Política Atualizado em 23/04/2016, 23:00
LUIZ GERALDO MAZZA
Nem sempre os movimentos nacionais encontram paranaenses em posição de destaque: o maior deles ainda é o da Revolução Federalista na resistência da Lapa, uma espécie de consagração geográfica na contenção das forças de Gumercindo Saraiva, na qual tivemos, por uma dessas ironias da história, o martírio do Barão do Cerro Azul. Em 1964, por força da aproximação que tivera com Jango (que permitiu entre outras coisas a pacificação das terras no Oeste-Sudoeste) a posição de Ney Braga não era tão consagrada entre os conspiradores e tanto que a chamada linha dura se opunha a ele de forma radical. Na verdade Ney virou a principal referência da terra para os "pombos" como Castelo Branco e Geisel.
No momento atual houve uma espécie de protagonismo induzido e numericamente houve dissipação, o que não ocorreu com o mensalão em que do Procurador Geral da República, cuja carreira jurídica se desenvolveu aqui, ao relator Osmar Serraglio, com excepcional domínio de matéria jurídica, e ao deputado Gustavo Fruet nos embates parlamentares. Já no andamento da Lava Jato a figura exponencial é da terra, o juiz Sérgio Moro, e a equipe bem treinada da Polícia Federal e do Ministério Público. Esse tipo de atuação abre perspectiva para uma limpa geral em nosso hábitos culturais garantido pela impunidade e a força dos acertos políticos.
Não se trata, como alguns açodadamente colocaram, de um surto de moralismo como aqueles que eram capitaneados pela extinta UDN, de cujo partido tivemos um governador, imposto pelo regime militar, Haroldo Leon Perez, que foi obrigado a renunciar por tentativa de extorsão do empreiteiro Cecílio do Rego Almeida. Em termos de ação contínua e pelos feitos obtidos como a prisão dos maiores empreiteiros das Américas e também com o fluxo das delações premiadas, a Lava Jato é a principal arremetida até hoje, no País, contra os poderosos em aliança com o poder público e também a maior revelação do contubérnio governo-estatais e que põe abaixo a choradeira dos delinquentes de que não se respeita o princípio da presunção de inocência quando diante da frequência dessas alianças em nossa história fica mais do que claro que nessas relações tão sórdidas não há outra coisa a presumir do que o atestado de culpa.
De outro lado, tanto no mensalão como no petrolão, o envolvimento de gente nossa colocada no polo oposto da denúncia, revela, como já disse diversas vezes, que de tímidos nada temos, pois tanto num processo como no outro aparecemos com destaque. E isso vem de longe porque tanto o doleiro Youssef como o juiz Sérgio Moro aparecem no escândalo da Banestado-CC5 de dimensões internacionais no governo Lerner. Estamos também dos dois lados agora no andamento do impeachment que será retomado amanhã pelo Senado. Perdemos por certo a timidez e também melhoramos em mediania.
A atuação comum dos Ministérios Públicos Federal e Estadual na ação civil pública de condenação das parcerias público-privadas em Foz do Iguaçu principalmente na área de saúde repete o que vem ocorrendo de forma sistemática em municípios do oeste, onde também foram feitas inúmeras prisões. Negar, não perceber que há um novo clima no Brasil é, diante de tantos exemplos, impossível.
Haja vista para as ações inéditas contra governos estaduais na província como o gravíssimo escândalo de quadrilhas fiscais na Publicano e dos desvios nas construções escolares da "Quadro Negro". O clima é nacional como se vê no enquadramento do banqueiro Joseph Safra em decorrência da operação Zelotes que investiga um propinoduto no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ) e também os desvios do Eletrolão no qual a Polícia Federal pede o fatiamento do inquérito de Angra 3 e que apura o envolvimento dos senadores Renan, Lobão e Romero Jucá. É, como se vê, muito peixe graúdo na rede, ao que o Brasil sabidamente não está acostumado.
Em função de tudo isso há o peso maior da denúncia, tal a forma como nos habituáramos ao silêncio e a omissão. Além disso há uma geração nova nas funções de polícia judiciária e nos quadros da magistratura e que desligada da cultura permissiva gera essa ofensiva. Por isso mesmo o momento não favorece a defesa, daí a melancolia da precariedade de argumentos dos maiores criminalistas brasileiras. Um deles, Marcio Tomaz Bastos, foi um dos derrotados do mensalão, mas teve papel importante como ministro da Justiça no equipamento e também no alargamento dos níveis de autonomia da Polícia Federal.
As recentes ocorrências do Rio e São Paulo, aquele mais relevante por se tratar de ciclovia inaugurada há três meses para as Olimpíadas, reclamam dos órgãos de controle do exercício profissional, maior presença nos questionamentos. Casos como os do viaduto de Minas, do elevado do Rio e mais, o histórico da Gameleira de Minas Gerais reclamam essa cautela, razão pela qual o caso menor do viaduto com fissuras no norte, da mesma forma que o ocorrido, anos atrás, com o viaduto do Capanema em Curitiba devem ser lembrados como ainda do prédio que desabou em Guaratuba e ironicamente os proprietários dos apartamentos destruídos continuavam a receber cobrança de IPTU por parte da municipalidade.





