Por que não o PSDB?
Como sempre os acuados, tal qual se dá com o PT e ex-aliados, nada cometeram de errado e tanto que suas prestações de contas à Justiça Eleitoral foram devidamente aprovadas. Pois agora uma inflexão na Lava Jato, decorrente da delação do senador Delcídio do Amaral, pega o senador Aécio Neves e ocorreu no governo FHC com recepção de propina de Furnas e de maquiagem de dados do Banco Rural. Esse corpo fechado dos tucanos já estava irritando, tanto que os supostos desvios de trens e metrôs, com envolvimento de transnacionais, jamais prosperou, no governo paulista há tempos sob o domínio do partido.
Houve, é claro, o caso menor, mas também alvo de investigação do STJ, em que o governador Beto Richa é acusado de a sua campanha de reeleição ter recebido grana espúria da afanação de fiscais estaduais junto a contribuintes. Obviamente, como o PT, o PSDB insiste que as suas contas foram aprovadas tanto no TRE quanto no TSE. Já a maquiagem de dados bancários é ligada ao mensalão mineiro, afinal precursor do outro, que pegaria o time de Lula, Zé Dirceu e tantos outros, que beneficiou o tucano Azeredo e que já foi condenado em primeiro grau.
Uma das queixas mais frequentes de Dilma Rousseff sobre vazamentos é que eles tinha uma característica: eram seletivos. Poderia ter ampliado dizendo que também os enquadramentos eram rigorosamente seletivos, mas isso, pelo jeito, está mudando, tanto que procedimento igual contra Aécio Neves em 2015 havia sido arquivado por Rodrigo Janot, procurador-geral da República, e que decidiu reavaliá-lo depois da delação de Delcídio, seu colega na Câmara Alta. O ex-candidato presidencial terá que depor em noventa dias.
Tem mais: Janot vai pedir investigação de Dilma Rousseff e seu antecessor, Lula, sob acusação de tentarem impedir o andamento normal da Lava Jato. É importante marcar essa linha para que o triunfalismo da união nacional com Michel Temer, já com vários ministros indicados sob investigação, não exija como fator da restauração nacional e da nova era justamente aquilo que desde o início se tentou: "melar" todo o processo judicial, o que faz parte de campanha, cujo ponto alto foi o manifesto de 104 criminalistas inconformados e derrotados pela categoria que não os apoiou, o que retira consistência do documento a despeito da alaúza que provocou nacionalmente.
Um dos aspectos mais lastimáveis é a circunstância de não andar o procedimento contra a dupla Dilma-Temer, já devidamente enquadrada, e a desenvoltura com que age Eduardo Cunha, presidente da Câmara, inúmeras vezes denunciado, que bloqueia a Comissão Ética que o examina interna corporis, e teve o topete de tocar todo o processo do impeachment e ainda manter-se na linha sucessória para assumir hipoteticamente a Presidência, o que soa anedótico, todavia que agora começa a ser olhado pelo STF, graças a Teori Zavaski .

Ilhados
Mais uma vez moradores das cercanias da Arena da Baixada, tal como se deu na Copa, vão ter que ser cadastrados para o exercício elementar do direito de ir e vir. Embora eventos como o do MMA e a Copa sejam raros não poucos moradores estão pensando em deixar o lugar por não aguentarem a aporrinhação que lembra tempo de guerra.

Camargo sobra?
A decisão do Órgão Especial (14 a 8) do Tribunal de Justiça contra Fabio Camargo como conselheiro do Tribunal de Contas, ainda que não definitiva, já que o prejudicado pode recorrer, faz lembrar que houve perplexidade e indecisões no caso de Maurício Requião até agora sem solução. O TJ achou normal, enquanto Requião governava, a investidura de Maurício que depois reviu quando o governante era outro e emplacou um seu auxiliar naquela Corte de Contas. A designação de Fábio chegou a ser levada ao Conselho Nacional de Justiça em meio a suposições de interferência do pai do candidato, então presidente do TJ, Clayton Camargo, que havia favorecido o governo Beto Richa com o Caixa Único e o acesso aos depósitos judiciais. Tais suposições não tinham fundamento, já que o ritual da escolha foi o mesmo de sempre com a subserviência costumeira dos deputados, aquela acentuada na crise de abril do ano passado quando eles transformaram o camburão militar numa espécie de confessionário religioso de sua fidelidade irrestrita ao Palácio Iguaçu.

Folclore
O professor Lemos foi à tribuna para negar que a sua APP-Sindicato tenha cometido a insolência daquela carta fecal aos seus colegas. Pegaria mal como pedagogia, pois aluno com nota vermelha poderia se achar com o direito de fazer o mesmo com a mestra. Uma anedota da época do regime militar se refere a um fato semelhante e que o alvo da mensagem teria dado a resposta: "Não entendi a homenagem e a razão pela qual você me mandou um guardanapo com seus lábios e a marca de batom!".

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