LUIZ GERALDO MAZZA
Currículo comum
Se há algo que define a maioria do governo brasileiro é a circunstância de estar, de uma forma ou de outra, envolvida na Lava Jato ou em outro tipo de investigação, como se dá agora para confirmar a regra, com a escolha do seu líder na Câmara Federal. A alegação de que ainda são processados ou meramente investigados, até por não se enquadrarem na Lei da Ficha Limpa na condição de condenados, é o fundamento dessa absolvição prévia e isso acaba dando razão ao PT que sempre alegou em sua defesa e que a corrupção é comum a todos, quase uma forma de isonomia.
É como se essa circunstância enriquecesse e não degradasse um currículo, contingência assim indesviável do fazer e do agir político. É a Magna Cloaca, em que transformaram o Brasil, vazando sem cessar. No Direito romano, do qual herdamos alguns conceitos, havia a "capitis diminutio", uma redução do espaço de atuação de um infrator, em sua liberdade e também a cidadania. Ora, um investigado ou processado não pode ser confundido com um ficha limpa sem antecedentes criminais, ainda mais quando alvo da Lava Jato cujas sentenças, como a de José Dirceu a 23 anos de prisão, revelam o rigor com que se procede em relação tanto aqueles indiciados como aos meramente referidos. Como um sinal de nascença, marca digital, há de reclamar um mínimo de cautela e apreensão com tantas coincidências como se o comando do grupo pudesse repetir como na saga religiosa: aquele que não tem antecedentes que atire a primeira pedra. Um sinal claro de que mais cedo ou mais tarde ficarão evidentes as pressões contra a Lava Jato em que pese o formalismo das declarações oficiais em sentido adverso. Elas já se insinuam não apenas nessas circunstâncias, eloquentes demais, mas em declarações como aquela do ministro da Justiça fazendo restrições a um suposto poder imperial do Ministério Público e mostrando-se contrário a que o governo aceitasse o nome mais votado da lista de aspirantes a procurador-geral da República.
Ponha-se tudo isso no liquidificador e mais os apelos de união nacional e teremos o tempero para aquilo que se tenta, há dois anos: "melar" a Lava Jato. Estar nela envolvido parece conferir uma aura de bom comportamento ou ao menos pragmático, o que seria definição do perfil mais sedutor de um político.
Volvo acerta
Apesar de ter uma queda de 70% em seus negócios, o que a levava a cogitar de um Plano de Demissão Voluntária, PDV, para 400 trabalhadores, a fim de restabelecer seu equilíbrio financeiro, a Volvo acabou negociando com o sindicato obreiro um acordo em que suspende as demissões até dezembro. A pressão da categoria, como das vezes anteriores, funcionou em torno até de participação de resultados que inexiste numa quadra recessiva.
Combustíveis
O sindicato dos combustíveis vai pleitear na Justiça a derrubada da proibição do terceiro dígito, norma assentada pela Agência Nacional de Petróleo. Em Londrina, o Gaeco examina a hipótese de formação de cartel na prática do alinhamento de preços, já admitida na Justiça em alguns casos específicos.
Inocuidade
Recentemente, houve decisão do Tribunal de Justiça que proíbe o bloqueio de estradas pelo MST e até estabelece multas diárias. Medida de mero efeito declaratório, já que ontem havia nada menos de cinco pontos de interdição. Também difícil e quase impossível o despejo de invasores em Quedas do Iguaçu pelo volume de tropas necessário e seu alto custo. Persiste o descompasso no país entre os princípios da liberdade e da autoridade com predominância daquele sobre esse e que, consequentemente, gera mais do que insegurança jurídica para configurar um caso notório de anomia institucional.
Repasse
O Tribunal de Contas sinalizou que os repasses relativos ao ICMS para os municípios alcançará R$ 6 bilhões em todo o Paraná, o filé mignon para Curitiba. Assim mesmo, é enorme a grita contra a situação e tanto que, recentemente, houve marcha de prefeitos a Brasília, por sinal que muito mal imaginada já que o país se achava, naquele momento, voltado para a erupção do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Segundo os técnicos da Corte de Contas, houve um aumento de 6,55% face a 2015.
Folclore
Já se argumentou que a Lava Jato gera prejuízos ao país e aprofunda a recessão e ainda por cima responde em boa parte pela elevada taxa de desemprego. Da mesma maneira que se disse impossível persistir na "criminalização" das maiores empreiteiras do continente. Agora dá para perceber que é impossível montar um ministério sem que boa parte dos escolhidos não esteja nas malhas da investigação.





