Dificuldades à vista
Para o Fórum dos Servidores Públicos, a guerra sobre a ParanaPrevidência e o avanço em seu capital pelo governo Beto Richa não terminou. É verdade que sua avalização por Rodrigo Janot, procurador-geral da República, constituiu-se numa frustração, mas estimulou toda a malha de sindicatos do funcionalismo estadual a um encontro com o relator do processo no STF ministro Marco Aurélio de Mello para expor as suas razões contrárias à intervenção e ao acesso a um capital até então indisponível empregado para maquiar um equilíbrio fiscal, artificioso e que coloca em risco o futuro do fundo de pensão.
Como se não bastasse isso, outras situações colocam sob risco o panorama fiscal, dentre as quais avulta uma vitória milionária de sindicalistas do Judiciário e que implicará em pesado ônus na folha de pagamento com o ganho de R$ 15 mil por impetrante e ainda com direito sólido a atrasados. Numa situação em que até a pretensão da Comec em dar R$ 5 milhões de subsídio ao transporte metropolitano foi brecada e com a imposição comprobatória de gasto, centavo por centavo, feita pelo secretário Mauro Ricardo Costa, queimou a moringa dos técnicos e estrategistas do sistema e que tiveram que contentar-se com redução ponderável da solicitação em pelo menos 20%.
É nesse clima de garrote vil que se testará o vigor e a autonomia que Beto Richa concedeu ao tzar financeiro, pois ele não hesita em cometer abertas ilegalidades como a de não pagar progressões e promoções funcionais editadas pelo Executivo e transferindo-as para decisão judicial, gerando um clima de revolta em todas as áreas funcionais, o que num ano eleitoral é nitroglicerina pura. Ademais, os professores já estão com a pauta impositiva de reajuste do piso nacional da categoria, que abriria um rombo no casco mal calafetado do Tesouro, em favor de mestres menos abonados isso sem falar que haverá mobilização pelo repasse automático da inflação acumulada em maio. Pode ser que isso abale a resistência do interventor, mas no governo a convicção é cada vez maior do que "ruim com ele, pior sem a sua vigilância".
De outro lado, o Judiciário não está disposto a infringir a regra mandamental imposta pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que cria obstáculos ao acesso aos depósitos judiciais, há longo tempo pretendido e alvo de confusões em experiência recente, impondo o regramento de que a prioridade é para atender precatórios que alcançam mais de R$ 10 bilhões em nosso caso. De outro lado, em atalaia permanente, a OAB-PR, em nome dos direitos desses portadores, exerce atenção específica para evitar que recursos das partes, que não pertencem ao erário, sejam assim dissipados.

Depressão próxima
A queda de 16,27% no comércio varejista entre janeiro de 2015 e 2016 para muitos evidencia a marcha para a depressão, algo no Brasil só comparável às consequências do "cracking" da Bolsa em 1929-1930. O pessimismo é justificado no registro pontual de cada setor como o das revendas de carros (menos 30%) e das lojas de departamentos (28%) . Por sinal que o fechamento de super e hipermercados, e que tem sequência agora com lojas da C&A, torna mais dramático o cenário isso sem falar na catatonia do governo, perdido em crise política sem precedente, e não sabendo que rumo tomar. Esses levantamentos da Fecomércio reafirmados numa queda de 8,79% no bimestre de 2016, mostrou que o drama se alastrou para a indústria por causa da redução dos estoques. Por isso que uma crise política dá a impressão de descompressão com a baixa do dólar e a
valorização das ações no mercado com a condução coercitiva de Lula.

Pedágio
Decisão da Justiça Federal, já do ano passado, ora confirmada, impede a adoção de qualquer medida para a prorrogação dos contratos de pedágio, imposta em decisão liminar, e isso há bastante tempo ainda que ocultada nos meios oficiais, torna inútil toda a movimentação política e administrativa de bastidores. Bloqueio está em vigor desde o ano passado e o agravo de instrumento, proposto pela União e o DER, foi recentemente negado pelo Tribunal Regional da 4ª Região. Um dos pontos fortes da liminar do juiz federal Rogério Dantas Cachichi estabelece o seguinte:
"A prorrogação do convênio há de ter em mira exclusivamente o interesse público entre os entes políticos envolvidos, numa racionalidade comunicativa livre da interferência do poder econômico das empresas privadas". Já o secretário da Casa Civil, Eduardo Sciarra, contesta afirmando que o contrato original do Anel de Integração prevê renovação com as concessionárias. Condição indispensável ao juiz é a licitação.
Um cenário, enfim, de difícil descompressão até porque as demandas contra o pedágio volta e meia devolvem tudo à inércia, o que não é bom para ninguém, ainda mais numa crise.

Folclore
Só falta agora o Rafael Greca, em sua campanha sistemática anti-Fruet, lembrar que os fios abandonados por empresas de energia e telefonia, uma imensa vergonha da burocracia, não teriam a delicadeza dos fios mitológicos de Ariadne.

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