O alerta do Ibope
A opinião pública é menos interessada no impeachment (8%) do que no afastamento da presidente Dilma que é abertamente contra (25%) e sua posição sobre a quadra nacional é pela reprovação da chapa eleita (66%). É a mais recente sondagem do Ibope que não foi levada em conta pelos triunfalistas que celebram com fúria salvacionista a entronização de Michel Temer como imperativo da restauração de uma suposta união nacional.
Percebe-se nessa melhora de posição da presidente Dilma Rousseff que, mais uma vez, o vitimalismo está funcionando: à medida que avança formalmente, agora no Senado, o ritual do impedimento capta-se uma espécie de sentimento de culpa que alcança setores da população pela violência do remédio aplicado e pela clareza da armação de oportunistas, partidos ou entidades do empresariado, em se aproveitarem do quadro de circunstâncias deflagrado em especial pelo presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, que não permite a evolução do processo ético a que responde, mas não hesita em transformar-se no operador-chave de um impedimento presidencial, absurdo esse inaceitável.
Em 1954 o presidente Getúlio Vargas, acuado pela campanha contra o financiamento do jornal "Última Hora", que foi criado para defendê-lo já que toda a mídia (Estadão, Globo, JB, Correio da Manhã, Diário Carioca, Folha de S.Paulo, etc.) o combatia a pretexto da defesa da "livre empresa" e oposta às estatais, e essa mobilização cresceu com o atentado contra o jornalista Carlos Lacerda e no qual morreu o major Rubens Vaz atribuído à sua guarda presidencial e que, por sua vez, gerou o IPM da Aeronáutica no qual havia o escopo de enquadrá-lo e humilhá-lo. Com o suicídio, muitos que na véspera apoiavam o cerco ao presidente se sentiram com uma espécie de culpa por sua morte e também saíram às ruas para a loucura que se instalou com a catarse da solidariedade ao homem e ao seu martírio.
Pode estar ocorrendo algo parecido agora com a consumação do impeachment na Câmara Alta, ainda que um certo tom de arrogância e até de autossuficiência em nada favoreça à personagem alvo da perseguição. Favorece-a ainda a perspectiva de poder ser absolvida no STF como se deu com outro cassado, Fernando Collor, por não estarem nítidos os embasamentos jurídicos como se dava com Vargas, mas fundamentados na crise sem precedentes que o país atravessa como nau à deriva, o que opera como fator de unidade da Fiesp e congêneres da vida vendo aí a perspectiva de um respiro e de possível superação com a mudança institucional.
Aos que não admitem sequer que ela exerça o direito de espernear, o que não lhe pode ser negado em qualquer hipótese, só falta exigirem que em nome dos superiores interesses nacionais assista a tudo sem qualquer reação, especialmente manifestações de massa como estão ocorrendo e possivelmente se intensificarão.

Ofensiva
O Ministério Público Federal, alvo de queixas como a representação contra um deles (Carlos Fernando dos Santos Lima no Conselho do Ministério Público) por suspeição no enquadramento de Lula, está sempre ativo e ontem renovou pacote de denúncias contra empreiteiras, dentre elas a Odebrecht, na Lava Jato.

Gripe
A influenza H1N1 registrou mais três mortes no Paraná. O total até agora é de oito, razão pela qual as pressões por vacinação imediata aumentam.

TRT para
Mexidas no orçamento, em meio à grave crise econômica retroalimentada pela de natureza política, botam várias dependências do governo da União sob ameaça de paralisia. Dentre elas o nosso Tribunal Regional do Trabalho que prospecta, por falta de verbas de custeio, uma parada radical ainda em outubro.

Folclore
Além das sistemáticas cobranças de empreiteiras, prestadoras de serviço como o caso da Cavo e do Instituto Curitiba de Informática (por sinal que vereadores decidiram acertadamente montar uma CPI para desvendar seus mistérios), e atrasos de pagamentos como os que geraram a greve da Urbs e da Setran agora se soma a tudo isso a falta de iluminação dos parques públicos de Curitiba. De meia prefeitura, de repente, chegaremos a um terço, no mínimo para rezar.

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