Moro e Gaeco
No plano federal o ator é Sérgio Moro que ganhou essa expressão por força de sua atuação na Lava Jato, a mais importante cruzada levada a efeito no Brasil contra as ventosas da corrupção que nos asfixiam institucionalmente no cotidiano. Nesse momento, enquanto os presos da 28ª etapa da operação aguardam o depoimento, alguém num município, num estado-membro, num distrito está roubando, coisa que se faz com unção religiosa e rotina no continente de Macunaíma.
No plano estadual quem ganha expressão pelas atuações na Publicano e Quadro Negro é o braço mais firme do Ministério Público, o Gaeco. Para mostrar que ele tem aguda capilaridade, acaba de providenciar a prisão de oito dos nove vereadores de Itaipulândia, enquanto determina busca e apreensão de documentos contra quatro vereadores de Santa Teresinha de Itaipu, municípios relativamente ricos por perceberem royalties da binacional de Itaipu.
Obviamente, o juiz Moro e o pessoal do Gaeco são combatidos à histeria, afinal no Brasil (e o Paraná não é um oásis de exceção) o normal é a prática do desvio, daí um e outro serem olhados como se fossem figuras tenebrosas, monstros alienígenas, com sinais claríssimos de desajustados sociais e de devastadores de regras tradicionais que sempre nutriram a classe política e isso como fundamento de sobrevivência e, antes e acima de tudo, de paz social, normalidade e bem-estar. Esse corte abrupto naquilo que é patológico, mas olhado como saudável e normal, faz muito mal ao establishment, ao aparato que normatiza o delito como forma necessária e insubstituível de convívio, bem apropriado ao nosso estilo como se vê nas devassas da Lava Jato.
Pretende-se agora que o Gaeco dê o sinal forte de sua presença em Quedas do Iguaçu abalada com os choques fundiários em que tivemos dois sem-terra mortos e um número expressivo de feridos. Ali, a oscilação do entendimento da Justiça federal em torno da questão dominial da fazenda altamente produtiva da Araupel é que sustenta a tensão permanente, já que o último parecer da Justiça e do Incra é o de que aquelas glebas pertencem à União, tese levantada, repetidas vezes, inclusive na revolução dos posseiros contra as colonizadoras nos anos cinquenta deflagrada no segundo governo Lupion e solucionada logo no início da gestão Ney Braga com apoio forte da União sob o governo de Jango Goulart.

Ainda no empate
Quando terras de seringueiros são ocupadas para pastos, os prejudicados se rebelam e declaram o que chamam de "empate" para que se processem negociações entre os peões dos pecuaristas e os estivadores da extração. Um momento de ruptura observa um sinal de paz e diálogo. Há quem, mais otimista, veja que isso estaria ocorrendo com a questão do impeachment, mas isso está longe de uma analogia apropriada porque a sessão parlamentar que autorizou o processo foi acirrada e temos agora um muro separando as torcidas pró e contra o impedimento, isso se não houver algum pleito no STF que transfira a decisão.
O festejo da oposição é mais exagerado que a cautela do governo: os 38 a 27 dão outros números que significariam 58% à oposição e 66,7% aos situacionistas, o que indica que a passagem do tempo ajuda Dilma. Basta lembrar que no DataFolha de 7 de março 68% eram pelo impedimento e um mês depois, há poucos dias, 7 de abril caiu para 61%. À medida que cresce a resistência, há melhora de posicionamento da presidente em que pese a sólida maioria favorável à sua destituição. Teme o governo a hipótese de recurso à superior instância bater na trave e gerar fato negativo num momento em que aumenta a sua perspectiva de salvação, apesar do preço das adesões que tende a alcançar custos devastadores, quanto mais tarde maior.
Infelizmente, não temos civilidade ainda para a prática do empate, de certa forma comum nos conflitos sociais das greves, bloqueios de estradas e ruas. E nessa disputa não há clima para posterior concórdia, ganhe quem ganhar, apesar da indicação da suspeita gravação profética de Michel Temer que tanto alvoroço provocou e que tem tudo de uma jogadinha.

Não resolve
Da mesma maneira que aprovou o aluguel social, que não aplica, Fruet sanciona o bloqueio ao Uber que sabe que pode cair na Justiça como se deu no Rio. Urge uma pesquisa para saber quem é pior em criar gastos: o Uber ou a Urbs? Fruet se recusou a cortar a taxa de gerenciamento, pedida pelo Tribunal de Contas, que mantém a Urbs, e impede a baixa das tarifas dos ônibus.

Folclore
Brigam na Justiça Fruet e Beto Richa, com este acusando aquele de propaganda enganosa em torno do subsídio que provocou o fim da integração metropolitana do transporte coletivo. É o roto rindo do remendado em promessas não cumpridas.

mockup