LUIZ GERALDO MAZZA
Na marca do pênalti
O trabalho está na marca do pênalti para todos, mais do que os 11 milhões até aqui descartados: na Volvo há uma greve para melhorar a negociação do Plano de Demissão Voluntária porque a saída de 200 é inevitável até porque parede não cria demanda, a clientela compradora, ainda mais de produto nobre e caro como caminhões pesados e ônibus; há ainda a ameaça de motoristas e cobradores de outra por causa das multas das Urbs e ontem mesmo, além daquela de um setor da Sanepar, pintou a dos hospitais filantrópicos, a maioria quebrada, com pleito de reajuste salarial dos funcionários.
Greve é sinal de vida como também o aumento de roubo de cargas, apesar da recessão, que indica que a economia, ainda que de forma inercial, respira, sem isso os ladrões estariam sem saber o que fazer por falta de "trabalho". Sinal de vida é também os bloqueios da BR-277 pelo MST em Santa Teresinha do Itaipu contra um despejo de fazenda invadida com queima de dois caminhões e máquinas agrícolas, o que o capitalismo agradece porque a reposição virá de qualquer jeito logo que a situação amaine.
Manifestações coletivas são o desforço possível, algumas melancólicas como essa parede de trabalhadores de hospitais filantrópicos, dentre eles novamente o Evangélico, a maioria quebrada e sem receber, inclusive, o que o governo lhes deve. Moderna essa da Volvo por se dar em nível de negociações, facilitado por uma cultura, que sustenta tal intercâmbio. Nossa área não escapa da condicionante nas várias mídias e estamos mais sob a espada de Dâmocles do que dos fios de Ariadne, onde poderíamos, sonâmbulos, dançar o "pau de fita". Para complicar, o governo de transição, para os opositores de traição, não nos fornece a luz no fim do túnel e sim o bate cabeças dos seus ministros e do próprio presidente em exercício visado pela Lava Jato. Não deixa de ser um quadro igualitário: todos ameaçados de perder o emprego, todos no mesmo barco que não afunda de tão calafetado, mas que está à deriva rumo ao desconhecido, o tenebroso, dos tempos das navegações que nos descobriram.
Maracujá de gaveta
O Paraná cresce, diz o institucional do governo. Mas perdeu de 2010 a 2015, portanto, sob o atual reinado, 2.120 leitos hospitalares, no Sistema Único de Saúde, inclusive com crise nos principais como o de Clínicas de Curitiba e o Universitário de Londrina, uma queda de 2.120 internações. Reproduz quadro nacional com uma redução de 23,5 mil leitos, 13 (olha o número cabalístico do PT e da zebra) por dia. Cresce, sim, como maracujá de gaveta. E como sempre no Sul fomos o pior nessa área social com mais perdas do que gaúchos e catarinenses.
Imanência da lei
Mais importante do que o impeachment, a despeito do seu aspecto traumático, a Lava Jato é o ponto culminante do momento brasileiro: a cada momento uma revelação como a da sentença do segundo homem da hierarquia petista no Brasil, José Dirceu, a 23 anos e três meses, mais o tesoureiro João Vaccari a 9 anos, Renato Duque a 10 anos e assim por diante. Ao longo desses dois anos de operação só 3,9% das decisões de Sérgio Moro foram revisadas na instância superior. De um total de 432 pleitos de habeas corpus no STF, STJ e TRF da 4ª Região somente 17 obtiveram êxito. Entre os 52 processos analisados pelo STF apenas sete foram revertidos em favor das defesas, o que representa 13%. No STJ apenas um de 166 recursos. Em pouco mais de dois anos a força-tarefa ofereceu, na primeira instância, 42 denúncias contra 207 pessoas. Do total, 93 réus já foram condenados em 18 ações penais num total de 990 anos e sete meses de prisão.
Espera-se que, ao contrário do que se deu com as "Mãos Limpas" da Itália, não sobrevenha, depois de tanta depuração, algo dantesco do porte de Sílvio Berlusconi, o que é bem possível com a fauna que temos, incapaz de renovar-se como se deu com a Justiça ao menos nesse caso específico.
Avanço
O fato de o ex-presidente da Assembleia Nelson Justus estar sendo processado pelos desvios das fantasmices é um avanço, como o é também o acatamento da denúncia pelo relator do processo no Órgão Especial do TJ. A própria condenação do Bibinho já se constituiu num feito por causa de nossas tradições da acomodação, especialmente quando há gente da nobiliarquia envolvida ou protegidos da hierarquia política. Derrubar um governador aqui é impensável, bastando lembrar que isso só se deu no regime militar e com uma figura fora da genealogia, Leon Perez, de Maringá, mesma terra paradoxalmente de quem nos restaura a confiança na lei e na Justiça, o juiz Sérgio Moro.
Folclore
O aluno de parasitologia, colocado diante de um inseto, respondeu ao professor da cadeira que se tratava de um "borboletáceo". Apesar disso, atribuiu-lhe média mínima para passar. Passaram os anos e houve a festa de formatura dos médicos da Federal do Paraná. 0 professor Milton Carneiro não esqueceu do fato e, ao cumprimentar o novo médico e aproximar-se amavelmente do ex-discípulo, disse-lhe aos ouvidos: "Borboletáceo é a pqp".





