"Há outro fator: um possível sentimento de culpa, diante do governo que aí está, relativamente ao que foi deposto"



Acelerar é preciso

A perspectiva de que boa parte dos senadores mude seu voto na reta final do impeachment levou o governo interino, mas seguramente também uterino, a perceber que a prioridade agora, mais do que qualquer outra, é acelerar os rituais do processo ante o possível recuo dos pais da pátria. De outro lado, percebe-se o aprofundamento das contradições, que levarão Michel Temer ao desgaste como se deu em meio a um apelo pela sobriedade o apoio absurdo à pauta bomba com ônus declarado de R$ 53 bilhões. Como se sabe aos patrimonialistas e populistas austeridade, mesmo que a situação nacional o imponha, é das ultradireta e claro neoliberal no jargão da fauna.
A despeito da presença de figuras como a de Henrique Meireles e de Pedro Parente não faz parte do DNA dessa turma que está no governo ter a coragem e o heroísmo de experiências estoicas como a de fugir às concessões. E se alguns nomes dão crédito ao Brasil em termos mundiais e no interesse dos investimentos internacionais, afinal quem não tem poupança deles dependem, outros operam em sentido contrário e que ao lado da queda de dois ministros temos, à cada instante, cargas de suspeitas como as arguidas em relação à titular da Secretaria de Políticas para as Mulheres, ex-deputada Fátima Pelaes, com alentado prontuário no Ministério Público Federal.
Se há um talento como o de Carlos Lacerda certamente se referiria ao governo como societas celeris, tantos os respingados por desvios e fraudes e indiciados ou investigados. Também a rigidez do cronograma de que dispõe para reverter o surto de contradições e sinais de desgaste o obriga a acelerar o impeachment a um só tempo, em que tenta deter a queda de credenciais no mercado. Discretos sintomas como os detectados na melhora de indicadores do PIB e do desempenho industrial se revelam insuficientes para uma alavancagem com tudo se mantendo num cenário de areia movediça.
No meio do caminho há outro fator: um possível sentimento de culpa, diante do governo que aí está, relativamente ao que foi deposto. Se Dilma souber explorá-lo, e não for engolfada por novas delações, acelerar o impeachment é ato de salvação, único possível, embora não garanta coisa alguma.

Moral como handicap

O predomínio das questões nacionais na área política dificultam o já estreito espaço concedido às próximas eleições municipais. Um dos fatores, o de não haver sinais de roubo por parte de prefeitos que disputam a reeleição, como o de Curitiba, caso de Gustavo Fruet, em que pese o seu mau desempenho, pode surgir como fator diferencial em meio à quadra brasileira e até favorecê-lo. De um modo geral os postulantes estão baixando o sarrafo em Fruet no aspecto administrativo e ausência de obras (o governo estadual, por exemplo, as tem?) e uns mais polidos como Ney Leprevost, outros mais agressivos e até corrosivos como Rafael Greca, todos tentam a acertar a "mosca" do alvo.
Felizmente, para nossos ouvidos, a campanha será curta o que não a impede, de nas mãos de marqueteiros hábeis (como deles se livrar, Senhor?), transformar-se em "culta".

Greve de novo

O Sinditest está programando nova greve para o Hospital de Clínicas. Sob o pretexto de um aumento de 20% nos salários quer, na verdade, desafiar o outro sindicato, o Senalba, que ganhou no TST a representação da categoria, e assim mostrar que tem nesse campo das reivindicações melhor capacidade de mobilização e inegável "know how". A justiça precisa largar mão de contemplativismo e respeito a rituais e cautelarmente exigir nas atividades essenciais, como a de um hospital com função suprarregional, ou no caso de transportes de massa (ferroviários, metroviários) aquela exigência de um percentual razoável de atendimento à população desde a deflagração da parede.

Cargas

O feito do Cope no desbaratamento de uma gangue de roubo de cargas é de tal significado que recupera na população o perdido sentimento de segurança: 11 mandados de prisão e cinco de condução coercitiva revelam que houve, antes de tudo, um trabalho excepcional do setor de inteligência e logística. As transportadoras do País andam à beira do pânico diante da frequência de operações muito bem planejadas de roubos, quase sempre com sequestros, no setor e no caso paranaense saudaram a montagem de delegacia especializada.

Folclore

Ações de prefeituras ou da polícia contra o meretrício rendem até passeatas, como se deu em Londrina. Em certas ocasiões, o prefeito não é refratário ao tema, mas não resiste a pressões que possam partir de confissões religiosas. Num encontro entre Lupion e um deles, o governador quis saber como estava a zona, referindo-se ao dado geoeconômico, isso é a sua região e o burgomestre disse que tudo ia muito até que o padre, pressionado por seus paroquianos, resolveu fechá-la.

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