Lembrança do placar
A história se dá como tragédia e se repete como farsa na observação clássica de Karl Marx a Hegel e cada vez mais avulta a impressão de que no Brasil temos mais farsa do que história. Há também a intenção deliberada em sacar o passado para se defender no presente como se capta no cantochão de que o impeachment é golpe como se a rotação da história se visse obrigada a transfigurar episódios como os de 1954 (suicídio de Getúlio e derrota de seus algozes), 1961 (tentativa de impedir a posse de Jango e com a reação de Brizola que segurou no tempo o que viria depois implacavelmente), 1964 (intervenção militar que se seguiu à vitória da direita nas manifestações de rua com as passeatas das rezadeiras) e alguns outros mais próximos como a deflagração dos comícios das diretas já em favor da emenda Dante de Oliveira derrotada no parlamento, o que pode se dar agora com o impedimento de Dilma. Os comícios históricos, ainda que menos eficientes operacionalmente do que o desfile das marchadeiras pelos milhões de pessoas que levou às ruas, permitiram um sedimento de energia que asseguraria a vitória de Tancredo Neves (ridícula qualquer analogia entre o avô e o neto na perspectiva histórica e nos papéis exercidos) no Colégio Eleitoral. Mas a revolução estava tão ou mais forte do que a resistência de agora, em defesa de Dilma, tanto que além de levar a melhor nos votos só perdeu o pleito indireto porque um civil, chamado Paulo Maluf derrotou, pela segunda vez, os militares, a primeira em cima de Amador Aguiar para a prefeitura de São Paulo e a segunda contra o milico Mario Andreazza. E foi por horror a Maluf que civis da Arena e PDS montaram uma dissidência que geraria o PFL e garantiria a vitória de Tancredo dentre os quais lá estavam Marco Maciel e Antonio Carlos Magalhães. Assim, pois, dissidentes da direita (injustificável listar Marco Maciel entre eles, liberal permanente) e Maluf ajudaram a desmontar o esquema militar que já agonizava, mas resistia. Pois agora em São Paulo há um outro repeteco: o painel indicando os que votam a favor e contra o impeachment, não desconsiderando sequer os indecisos, já que o engajamento é obrigatório ainda mais em tempos de pensamento único, como arma de constrangimento. Ora ironicamente se fez o mesmo aqui no Paraná com o placar das diretas da Boca Maldita e muitos dos que lá estavam como abominados ganharam eleições e alguns do máximo destaque da campanha, gente séria e de esquerda "dançou", um deles com meu voto.

Melar é preciso
Da mesma forma que governo federal e empreiteiras tentam "melar" a Lava Jato, o nosso governo regional se esforça para fazê-lo com a Publicano e o pleito da PGE em pleitear a suspeição do magistrado, que conduz o processo, é uma evidência pela insistência em pretender anular uma das peças essenciais, a delação premiada de Luis Antonio de Souza. Incrível é que há um movimento, de caráter nacional, para que as procuradorias ganhem maior raio de autonomia em sua atuação. Não é uma tarefa defensiva do Estado essa forma de agir.

Maquiagem
A Secretaria de Segurança vai alugar 200 viaturas sob o fundamento de ampliar suas condições operacionais no combate especialmente a roubos, um dos indicadores mais negativos das estatísticas num momento em que há ganhos no registro de homicídios. O dispêndio não será pequeno e fala-se em algo próximos de quase um milhão de reais por mês. Como o aperto financeiro ainda não acabou, certamente o secretário Mauro Ricardo Costa deve estar dando tratos à bola com a onda recente de gastos e que pode crescer com possível atendimento a demandas dessa área como a pretensão dos delegados serem beneficiados pelo subsídio dos procuradores e sinais de rebelião pelo desaparelhamento do chamado setor científico, no qual pode pintar uma greve.

MP irritado
O Ministério Público em Paranaguá (já com 22 mortes pela dengue) anda irritado com a apatia da prefeitura: desde 2013 tenta com ela um ajuste de conduta para a contratação de agentes sanitários de endemias e não encontra disposição para mudança de comportamento. A cidade junto com a de Foz do Iguaçu ostenta destaque no ranking da doença.

Abuso
Uma senhora filmou o abuso de um passageiro contra mulheres num ônibus e o registro teve mais impacto na mídia social do que a campanha institucional já deflagrada.

Revitalização
Novos pontos da cidade, agora alcançando o São Francisco com o belvedere que terá café escola do Sesc e no pavimento superior funcionará a Academia Paranaense de Letras, serão alvo da segunda fase de revitalizações na capital como a desencadeada no entorno do Paço da Liberdade e na rua Riachuelo. Essa área é complicada porque foi passagem de transporte público, primeiro o bonde e depois os ônibus, e ainda por ser tradicionalmente ponto de trotoir ostensivo. Carece a rua de mudanças em seu comércio para que ganhe a vitalidade pretendida e, consequentemente, novas formas de ocupação e animação.

Folclore
Reformas de Lerner na capital geraram a ideologia do marxismo-lernerismo, no caso a do pintor jardineiro Burle Marx.

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