Imitando Brizola
A presidente Dilma Rousseff transformou o Palácio Alvorada em trincheira de luta da mesma forma que Brizola, em 1961, pós-renúncia de Jânio, com o Palácio Piratini que teria sido até ameaçado de bombardeios o que não detinha o gaúcho em suas pregações pela rede de rádios da chamada Legalidade. É claro que a vitória naquele caso foi facilitada pelo comandante do 3º Exército, Machado Lopes, que temendo uma guerra civil diante da mobilização da brigada rio-grandense, ajudou a promover o entendimento que permitiu a posse de Jango com aquelas limitações do parlamentarismo.
Quanto mais se degrada o quadro em desfavor do governo, maior é a capacidade de reação de Dilma que obviamente se tornaria mais densa com Lula ao seu lado e não nas pregações de rua com seus correligionários. E essa postura, tanto em decalcar Brizola como em permanecer ativa, tem como metáfora maior força de que há um golpe em andamento do que no mero emprego do teaser e das faixas que o denunciam.
Como Brizola teve vitória transitória, já que a intervenção viria fatalmente em 1964, apenas três anos depois, mesmo que ganhe, o que cada vez é mais difícil, a presidente se manterá num sistema ingovernável e terá trocado seis por meia dúzia em meio ao caos. Mas a sua resistência severamente superior, anos-luz sobre a de Collor e bem maior do que a de Jango e seu esquema militar, recuperará a imagem da guerrilheira dos anos de chumbo, embora as situações não se confundam pela circunstância de que as instituições funcionam, ainda que a presença do deputado Eduardo Cunha no comando do ritual do impeachment dê o tom mais sórdido do espetáculo.

Outro repeteco
O fechamento do comércio em favor do impedimento de Dilma, ontem à tarde, reproduziu também situações vividas no pré-1964 pelas entidades conservadoras. Burla-se a história escondendo que a esmagadora maioria dos meios de comunicação (JB, Estadão, Folha de S.Paulo, Globo, Diário Carioca, Correio da Manhã, em especial a pequena Tribuna de Imprensa, de Carlos Lacerda, essa mais histérica) era pela queda de Goulart e nem fizeram penitência, posto que o sistema da Vênus Platinada adotado o mea culpa do apoio aos milicos, algo parecido com o pedido de escusas de Obama pelo apoio ianque às ditaduras argentinas. Jango só tinha como Getúlio Vargas a Última Hora, de Samuel Wainer, que veio para defender o projeto social desenvolvimentista com fundo nacional trabalhista e que está na raiz dos fatos que levaram o presidente em 1954 ao suicídio e que derrotou os seus adversários assegurando a vitória de Kubitschek que tinha alguma identificação com o projeto, visível na presença de Goulart como seu vice.
É verdade que nunca se devassou a corrupção como agora e que compromete a esmagadora da maioria dos políticos, obra da Lava Jato, razão pela qual os mais lúcidos gostariam de ver impedidos a presidente e seu vice, ora transfigurado em estadista.

Foragida
Beatriz Abagge é declarada foragida pela Justiça como acusada dos crimes de magia negra em Guaratuba. Como é condenada em segunda instância querem levá-la à cadeia com o que não concordam os seus advogados alegando que os fatos se deram antes da recente decisão do STF, enfim um sofisma para mexer com exegetas e hermeneutas do Direito. Como dizia o filósofo Ernâni Reichman, maior intérprete de Kierkgard no Brasil, os advogados descolorem a realidade para torná-la jurídica.

Vacina
Vacinas contra a gripe H1N1 têm variações de 60% nos preços em clínicas da capital. É algo como oportunismo de político: que safadeza!

Silogismo
A polícia não sabe o que fazer com os seis ou oito arrastões por dia em restaurantes e bistrôs, na capital, mas já chegou à conclusão que não se trata de uma só gangue. Não sabe como evitar oito a dez assaltos por dia que levaram motoristas e cobradores a bloquear linhas de ônibus de Colombo. Como se vê, Dona Justa não sabe quem são e nem quem não são os bandidos, o que conduz tudo a um silogismo que está para a inteireza da lógica tanto quanto um band-aid para uma cirurgia.

Bumlai
Seguiu ontem a série de audiências sobre o caso do empréstimo no Banco Schain junto com as compensações do navio sonda para cobrir a mediação do amigo de Lula, Bumlai. Advogados de defesa estavam comemorando, o que acontece com frequência e não muda a realidade.

Folclore
O ibope de Fruet é baixo, mas ganha de Beto Richa e da Dilma. Pesquisa em Londrina, terra do governador, pela Multicultural, mostrou que 79% das pessoas de lá nele não confiam e a compensação é que com Dilma a desconfiança vai a 91,5%. Números para "impinchar"os dois.

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