HC sob pressão
Como se não bastasse a greve dos servidores, alvo de análise ontem no TRT, veio agora um fulminante parecer do Conselho Regional de Medicina sobre as más condições operacionais do maior hospital do Paraná, em que admite a hipótese de interdições parciais daquela organização, o que prova que as prometidas vantagens com o convênio com a Ebserh, estatal da área, não ocorreram como profetizava, desde o início, o Sinditest, ao resistir, até com o uso da força, a decisão no Conselho Universitário.
As revelações do médico Luis Ernesto Pujol, do CRM, centradas em observações periciais, fazem um raio X da instituição nada alentador e chocante pelas condições suprarregionais do HC, que recebe gente de todo o interior paranaense e também de Santa Catarina e São Paulo. Além, portanto, das greves que parecem fazer parte do seu calendário de todos os anos, nem sempre realçando as deficiências ora comprovadas ou delas se valendo como fundamento, temos agora essa ameaça de interdição de setores do hospital que operam em más condições e isso a despeito da excelência de algumas de suas unidades, como a do transplantes de medula, uma das de maior destaque do Brasil.
Como também a maior parte dos hospitais, especialmente os ditos filantrópicos, como o caso permanente do Evangélico, se encontra em função da crise recessiva numa espécie de UTI, tal a sua ameaça de quebra, isso põe em risco o já falido sistema do SUS que encontra neles e no Hospital de Clínicas as maiores unidades de atendimento. Quem sabe com as dimensões da crise o ministro de Saúde, Ricardo Barros, que é da terra, dê alguma contribuição.
É bom sempre lembrar que tivemos três ministros da Educação e três da Saúde e apesar disso o Hospital de Clínicas é um dos poucos hospitais-escola que não tem o seu quadro de pessoal pago por verbas ministeriais. Outra coisa: o gaúcho Tarso Dutra, na Educação, numa tacada, federalizou todas as universidades estaduais do Rio Grande do Sul e aqui nada. Timidez ou acanhamento excessivo, prioridade a uma visão brasileira, seja lá o que for, nada tem de mérito em nossa história.

Itaipulândia
Alguns municípios que gravitam em torno de Itaipu e daí recebem royalties que diferenciam sua situação fiscal dos demais municípios estão numa boa, mas alguns deles, como se dá com o de Itaipulândia, enfrentam o reverso disso com abusos em torno de diárias que deram origem a prisão de oito dos seus vereadores. Na cola das patologias o Gaeco que acaba de fazer a denúncia respectiva.

Quadro negro
Segundo apurações preliminares do Tribunal de Contas os desvios com construções escolares, que aparecem na Quadro Negro, já alcançariam a cifra superior a R$ 30 milhões. Aparecem no processo, como já foi evidenciado, o presidente do legislativo, Ademar Traiano, e também o conselheiro do Tribunal de Contas e Corregedor da Casa, conselheiro Durval Amaral e seu filho, Tiago, deputado estadual. E um dos envolvidos aí é, como se dá na Publicano, amigo do governador com quem joga tênis como naquele outro a parceria é em automobilismo.

Poder e dever
Que os deputados, por terem maioria esmagadora no legislativo, podem restabelecer o tratoraço todos sabem possível, como também, por ter maioria, o Senado poderia, e isso facilmente, reduzir os prazos do julgamento de Dilma Rousseff. No entanto, captando a reação do público, houve recuo na ideia senatorial e a comissão do impeachment desistiu de praticar a violência. Espera-se que também se dê o mesmo na aldeia para que não se repita aquela maioria que transformou o camburão policial em confessionário no Centro Cívico.
Da mesma forma os juízes podem, lastreados na legislação, estabelecer o cerco em andamento contra jornalistas da Gazeta do Povo, transformando-os em ocupantes permanentes de uma van percorrendo várias comarcas em que são indiciados para a respectiva defesa. Podem mas não devem pela singela circunstância de que não há o mínimo de isenção num processo como esse, em que o contraditório inexiste pela circunstância de que a condenação é fatal como um édito ou um Ato Institucional. A reparação judicial não está à altura da suposta lesão à honra dos magistrados, quebrando o sentido da restauração do ordenamento jurídico e estabelecendo um ritual que é mais forte do que uma pena, impedindo aos indiciados até o elementar exercício do trabalho profissional em seu roteiro ambulatório e sem fim nos juizados a que respondem pelas alegadas infrações.
Tanto a Associação Nacional de Jornais, a ANJ, como a especializada em jornalismo investigativo manifestaram apoio ao jornal e aos jornalistas.

Folclore
O cartunista Alceu Chichorro faz um galanteio a uma senhorita na rua XV. A moça chama-o de cachorro. Resposta dele: "Cachorro, não; Chichorro!".

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