Luiz Geraldo Mazza
Uma presença forte
Já nos temos referido aos momentos de presença forte do Paraná nas crises nacionais, a maior delas na Revolução Federalista no registro épico do Cerco da Lapa. Dias passados fizemos referência aos idos de 1955 e do impedimento de Carlos Luz para assumir a presidência em que figuraram com destaque dois ministros da terra, Munhoz da Rocha e seu cunhado, Aramis Athayde, respectivamente da Agricultura e da Saúde e que navegaram em protesto no Tamandaré pela baia de Guanabara.
Bento Munhoz da Rocha recuperou essa presença ministerial de paranaenses que seu cunhado (primeiro matrimônio) Ney Braga alavancaria mais ainda, primeiro com a ida de Flavio Suplicy de Lacerda para a Educação, na arrancada da intervenção militar, e seguida da sua própria para a Agricultura (ocupada sob Costa e Silva pelo palmeirense Ivo Arzua Pereira) e também para a Educação em que seria sucedido por outro da terra, Euro Brandão. É desse ciclo que passamos a emplacar figuras como Borges da Silveira, Alceni Guerra, Euclides Scalco e o mais relevante de todos, Karlos Rischbieter. Mesmo sob o lulopetismo tivemos Gleisi Hoffmann, Paulo Bernardo e Gilberto Carvalho, este um dos mais próximos do ex- presidente.
Nos dois lados
Na crise atual, desde o mensalão, tivemos gente nossa em destaque tanto de um lado como de outro: o doleiro Yousseff (que já arrebentara a boca do balão na CC5-Banestado sob Lerner), o articuladíssimo José Janene, uma espécie de comando dos chunchos; Osmar Serraglio como relator da CPI, Gustavo Fruet nos entreveros de plenário e, sobretudo, o juiz Sérgio Moro e a força tarefa de policiais federais e procuradores que timbraram a República de Curitiba, caricaturada por Lula e exaltada pela maioria dos brasileiros e organismos internacionais. Papel relevante teve o então Procurador da República, Antonio Luis de Souza, cuja formação jurídica se deu na terra. Na lista de acusados também há expressivo número de paranaenses, o que derruba um dos arquétipos da praça sobre a nossa proclamada timidez e introversão em ambas as situações.
Uma presença constante, mas não tanto no mensalão, o senador Alvaro Dias fez pelo seu então partido aquilo que a maioria se recusava fazer: equilibrar-se no muro para não tomar posições claras de ataque ao governo. E essa constante fez do senador paranaense uma figura dominante nos noticiários de televisão. A autofagia, outra vertente nossa, decorrente da insipidez do modo de fazer política dos tucanos, o isolou de tal maneira no partido que não teve outra alternativa que não a de mudar de legenda, consolidando-se sua mediania também revelada em sua baixa expressão nacional, caso do nosso governador que apesar da força econômica do Paraná pouco faz para torná-la simétrica na sua representação política ao contrário do que conseguia como o mais credenciado prefeito de capital do país.
Hora da transição
Agora com a perspectiva de um governo Michel Temer cogita-se de levar Ricardo Barros, o chefe da oligarquia maringaense (sua esposa, Cida Borghetti, vai assumir o governo e também possivelmente candidatar-se à reeleição) ao ministério da Saúde para o qual fora cogitado num esquema de salvação de Dilma Rousseff. Essa versatilidade evidenciada na condição de vice-líder tanto de Fernando Henrique como de Lula e Dilma destaca um estilo forte e densamente pragmático e também em tarefas como as que ousadamente exerceu como relator da Lei de Meios em que teve o peito de mostrar abusos inclusive do tal Bolsa Família com um corte de 10 bilhões. Essa é tarefa para poucos num país populista e viciado como o nosso.
Já na defesa do governo teremos a senadora Gleisi Hoffmann e possivelmente, isso em turbulências de plenário de Roberto Requião, se é que não for convencido como o seu sobrinho, João Arruda, que visivelmente constrangido apoiou o impeachment.
Folclore
Há coisas que só na província acontecem: o relator do caso escabroso dos desvios de grana das construções escolares da operação "Quadro Negro" do Gaeco, já na área criminal, envolvendo a empresa Valor tem como relator o conselheiro Durval Amaral que é citado no processo como um dos beneficiários, juntamente com um dos seus familiares. Quando relatou as contas do governo Beto Richa, no qual tinha servido como Chefe da Casa Civil, foi questionado por essa circunstância, por um dos seus colegas, de que deveria declarar a sua incompatibilidade, o que não fez com apoio de esmagadora maioria. Agora parece que o conflito é severamente maior.





