LUIZ GERALDO MAZZA
Impunidade na República
Importante a celebração do massacre ontem que atraiu até um prêmio Nobel da Paz, o argentino Esquivel, para abrilhantá-la e conferir-lhe dimensão mundial. Ela se ajusta ao ciclo mundial do terrorismo, entre outros do Exército Islâmico, no universo conturbado e pela específica circunstância de ser de cima para baixo, do poder contra a população de professores e estudantes. E ela ganhou capilaridade sendo festivamente comemorada em várias cidades paranaenses.
Há quem ache exagerado compará-la a ocorrências mundiais, como fez o presidente da APP, Hermes Leão, como a bomba sobre Hiroshima e Nagasaki, o atentado suicida contra as torres gêmeas, esquecendo-se que o exagero é um instrumento didático extraído da realidade ou da ficção bíblica como a luta entre Davi e Golias decidida por um fundamento ético-religioso ou a intervenção da graça divina. O exagero é uma necessidade ainda mais quando trata de brutal covardia como a exercida pelo governo Beto Richa e seus comandos da segurança na evidente desproporcionalidade entre manifestantes e repressores. Da mesma forma, o massacre é uma expressão ajustada a algo que foi comparado à tela épica de Picasso na Guerra Civil espanhola no transbordamento estético do ataque aéreo a Guernica. Quando o governador afirma que a situação fiscal está resolvida também exagera, pois não estão pagando promoções e progressões em numerosos setores do funcionalismo estadual, jogando para o Judiciário ações singelas que se transformarão em precatórios.
Pois apesar de estarmos na República de Curitiba, e nele envolvidos os ministérios públicos da União e do Estado, até agora, afora uma ação de improbidade, nada prosperou no campo criminal e até por isso indispensável se torna todo o aparato celebratório e a respectiva cobrança contra a impunidade e as acomodações de ordem política que visam jogar tudo no esquecimento, como é tradição da aldeia que exceções como a "Publicano" e a "Quadro Negro" se prestam para confirmar a regra.
Não tem cabimento a analogia que se faz com as bombas de efeito moral, também contra os professores em 1988, governo Alvaro Dias, em que tudo se deu devido à ação de radicais que intentaram invadir o Palácio Iguaçu e a ação dissuasória da PM não poderia ser outra. Alvaro pagou uma penitência pesada em sua carreira por um motivo menos grave e é justíssimo que se faça algo parecido com Beto Richa para que expie seus pecados como o seu clássico antecessor histórico e até, dias atrás, seu correligionário,
Sutileza
Dilma Rousseff pretende deixar alguns abacaxis como herança para Michel Temer: não pretende facilitar conhecimento, em papéis e documentos, sobre a situação estatal e os programas em desenvolvimento; estuda, ainda, nomear muita gente e beneficiá-los com a quarentena, mas quer retirar o projeto de lei 257, o do aperto fiscal sustentável, que prevê congelamento por dois anos de salários de servidores públicos dos três níveis de governo. Isso enfurecerá a CUT que abriga o maior número de trabalhadores públicos como a APP aqui.
Paralisia
Apesar da expressão das manifestações na capital, animada pelos "Detonautas", um censo acusou que 45 educandários fecharam, 32 parcialmente e 23 operaram normalmente. Há um setor do governo interessado em cobrar o dia parado, afinal mostrar algo que nunca fez e que é nutriente da própria APP, já que numa greve houver tal cobrança o sindicato vai lembrar aquilo que Mao-Tse-Tung chamou o capitalismo "um tigre de papel".
Eficiência
Operações recentes da polícia paranaense prenderam 115 pessoas entre as quais aquela gangue que fraudava o DPVAT valendo-se de funerárias. Um registro desses restabelece no cidadão o perdido sentimento de segurança. Ainda deficiente em termos de efetivo tanto a PM quando a Polícia Civil se esforçam para superar as contingências.
Lava Jato
Apanhados pelas 23ª e 26ª fases da Lava Jato o marqueteiro João Santana e a mulher Mônica Moura tiveram a denúncia acatada por Sérgio Moro. Dificilmente escapam, ainda que o advogado de Mônica tenha negado que ela esteja negociando delação, como foi divulgado.
Folclore
A impunidade é tão alastrada no Brasil que vivemos o ciclo virtuoso da punição como nunca e com chio apenas de um segmento de advogados criminalistas. O mais absurdo é pretenderem que promotores não exerçam, à exaustão, a função punitiva e de denúncia. Mesmo os que lembrarem o Inspetor Javert de Victor Hugo, por sua obstinação, estarão cumprindo seu papel.





