A conspiração permanente
Da mesma forma que o impulso de viver leva um prisioneiro à fuga, não existe força no mundo capaz de conter um denunciado, principalmente quando consciente de suas culpas, de tentar fugir às malhas da Justiça. Decorre daí, a certeza, a despeito das declarações formais em defesa da Lava Jato por parte até da autoridade presidencial, de que a conspiração sutil ou aberta se manterá viva, posto que submetida a recuos para enganar o público.
Com essa caricatura de parlamentarismo, o prestigiamento aberto a lideranças na montagem do gabinete, que já perdeu dois integrantes dispensando rituais do referendo, a constatação de que 24 dos 81 senadores e 148 dos 513 deputados federais têm pendências no STF revela um poder lobístico nada desprezível e que se torna mais denso pelo convívio e cumplicidade. Esperar desse contingente a inércia ou ainda uma postura de acatamento à dinâmica institucional, submissa aos seus regramentos, é algo próximo da loucura ou de adesão a uma conclamação ao suicídio coletivo no estilo Jim Jones.
Daí, é claro, o distanciamento olímpico de Michel Temer quando suscitam o óbvio de que boa parte de sua equipe é tisnada pelo alude da corrupção que engolfa o país. E é, claro, alicerçada na questão jurídica de que indiciado não é previamente culpado ou ficha suja, o que também é recheada de cinismo, como se não fosse imperioso exigir no mínimo de um ministro que não tivesse antecedentes criminais ou qualquer tipo de suspeita.
Para que se dê a ênfase merecida à Lava-Jato, indispensável se torna a visualização de que ela expressa a consciência da nação e, por isso, se torna impositiva a sequência de manifestações de apoio e também de vigilância, tanto por parte da magistratura como do Ministério Público e da polícia judiciária, em defesa desse momento incomum da vida brasileira. Instalou-se ontem em nossa capital o Primeiro Forum de Administração, Gestão e Estratégia da Associação dos Juízes Federais do Brasil que abordará questões técnicas de interesse da área e servirá também para mostrar a determinação por uma nova cultura relativamente ao combate à impunidade que parece ter inaugurado um ciclo decisivo no país. É, ao menos, a esperança.

Contestação
Observações feitas ontem sobre a situação previdenciária, recebi nota do presidente da instituição Rafael Iatauro: "O Fundo de Previdência do Paraná, o maior do país, como é sabido, conta hoje com cerca de R$ 7,8 bilhões de reserva para pagamento de aposentadoria e pensão para servidores públicos e seus beneficiários. No final de 2015, registrou superavit em balanço na ordem de R$ 60.664.758,52. Quanto ao parcelamento firmado em 2013, o estado do Paraná está rigorosamente em dia, conforme demonstrativos do Ministério da Previdência Social.
A lei nº 18.469/2015 em nada prejudicou o sistema previdenciário. Ao contrário, prova disso é que o estado do Paraná está com suas obrigações de folha em dia e com uma poupança previdenciária com mais de R$ 7,8 bilhões, diferentemente de outros estados da federação.
Portanto, a ParanaPrevidência, órgão gestor único do Regime de Previdência Social do estado do Paraná, contesta veementemente as equivocadas informações lançadas em sua prestigiosa coluna na Folha de Londrina de 1 de junho de 2016".
A contribuição patronal, isso é o aporte oficial, não é pago desde o último quadrimestre de Lerner e isso levou, por via atuarial, a perspectiva de que se aquela obrigação, ao longo dos anos, fosse cumprida, calcula-se em mais de uma dezena de bilhões, o horizonte do fundo de pensão seria de setenta anos e não de apenas nove para atender os segurados atualmente. O ocorrido de 2013 foi no sufoco quando não se sabia como parcelar dívidas com fornecedores, prestadores de serviço e empreiteiros, levando o governo a emprestar R$ 640 milhões do fundo previdenciário e que pagaria em 60 prestações, o que não teria chegado ainda ao seu termo. Quanto ao saque do capital até então indisponível da ParanaPrevidência para ajustar folhas de pagamento não é matéria pacífica, embora conte com a aprovação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e permanece, enquanto não houver julgamento, sub-judice.
Não há oásis na crise e isso não se resolve com analogia de outras unidades, mais afundadas do que a nossa ou as costumeiras afirmações de que somos o maior nisso ou naquilo como outro dia asseverou o chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, sobre a nossa merenda escolar, causa recente das ocupações escolares em Maringá.

Folclore
Era para sair ontem na Corregedoria da Polícia o andamento da investigação em torno da tortura imposta por delegados e agentes aos acusados da morte da jovem Tainá em Colombo há três anos e foi, o que não surpreende, adiada. Mais um caso insolúvel, certamente, como o de mais tempo da menina Rachel Genofre, cujo corpo foi encontrado na Rodoviária. Tudo é lento e imaginem que um processo contra Lerner por abusos com propaganda no Banestado, em meio a uma campanha eleitoral, foi retomado pelo Ministério Público. Desse jeito, qualquer dia aparecem procedimentos contra Manoel Ribas e até em cima do capitão povoador Mateus Leme e do próprio Ébano Pereira. Se o mensalão que foi rápido levou cinco anos, e ainda é alvo de enquadramentos, deve-se ter em mente que a nossa rotina - e isso, infelizmente - não é a da Lava Jato.

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