LUIZ GERALDO MAZZA
O negativismo positivo
Se há alguém que sabe explorar o dado negativo para induzir a autossuperação é Londrina: cada revés estatístico (e isso desde o trauma da perda da classificação de terceira cidade do Sul brasileiro) é posto em destaque sob a forma de convocação como se deu agora, e isso realçado em manchete na edição de ontem deste jornal, com a receita média em queda de 2006 a 2014. Sobretudo a arrecadação per capita do ICMS R$ 283 por habitante - é a pior entre o conjunto de municípios postos em confronto.
Confrontada com Joinville, Maringá, Ponta Grossa, Caxias do Sul e paulistanas como São José do Rio Preto e Ribeirão Preto apenas acentuou aquilo que é facilmente perceptível: delas todas nenhuma supera Joinville, maior potência catarinense, e a mais industrializada, e justamente nesse traço dominante do setor terciário sofre desvantagens históricas e cujo descompasso não é fácil superar. No caso das paranaenses, há muito tempo Ponta Grossa desfruta da condição de integrar o eixo industrial com a Capital, desde o início centrado na transformação de produtos agrícolas, e Maringá, que mantém crescimento ascendente e que se superou na gestão Beto Richa, inclusive no Paraná Competitivo, sob a liderança de Ricardo Barros como secretário estadual.
Houve um momento em que Londrina se entusiasmou com um tipo de desenvolvimento assentado na inteligência, em tecnologia. Na verdade o que tem condicionado Londrina desde o ciclo áureo do café é a histórica cissiparidade das chamadas "cidades cogumelo", que geraram assentamento urbanos e núcleos industriais como os existentes em Arapongas, Apucarana, Cambé. Uma das causas apontadas pelo secretário de Planejamento, Daniel Pelisson, está na não revisão da planta do IPTU desde 2001, fenômeno que também se deu na Capital e que encontrou forte resistência na hora de implantá-lo, isso sem falar nas suas consequências no zoneamento urbano.
O relevante é que esse negativismo construtivo carece de dosagem com outros feitos que coloquem a cidade em realce, como se dá com Maringá e Curitiba, com tantas premiações de variada natureza e que têm o condão de elevar a autoestima de sua comunidade, mesmo quando exageradas como as que contemplaram a Capital sob Jaime Lerner e isso em escala internacional, como se sabe.
Copel multada
Volta e meia a Copel recebe multas em que pese seu bom desempenho: ora da Aneel, ora da Receita Federal e do Tribunal de Contas como a mais recente de R$ 46 milhões (cinco milhas só de juros) e mais a Contribuição Social do Lucro Líquido (CSLL) e que está ajustada num parcelamento em 60 vezes adotado como cautela em função das incertezas do mercado e também do fato de o governo federal ter um débito com a empresa de R$ 300 milhões.
De qualquer forma é algo perturbador numa empresa do porte da nossa joia da coroa.
Veto ao Uber
Apesar da pressão dos taxistas, radicalismo à flor da pele, o veto parcial do prefeito Gustavo Fruet à tentativa de proibição do Uber foi aprovado. A questão não pode ficar no limbo como se deu em São Paulo com a regulação do tema pelo prefeito e cuja eficácia é discutida.
Greve
O Sinditest mostra com a greve em andamento no Hospital de Clínicas, desde ontem com uma adesão de 80%, que apesar da restrição do TST à sua representatividade, domina o pedaço e não aceita os 5% de reajuste oferecido brigando por 20%, sabidamente índice inajustável à realidade, ainda mais com a situação daquela dependência universitária.
Greves com essa característica em atividades essenciais deveriam ter o veto cautelar da justiça do trabalho com a imposição de percentuais mínimos de trabalhadores para impedir o colapso do seu funcionamento, ainda mais quando exercem funções supralocais, atendendo o interior do Paraná e ainda São Paulo e Santa Catarina.
Zero em segurança
Não apenas pelos caixas eletrônicos explodidos diariamente, mas também pela frequência de assaltos e arrastões, percebe-se o zero em segurança. O registro da violência do assédio sexual nos transportes coletivos e a rotina do pula catracas como se viu de repente a paciência esgota e o povo vai às ruas como fez ontem o estudantado do Departamento de Artes da Federal no Batel (Rua Coronel Dulcídio) que não suporta a rotina dos assaltos e de violência.
Há a alegação de que só 30% da frota da PM está em atividade, o que se reafirma no fato de não se ver nas ruas policiamento ostensivo. Se isso se deve à tesoura fazendária para acertar o ajuste fiscal, até aqui ainda negativo não fosse o saque no fundo de pensão, pelo jeito nem o garrote vil dos impostos ajustou as coisas até porque a despesa continua subindo e com isso deteriorando a possível economia.
Folclore
O líder Romanelli tem momentos do Doutor Silvana e queria implantar algo pior que o tratoraço nas votações da Assembleia. Recuou num caso de arrependimento eficaz, mas estava coerente como a base aliada entende a democracia.





