Sergiofobia, a moda
É claro que há a paranoia da bandidagem com o Sérgio Moro pela forma como conduz processos da Lava Jato. Pois agora pintou outro Sérgio no pedaço, o Machado, que grava os papos comprometedores com amigos e depois os divulga como se deu com Romero Jucá que caiu no Ministério e se dá nesse momento com Renan Calheiros, presidente do Senado, que confidenciou pretender mexer na lei das delações impedindo que presos pudessem fazê-lo. Ironicamente foi um amigo que não está preso, mas pretende ser delator premiado, que o entregou de bandeja. Um Sérgio do bem, outro nem tanto.
Como se percebe, a conspirata contra a Lava Jato continua e fôssemos mais realistas até a entenderíamos como uma imposição das circunstâncias, uma espécie de legítima defesa, ou desforço incontinente, da classe política pelo grau de envolvimento da fauna no propinoduto da Petrobras que assegurou as eleições de grande parte deles. É claro que era necessário um discurso de união nacional, de restauração, desarmamento de espíritos, para fazer passar a sacanagem e para isso, sabemos, há talento de sobra em mensagens sutis ou catárticas.
Hoje é feriado, mas não estaremos impedidos de registrar nova machadada: se até os "pater conscripti", senadores, inclusive o presidente, não foram poupados imagine-se o resto.

No caminho
Mais do que a pedra de Drummond, há uma Caixa no caminho de Beto Richa na pretensão do acesso a R$ 500 milhões de depósitos judiciais. A Caixa Econômica Federal, como parte também interessada, obteve liminar no Tribunal Regional da Quarta Região, bloqueando a pretensão do governo paranaense. Como no caso dos empréstimos internacionais bloqueados, o governo recorre e aposta na reversão.
Nem tudo está perdido, pois ontem à tarde o governo cedeu R$ 38 milhões para a merenda escolar, embora em Maringá três unidades de ensino estejam ocupadas por causa do tema e mais tarde Beto Richa recebeu o MST que queria só a saída do chefe da Casa CivIl, Valdir Rossoni, por sinal recém-condenado no Judiciário por envolvimento em fantasmices. Beto Richa, fiel ao seu auxiliar mais estratégico, disse não obviamente aos sem-terra sobre os quais afirmou que eles não mandam no Paraná, embora deitem e rolem, como todos sabemos.

Beligerância
Conflito entre a Polícia Militar e o secretário de Segurança persiste e com prejuízos sérios ao sistema que se mostra cada vez mais permeável à criminalidade como se capta no cotidiano: apenas 30% da frota estaria operando, os milicianos se recusam a utilizar os coletes tidos como inócuos, reclamam do descompasso entre suas armas (cano curto) e a dos bandidos mais qualificadas, há ressentimentos decorrentes da exposição dos acusados na chacina havida em Londrina. Conclusão: não há um mínimo de firmeza da parte do governo para amainar o quadro e estabelecer um plano ousado de combate à violência que começa, claramente, pela pacificação interna.

Costumes
Uma cena em Formosa do Oeste que nega a suposta modernidade e o aggiornamento em costumes : o vereador do PDT, João Gonçalo Marcos, se desentendeu em plenário com a sua colega do PT, vereadora, Mari Claudete de Oliveira e desrespeitando-a afirmou que só trataria o caso com o seu marido, de homem para homem. O Ministério Público o enquadrou por desacato face à violência e grosseria da discriminação.

Registros
Estudantes de Direito que não passam no exame de Ordem estariam falsificando registros para atuar na profissão e um deles acaba de ter a liberação falsa devidamente cassada. A OAB-PR fez o alertamento e entrou em ação para valer.

Acidentes caíram?
A Prefeitura de Curitiba afirma que, com as vias calmas, a incidência de acidentes no centro teria caído 29%. Bastou divulgá-lo e a reação nas redes sociais foi imediata, ninguém crê nesses números, mas acredita que as multas drenam para os cofres públicos. Trânsito é área em que todo o mundo se acha habilitado a dar palpites e agora o vereador Cicarelli quer que as vans escolares possam trafegar nas faixas exclusivas de ônibus. Abre exceção ou qualquer forma de assembleísmo na discussão das diretrizes de trânsito e vem aquele provérbio: passa um boi, passa a boiada.
Por que não os catadores de lixo? Afinal, são também filhos de Deus. Nas canaletas ditas exclusivas já pintam exceções, algumas razoáveis, como a tolerância com ambulâncias e viaturas policiais, mas outras abusivas de automóveis, motos e bicicletas, isso sem falar nos patinadores e skeitistas.

Folclore
O ciclo é da punição: não bastasse a Lava Jato, cassaram o vereador Paulo Rink, o deputado Bernardo Carli e agora o Valdir Rossoni é sentenciado na Justiça.
E vem mais, muito mais.

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