Serraglio, o da vez
A designação do paranaense Osmar Serraglio para a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal, tida como vitória de Eduardo Cunha em seu empenho em driblar o processo ético, é mais um desafio na carreira ascensional do deputado de Umuarama. Aos que afinal levantaram suspeitas sobre o seu comportamento, fez declarações enfáticas que não poria em risco a sua biografia, como se insinua.
Serraglio teve comportamento exemplar e surpreendente pelo domínio de matéria jurídica no episódio do mensalão como relator da CPI, ao lado, é claro, de um procurador da República, Antonio Fernando de Souza, com formação jurídica no Paraná, e também do Delcídio do Amaral que a presidia. Outro que se saiu bem foi Gustavo Fruet nos embates de plenário e tudo sob a inspirada intervenção do presidente do STF, Joaquim Barbosa, que antecipou a fase gloriosa dos dias atuais do Poder Judiciário.
Não se ajusta ao seu estilo o de pau mandado como o demonstra no PMDB no comando, como sempre despótico, de Roberto Requião, razão pela qual se espera que no balanço dos valores em choque opte pela clareza e o avanço institucional e não o ajuste ao arreglo.
Curioso é o destino do presidente e do relator da CPI do mensalão, que tanto ajudou a aprimorar as nossas instituições: Delcídio do Amaral deve ser cassado e dificilmente escapará da pena máxima em plenário no processo de decoro no Senado, agravado pela delação premiada que colocou meio mundo sob investigação e agora quem fica sob o "spotlight" é o deputado paranaense como possível fiel da balança no julgamento do presidente da Câmara Federal, possível segundo nome para a sucessão presidencial com a entrada de Michel Temer, o que preocupou, sobremaneira, em reflexões abertas no STF, o ministro Teori Zavaski.

Reação tardia
O presidente da Assembleia, Ademar Traiano, só agora se tocou que deixou passar a oportunidade de processar a APP-Sindicato pelos estragos patrimoniais nos atos selvagens da depredação da Casa com a invasão que precedeu o massacre no ano passado. Esse procedimento deveria estar em pleno andamento, o que significa que a omissão predominou, já que há um alegado prejuízo de ordem superior a R$ 50 mil que poderiam ser debitados à entidade sindical.
O fato é que tanto essa declaração, fora do tempo, como a proposta de mexer nos critérios de consignações e descontos por parte do governador Beto Richa nas folhas de pagamento dos vários sindicatos de servidores, decorrem de tardias retaliações no jogo de braço permanente entre o Palácio Iguaçu e os professores, uma espécie de chegada atrasado de Barrichello. Se não houvesse tanta condescendência do governo, que jamais teve peito de descontar os dias parados no andamento da greve, como fez Geraldo Alckmin em São Paulo, não haveria tanta facilidade e, de certa forma, testaria mais fundo o poder de mobilização, que a conduz inclusive à soberba, tal a segurança e certeza de que nada de ruim acontecerá.
Brigar com professor, como corporação organizada, não é simples. Todavia, brigar com aluno, como se dá em São Paulo, agora com invasão também do Legislativo, pode ser bem pior.

Uma tragédia
De repente se capta como são péssimas as condições de salubridade de Paranaguá: 10% de sua população, de 140 mil habitantes, contraiu a dengue. O pior é que isso é histórico, pois em passado remoto a cidade foi dizimada por uma epidemia de cólera morbus.

Incompetência
O Atlético Paranaense, há muito tempo, cultiva o sonho da exploração intensiva do conceito de estádio múltiplo. Evidente que tem todas as condições para isso com a moderna arena, uma das poucas com cobertura no mundo, desde que domine a logística do setor articulada a outros centros para atrair espetáculos como a Ópera de Pequim, circos internacionais e shows de bandas, bem como espetáculos como o que promoverá de MMA, aguardado como o máximo sucesso. Mas quem transforma em tumulto e frustração a simples venda de 4 mil ingressos não é bem um exemplo de eficiência e gerenciamento.

Folclore
Em 1961 a tentativa de impedir a posse de Jango teve suas especificidades aqui em Curitiba: o prefeito da capital, o general Iberê de Matos, reproduziu, na medida do possível, as ações de Leonel Brizola com a sua Rádio da Legalidade no Palácio Piratini: quase se tentou um armamento da população (em Porto Alegre ele foi real e a causa de uma ruptura com a instituição militar) e houve coisas incríveis como o apoio de batalhões dos CTGs (Centros de Tradição Gaúcha) devidamente pilchados. Bonito, cívico, mais bombacha do que bomba nos desfiles e comícios. Ironia: na eleição em 1962 Iberê não pegou, apesar de toda exposição, nem a oitava suplência do PTB para deputado estadual. Nem sempre o teatro de luta é o suficiente na cuca do eleitor. Iberê, grande figura, não merecia isso como o segundo (e bom) prefeito eleito da capital.

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