado pode virar rotina.

Agito
Ontem foi um dia tenso: retomada da greve do Hospital de Clínicas com as restrições quanto ao funcionamento da UTI e também com a fixação do percentual obrigatório de trabalho na instituição e de outro lado a ocupação do Incra pelo MST e do salão da prefeitura pelos sem sem teto, na qual o prefeito Gustavo Fruet recebeu dez militantes e explicou que o terreno por eles desejado na Cidade Industrial, embora de firma falida, é privado e alvo de demanda judicial.
Viu-se também obrigado a responder outra interpelação do MTST sobre a regulamentação do chamado aluguel social, até hoje não atendida. De um lado os sem teto e de outro os sem tato da municipalidade, que prometem o impossível mesmo com o caixa estourado. O pior nessa demagogia é que o simples enunciado sugere generalização e que todos em situação de risco seriam atendidos, o que visivelmente é impossível. A triagem é um empecilho à demagogia do populismo, haja vista a fila da Cohab que as invasões não respeitam.

Contra o golpe
Na paralisação nacional de amanhã, a APP-Sindicato pretende propor à comunidade escolar a criação de Comitês Escolares Contra o Golpe e a Favor da Democracia e da Educação Pública, que consiste em organizar grupo de pessoas – professores, funcionários, estudantes, mães, pais ou responsáveis -, que farão o debate da conjuntura e ações para denunciar o golpe contra a democracia junto a duas falanges a Frente Brasil Popular (presente nos movimentos de ontem no Incra e na prefeitura) ou pela Frente Povo sem Medo. Se houver debate prévio, a APP vai descobrir que não é consenso na comunidade escolar o saque do golpe e que a maior parte da população não tolera o gangsterismo que de lado a lado manda na política. Ladrões da Petrobras querendo passar por heróis já é abusar da paciência.

Folclore
Ladrões com a mão tisnada de óleo bradando que "o petróleo é nosso" é de lascar. FHC quis privatizá-lo quando o pai, general Leônidas Cardoso, foi um dos criadores da campanha que empolgou o País e Getúlio Vargas empalmou.

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