LUIZ GERALDO MAZZA
Agenda neutralizadora
Em andamento uma agenda positiva de Beto Richa para abrandar as manifestações de amanhã para celebrar o massacre dos sindicalistas no Centro Cívico: aprovação a toque de caixa do maior salário mínimo regional do Brasil e discursos sequenciais do contraditório líder Luiz Claudio Romanelli, contrário ao impeachment de Dilma Rousseff, mas enunciando que os nossos trabalhadores públicos tiveram 14% de aumento e que estão longe das aflições de seus colegas de outras unidades federativas.
A celebração do massacre é uma imposição de consciência e soa como em passado recente o "tortura nunca mais", questão moralmente inegociável. Já a sua acoplagem a um programa de hostilidade ao impeachment é discutível porque mexe também com uma questão de convicção mais profunda e que fica bem visível no fato de a APP Sindicato não ter, em função da heterogeneidade de sua composição político-ideológica, representatividade para o emprego abusivo em algo que não é consenso nem entre professores muito menos na própria comunidade brasileira. Da mesma forma que prefeitos e vereadores petistas, em face das revelações sobre a corrupção sistêmica, deixam o partido também muitos sindicatos se afastam da CUT, braço sindical de tudo isso aí que está sendo devassado.
Se o professorado fosse petista, obviamente, a sua expressão parlamentar, em decadência, estaria melhor posicionada tanto em número de deputados como de vereadores. E essa condicionante é que coloca como inadequado o aproveitamento de manifestação massiva justa, o repúdio à violência fascista, para o fato político, ainda que relevante, do impeachment, ora uma aspiração, correta ou errada, da maioria esmagadora dos brasileiros. A vanguarda sindical ainda no Brasil é das direções, jamais das bases claramente manipuladas, e repetem hoje os mesmos erros do passado, embora tidas supostamente como modernizadas, apegadas ao receituário de apoio fiscal e do trambolho trabalhista e previdenciário, olhado sempre como intocável. Tanto como a intangibilidade da Petrobras destruída pelo oportunismo das ratazanas, bem melhor definidas como metáfora do que as raposas.
A tentativa de neutralização nasce derrotada, resta que se ponha mais humor do que amargor nas celebrações justíssimas para tatuar o governo para sempre, per omnia secularum.
Choque anafilático
Tanto a Faep quanto a Fiep, com pontos de vista adversos na questão do pedágio, concordam que o choque anafilático do salário mínimo regional não foi devidamente levado em conta pelo estafe de Beto Richa: em função do quadro recessivo haverá desemprego até pela notória ausência de alternativas para o empresariado que assumirá tal ônus.
Pela vacina
A União Geral dos Trabalhadores, UGT, entrou com ação na Justiça Federal exigindo vacinação contra a gripe para tantos que é ilustrada por um parecer da Associação Médica do Paraná em favor da universalização do procedimento. Como se vê, há outros fronts para lutar e não me venham com o primarismo de chamá-los de "reacionários". Gripe tem ideologia, é listável como de direita ou de esquerda?
Barata na sopa
A barata na sopa da prorrogação dos contratos de pedágio é a frente parlamentar, até agora com 19 deputados fechados com a causa, comandada por Ademir Bier que já viu que esse campo de luta é mais apropriado do que o das CPIs inócuas, como já se tentou. O governo tenta retomar algumas dessas adesões para o seu único programa efetivo de ação visível no negócio das rodovias.
Hipotermia
Em Pinhais um morador de rua, mal agasalhado, morreu de hipotermia. Haverá mais entre os milhares dos existentes na capital, ainda que a população esteja dando apoio com roupas, colchões e cobertores.
Odebrecht
Quase Marcelo Odebrecht leva a melhor com habeas corpus na segunda turma do STF: 3 a 2 pela manutenção da cana sob o fundamento de que livre poderia, dada a sua liderança, destruir provas: dois ex-executivos ficam em prisão domiciliar e de tornozeleira.
Greves
A Prefeitura de Curitiba prometeu ir à Justiça contra a greve da Urbs e da Diretran: se tiver medida favorável deve fugir ao populismo barato da moda, que dá tanta força aos líderes sindicais, de não cobrar os dias parados e puni-los como paradigma com os descontos. De leve só para acabar com a moleza habitual. Luta sindical verdadeira é a enfrentada, não a de acerto. Seria uma lição para Beto Richa em suas disputas com a APP e que a levam à soberba.





