Bomba-relógio
Já está mais do que comprovado que o fundo de pensão estadual é uma bomba-relógio armada para detonar em pouco tempo. Vários políticos e técnicos fazem esse alertamento desde o momento em que os governadores (e isso vem desde o último quadrimestre de Lerner) deixaram de depositar o aporte obrigatório (o patronal, no caso) ao fundo que hoje tem 91% dos seus recursos originários da contribuição dos funcionários, agora também aí incorporados os aposentados.
A poupança hoje estimada, segundo a ParanaPrevidência, em R$ 7,8 bilhão está deteriorando e de forma rápida, pois no ano passado se fixava em R$ 8,5 bilhões, queda em um exercício de nada menos de R$ 700 milhões, um pouquinho mais do que o saque dos R$ 640 milhões, feito em duas prestações no início de 2013 e cujo pagamento por parte do tomador, o governo, não vem sendo feito quando deveria girar em torno de 140 milhões ao mês agregando os 0,5% de juros ajustados contratualmente.
Se olharmos para as contas do governo, mostradas por Mauro Ricardo Costa, constata-se que no resultado da performance, se é que tão airosa, há muito daquele saque, e do avanço no capital do fundo para acertar parcialmente o desequilíbrio nas contas.
Segundo os mais críticos, o horizonte da ParanaPrevidência que seria de 70 anos, caso os governos pagassem a sua parte, caiu para nove e isso aí, em termos reivindicatórios, ainda que não imediatos, é tão ou mais relevante do que qualquer aspiração salarial já que aborda um futuro nada tranquilizador. O desprezo de políticos pelo futuro está expresso aí com a velha malícia de transferir esses ônus para seus sucessores, uma sordidez em termos éticos para dizer o mínimo, mas que, infelizmente, faz parte das nossas praxes.

Zé Dirceu
O juiz Sérgio Moro reduziu em quase três anos a pena de José Dirceu, a maior da Lava Jato, e em setembro do ano passado havia excluído a filha do petista, Camila Ramos de Oliveira e Silva e a arquiteta, Daniela Fachini, por não encontrar evidências de que a compra do apartamento em Vinhedo (SP), tivesse ligação com a propina. O TRF4, por dois votos a um, discordou do magistrado e enquadrou-as como rés no processo. A pena de José Dirceu foi reduzida por ser septuagenário.

Mais de R$ 29 bi
Em Curitiba o ministro do Tribunal de Contas da União, Benjamin Ziller, bastante ligado nas investigações da Lava Jato, afirmou que há muito mais de R$ 29 bi desviados no petrolão.

Intolerância
Estamos vivendo uma experiência excepcional de democracia inclusive com a circunstância de termos um governo impedido falando de um lado e o interino de outro. Há, porém, uma espécie de sensibilização extrema das pessoas como se vê nessa bronca em cima de uma sátira teatral em torno dos rituais gospel e do caso de um jornalista processado por ter dito que um determinado conselheiro do Tribunal de Contas era "pupilo" do governador. Ora, não há necessariamente sentido ofensivo numa observação que se cinge à circunstância de ter sido por ele nomeado, fato que expressa, por si, algum tipo de laço político ou afetivo.

Delação
Brecou a delação de Léo Pinheiro, da OAS, junto aos procuradores da Lava Jato porque frizou categoricamente que o ex-presidente Lula nada teve a ver com as reformas do sítio de Atibaia e do tríplex em Guarujá. Obviamente, quis dizer que Lula não teria pedido o "presente" que afinal recebeu da empreiteira e que aquilo não impunha contraprestação. Isso faz lembrar uma passagem no depoimento de Paulo Roberto Costa, quando ao citarem Marcelo Odebrecht, a testemunha insistiu para que não houvesse referência ao executivo (e o fez aos brados de "por favor não o envolvam") que nada a tinha a ver com o caso que se relatava e essa observação não foi levada em conta.
Ainda que seja do interesse dos procuradores a revelação de um liame entre Lula e a OAS nos dois casos e mesmo que fique evidente o empenho em blindar o ex-presidente não fica bem forçar a barra, uma vez que estão evidentes os atos protecionistas em torno da autoridade e não é possível que esse tipo de gravitação já não deixe algo mais do que uma presunção.

Apagão
O pior "apagão" no caso do futebol em Londrina não é o centrado nos refletores, ainda que isso precise ser encarado por parte da prefeitura, e sim a baixa receptividade do público ao Tubarão depois do seus feitos no Paraná e no Brasil com a promoção à Série B em que se sai razoavelmente. Esse vexame, a ausência do calor da torcida, é tão ruim quanto aquele da escuridão sacada pelo vídeo nacionalmente e sujeito à multa.

Folclore
Há novos testes para Temer: delação da Odebrecht e coisas menores, mais picantes, como a lista dos delegados da Polícia Federal para compor sua direção, ainda mais depois do veto do ministro da Justiça a esse estilo de nomeação na Procuradoria da Republica. Pergunta-se: avanço ou recuo ou os dois ao mesmo tempo?

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