LUIZ GERALDO MAZZA
Folgas da província
Criou-se muita expectativa em torno de que as punições pelos desvios da Assembleia Estadual transbordassem o espaço delimitado pelas sanções ao Michel Abib ("Bibinho"), que desde os tempos de Aníbal Curi, era o homem-chave da Casa. Alcançá-lo, dado o círculo de proteção, já foi um avanço extraordinário. Mas sempre restou surpreendente que apenas sobre ele recaísse o peso maior das denúncias como se possível fosse aceitar que um mero diretor geral se sobrepusesse à Comissão Executiva, as várias enfim que atuaram no período em que deitou e rolou, conforme o posicionamento judicial.
Somente agora se faz o julgamento de um dos presidentes da Assembleia, Nelson Justus, até aqui beneficiado e ao longo de qualquer exame condenatório. Há de concluir-se que não deixa de ser um avanço qualquer prosperidade de processo judicial, tanto no caso do Bibinho como de seus superiores hierárquicos como Nelson Justus e Alexandre Curi e outros que exerceram, ao longo daquele período, funções equivalentes.
Há uma estrutura nos estados-membros bem mais forte do que a federal para esse tipo de procedimento: inimaginável no Maranhão sortidas judiciais contra os Sarney, da mesma forma que voltadas a Renan Calheiros em Alagoas ou quaisquer dos coronéis desse Brasil moderno que se associou a Michel Temer para a esperada salvação nacional, inclusive os do Paraná que nada tem de diferenciado, a despeito da modernidade de sua economia, no que concerne a essas amarras feudais.
Há um processo no Tribunal de Contas sobre o caso dos desvios nas verbas escolares e que envolve a empresa Valor que sacava faturas antes da conclusão das obras. É a Operação "Quadro Negro", mais um feito do Gaeco, e surpreende o fato de aquela Corte haver designado como relator da matéria o conselheiro Durval Amaral, referido na denúncia como beneficiário das operações juntamente com o presidente da Assembleia, Ademar Traiano.
As pessoas aqui agem com uma desenvoltura, mesmo em questões como essa de clara incompatibilidade como se gravitassem acima de qualquer suspeição. Não surpreenderia que o fundamento da suspeição fosse ignorado na hipótese de o Tribunal de Contas examinar uma possível irregularidade na licitação do sistema de transporte coletivo de Curitiba, na gestão de Beto Richa, quando o atual presidente da Corte, Ivan Bonilha, funcionou como orientador de todo processo na condição de Procurador do Município. São fragilidades decorrentes da sociedade cartorial, dos enlaces parenterais e políticos que a configuram, e que criam imunidades não apenas políticas e até institucionais para proteger interesses, muitos deles claramente oligárquicos.
Prisão
A Justiça Federal autorizou a transferência do marqueteiro João Santana e de sua mulher, Mônica Moura, bem como do ex-senador Gim Argelo e do empresário Ronan Maria Pinto para o complexo penal.
Alerta
O Detran registrou, neste ano, um aumento de 16% na infração de fila dupla, o que decorre da saturação circulatória e do acanhamento da pista de rolamento. Curitiba não é modelo nisso, como tantas vezes se afirmou, como também não é ecológica face a má solução do lixo e o fato de ocuparmos destaque em anomalias como a leptospirose.
Sem laranjice
O Sindijus, que representa os judiciários, tem uma tradição incontestável de autonomia por vezes demonstrada em choques com a cúpula do Poder. Mas ontem eles foram mobilizados ao Legislativo Estadual para mostrar que serão severamente punidos em número de cargos e ainda em salários se prevalecer o corte, desejado por Beto Richa, no orçamento. Tal mediação facilita um trabalho de menos choque e mais diplomacia entre o Judiciário e o Executivo. Esse caso vai ser um teste na determinação do governador, certamente inspirada por Mauro Ricardo Costa, seu xerife fiscal.
Enrolado
O governo paranaense tem várias broncas no STJ, além daquela em que Beto Richa é alvo de investigação. Há outros processos em segredo de Justiça como o caso de figuras que teriam recebido propinas de empreiteiras da Lava Jato para favorecê-las na montagem de centros logísticos regionais. Aqui, como tenho dito, é difícil prosperar a devassa a não ser que se trate da marca de cerveja ou de garota de programa a serviço de políticos, como as de Londrina.
Folclore
O empresário Luis Groff, em defesa de menor taxação do vinho, perdeu a paciência com o secretário da Fazenda quando ele chamou a reivindicação de desprezível, respondendo que abusivo é o jabá do Mauro Ricardo Costa que alcançaria mais de R$ 100 mil dos vários conselhos em que recebe reforço salarial. Parece mais discussão de cachaça, opção menos nobre, do que de vinho.





