Uma ratoeira gigante

No Paraná atual, tirando Beto Richa que ainda é governador, ninguém detém as condições clânicas de Ratinho Júnior que ao ingressar no PSD, e manter ainda sedimentação no PSC, sustenta hipoteticamente uma bancada de 15 deputados estaduais que, alimentada por seu potencial pessoal, guarda a força das arregimentações religiosas. Obviamente, não há nisso qualquer resquício doutrinário, mas algo apropriado ao nosso estilo de fazer política quase sempre centrado no personalismo, linha que se capta por exemplo na adesão de Alvaro Dias ao Partido Verde, um esforço de proselitismo que confia na irradiação pessoal e ainda no protagonismo oposicionista e vai ao teste agudo de uma postulação presidencial.
Por ora, essa adesão de Ratinho Júnior ao PSD pode implicar em mudança de trajetória, pois não constava do seu objetivo disputar a prefeitura da capital e diante da correlação de forças essa oportunidade pode se tornar muito viva, especialmente com a rejeição aberta a Gustavo Fruet , apenas compensada quando confrontada com a abismal de Beto Richa. Ocorre que a maior parte dos candidatos, como é o caso de Tadeu Veneri e de tantos outros, visa apenas a exposição no processo eleitoral para manter bases para a reeleição a deputado, como é também a situação de Ney Leprevost de elevado protagonismo no cotidiano, cuja postulação estaria ora ameaçada no PSD com o ingresso de Ratinho Junior e sua trupe, além de deputados mais sete vereadores.
Tudo recomenda cautela, especialmente a conduta de Eduardo Sciarra na condição de cabeça no Paraná da legenda de Kassab. Testado na Casa Civil, da qual com a janela do troca troca pode ser ejetado e posto a operar em outro front, terá que mostrar extrema diplomacia na gestão de tantos fatos conflituais, bem maiores do que os decorrentes da preocupação com o andamento do pedágio e sua condenação à inércia pela justiça federal.

Luz no túnel
Em janeiro quem anunciou melhora considerável no mercado imobiliário foi Londrina, pois agora se dá algo semelhante à área em Curitiba com o pico das vendas em fevereiro, o maior dos últimos oito meses, o que não deixa de ser extremamente significativo num momento de aberta recessão. Com as expectativas criadas pelo plano de financiamento pela Caixa Econômica voltado aos imóveis usados, pode haver empuxe no mercado até então inerte.

Zyka
Dos 22 casos do vírus Zyka no Paraná, três deles na capital, nada menos de três são autóctones, o que mostra as dimensões do flagelo.

Delação
Com a prisão de Viviane Lopes de Souza, irmã de Eduardo Lopes de Souza, dono da Valor, que está preso, é possível que haja delações premiadas na "Quadro Negro" que teve o seu primeiro caso de desvio em Bituruna, domínio político de Valdir Rossoni. Aliás, seu sucessor na Assembleia, Ademar Traiano, já está citado no processo que pega gente do Tribunal de Contas também.

Reverteu
O processo que beneficiaria servidores do Judiciário com atrasados milionários foi detido por ação da Procuradoria Geral do Estado, graças a um ato derradeiro em rescisória que deu ganho ao governo estadual. Rescisórias têm salvo o governo de situações bem embaraçosas, especialmente, em casos de "grilagem" de terras.

Ainda Derosso
O Tribunal de Contas tascou outra decisão em cima dos desvios publicitários da gestão Derosso na Câmara Municipal de Curitiba e cobra devolução de R$ 872 mil de cinco vereadores. Quando João Claudio comandava a Câmara, como seu presidente em 15 anos, nada levantaram contra ele, o que só ocorreria quando ficaram claros os desvios dele e da então esposa na área de propaganda.

Personalismo
O caso de Ratinho Júnior em sua passagem ao PSD mostra que o peso de um nome é fator de primeira ordem na política: era do PPS onde não conseguia coexistir com Rubens Bueno e fixou-se no PSC para mandar. Agora divide liderança, sem perder autonomia. Alvaro Dias é outro exemplo na sua condição de isolado no PSDB e que busca a calma no PV. Quem nunca mudou é Requião, sempre no PMDB e mandando, só não o fazendo quando José Richa o levou às costas para elegê-lo prefeito da capital contra Lerner em 1985.

Folclore
Faz-se mesmo das coisas mais graves da política uma tirada de humor como a do Macaco Simão e outros que dizem que o RG de Lula é de um amigo,
o que se acentua com a denúncia e a algaravia de ontem do Ministério Público de São Paulo tentando enquadrar o ex-presidente nos crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

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