Retorno populista
Com a disposição do prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD), de não disputar a reeleição abre-se oportunidade para um novo ciclo populista no segundo maior polo urbano do Paraná como se deu nos períodos, dentre outros, de Antonio Belinati e Barbosa Neto. Há muito tempo não se via na história político-administrativa da cidade algo que, de certa forma, lembrava o clima gerado por Wilson Moreira de seriedade e austeridade e isso, desde a gestão de José Richa, em que aparecia com figura-chave do secretariado.
Recentemente, uma pesquisa da Multicultural mostrou que ele detinha 70,5% de confiança e assim mesmo, certamente em provável função do quadro político nacional, decidiu, ainda que apontado com pontuação à frente de Marcelo Belinati e provável vencedor em segundo turno, tirar o time e não disputar. Há um pendularismo de risco em Londrina no revezamento entre austeros (Antonio Fernandes Sobrinho, Hugo Cabral, José Hosken de Novaes, José Richa e em especial Wilson Moreira) e populistas com o eleitorado levando em conta a emoção como fator decisório e com as respostas que todos conhecem.
A cidade precisa voltar a ter papel atuante nos processos como quando provocou até uma intervenção na Globo regional com o movimento "Pés-vermelhos, mãos limpas" , liderado entre outros pelo então arcebispo Albano Cavalin, outras confissões religiosas, maçonaria, OAB, enfim uma vasta gama de representações como intervenção mediadora ainda mais com a notória visão de que boa parte dos males nacionais, revelados tanto no mensalão como no petrolão, e ainda em episódios da Publicano, envolve gente da terra, doleiros e políticos.

Formalismo
O Tribunal de Contas é peça importante do controle administrativo, mas insiste numa postura mais pedagógica do que punitiva. Ainda agora revela, oficialmente, que nas obras de mobilidade urbana da Copa do Mundo, boa parte delas inconclusas , os gastos a mais superaram os 600%. Na prefeitura da capital chegaram a 660% e no governo estadual a 620%. É claro que a função educativa é relevante como se vê nos exames dos balanços, em que se busca o caminho menos doloroso do puxão de orelha do que uma ferrada efetiva nas tais restrições sempre apontadas.
É formalidade demais e cordialidade em excesso, postura que não é adotada nos municípios, mormente os pequenos.

Carnaval
Prefeitura vai acertar com a escola de samba paulista "Nenê da Vila Matilde" um quadro sobre nossa badalada capital. Se for para mitos, como os do tempo lerneriano, tudo bem porque hoje nada há destacar como intervenção urbana (via calma é pouco e ecologia não pega bem onde se morre de leptospirose, o rato aí exaltado). Pode-se também realçar a República de Curitiba na qual Fruet tem participação pelo seu papel no mensalão. Em passado não distante, os gênios da comunicação acertaram com uma escola do primeiro grupo do Rio, aquele "Paranaoê, Paranaoá", muita badalação com os burocratas festejando e depois o resultado terrível com a queda da escola para o segundo grupo. A suruba folclórica não funcionou.

Tratoraço
Pelo jeito, a APP é mais fiscalizadora do que a oposição e descobriu que o governo Beto Richa quer restabelecer no ritual legislativo o "tratoraço" que se comprometeu a extinguir. Imagem da mediania do momento, dessa baixa expressão política de nossa terra.

Odebrecht fora
Na denúncia aceita contra o ex-senador Gin Argello e mais oito pessoas o juiz Sérgio Moro excluiu Marcelo Odebrecht e Claudio Melo Filho que negociam delações premiadas. Há a maior expectativa em torno do depoimento do ex-dono da maior empreiteira da América Latina pelo tom que dará certamente diferenciado do havido com a Andrade Gutierrez. De repente, vem o óbvio: no Brasil até em asfalto de prefeitura tem pedágio, tratando-se assim de intrincada questão cultural. Não é o dá ou desce e sim o dá ou o cai fora.

Lama
Uma operação gigante da Polícia Federal em vários estados brasileiros decorrentes do uso do dinheiro desviado como capital de giro (a nossa "Quadro Negro" poderia gerar esse tipo de investimento pela Valor) e que alcançam Maringá e Curitiba.

Folclore
O radialista Carlos Alberto Pena, o Peninha, era o plantão do aeroporto de Afonso Pena e nem precisava de pauta para identificar políticos e empresários. Era tão obstinado que ia junto com o entrevistado até a poltrona do avião. Num dia de seu aniversário a tripulação de um voo o sequestrou, amavelmente, até Foz do Iguaçu e só o trouxe volta no dia seguinte. E isso se deu no tempo dos sequestros que animavam a ditadura militar. Transmitiu tudo como se não fosse um sequestrado diferente.

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