LUIZ GERALDO MAZZA
O pior julgamento
Não há julgamento mais seguro do que o da cidade natal pelas raízes afetivas e sociais que estabelece, razão pela qual os políticos veem nesse indicador algo definitivo. A revelação de que Beto Richa em Londrina, sua cidade, conta com uma confiança negativa de 79% e isso, em meio mandato, depois de esmagar seus adversários em primeiro turno numa reeleição, revela a profundidade do desgaste com a péssima gestão acoplada a múltiplos atos de improbidade, muitos deles tendo como núcleo essencial a região, como se capta nos julgamentos da Publicano. É verdade que grande parte dessa contrariedade decorre do desgaste da quebra fiscal do governo e das medidas de correção, um purgativo que atingiu a totalidade da população por força do garrote vil nos tributos, ICMS entre eles e IPVA.
Como não há no horizonte mais imediato intervenções que eventualmente recoloquem o governo como motor de investimentos, notadamente na região que objetivamente vem perdendo posições na emulação com Maringá (essa, por sinal, beneficiada pelas ações que partem do aliado-chave Ricardo Barros como seu secretário e que está para retornar agora ao posto de Planejamento) e nem anda, por motivação técnica, o viaduto-símbolo da PR-445, alvo de perícias e questões judiciais, sem falar nas restrições corporativas dos engenheiros, tal situação tende a agravar-se no que diz respeito à influência que possa ter na disputa eleitoral quer do município, quer do entorno metropolitano, capaz de efeitos de médio prazo como o de dificultar a sua demanda senatorial, ainda que a pobreza de quadros o favoreça.
Já na eleição municipal passada, também polarizada, a vitória de Alexandre Kireeff, contra o candidato que apoiava, foi a segunda das suas derrotas por dar-se na cidade natal e segundo polo urbano do Paraná, já que a primeira, sem dúvida, foi a acachapante conquista de Gustavo Fruet, que quase foi à segunda época no primeiro turno, sobre seu secretário-chave e possível postulante à sua sucessão, o Ratinho Júnior, na capital.
O capital acumulado com as reeleições na Prefeitura de Curitiba e no governo estadual sinalizam um quadro de descenso de difícil reversão ainda que o governo insista em afirmar que o Paraná será outro após o ajuste fiscal, especialmente com os R$ 8 bilhões prometidos de investimentos, a maior parte por obra e graça das estatais.
De outro lado, terá que definir-se por uma das candidaturas internas ao governo para 2018 com Cida Borghetti, que assumirá o governo, e que certamente conta com o apoio forte do marido, e Ratinho Júnior, ora vitaminado por seu ingresso no PSD e que conta ainda com o respaldo da sua antiga legenda, o PSC. Há mais, portanto, do que um viaduto fissurado em seu caminho. Melhor, bem melhor, aquela mágica pedra do poema de Drummond.
Trapalhada
Mais uma trapalhada da polícia: o retrato falado do suposto autor de violência sexual contra uma jovem foi equivocado. É verdade que arte do retrato falado, relevante na investigação criminal, é um indicador reduzido à geometria, ainda por cima multifacetada.
Sabia
Tanto no mensalão como no petrolão a versão era de que Lula nada sabia. Pois agora numa das etapas da Lava Jato, caso do Banco Schain, veio o informe de que tanto ele, ex-presidente, quanto o tesoureiro Vaccari sabiam da operação.
Quentíssima
Pela recente pesquisa de opinião da Multicultural, aquela que cravou os 79% de não confiança de Beto Richa em Londrina, o pleito local irá para segundo turno entre Alexandre Kireeff e Marcelo Belinati quase empatado, 33% a 30%. Em novembro de 2015, Kireeff estava com 32,8% e Belinati à frente com 36,4%. Eleição plebiscitária, prevê o instituto Multicultural.
Aquecimento
Ontem houve movimentação de "legalistas" contra o impeachment no sentido de aquecer a militância para as demonstrações durante a votação de domingo. O fechamento do comércio anteontem não teve a adesão imaginada pela Associação Comercial e, certamente, haveria menos nessa crise que se sugerisse fechamento de supermercados no dia da votação, já que isso seria um sacrifício como o do jejum religioso já que ninguém se disporia a abrir mão de faturamento num momento de vacas magras à exceção daquelas que posam e enfeitam a feira de Londrina.





