Quase mancada
Uma pressão ontem sobre o governador Beto Richa, vinda dos altos quadros do PSDB, pedia um posto para o deputado federal Valdir Rossoni no secretariado. Se a demanda é atendida, no Dia Internacional da Mulher, teríamos a convocação do suplente Osmar Bertoldi que ora sofre constrangimentos judiciais por imposição da Lei Maria da Penha.
Metido em situações cada vez mais confusas - e uma delas está agora nas consequências da ida de Ratinho Junior para o PSD de Kassab, o que pode afetar a base aliada no Legislativo estadual - a montagem do xadrez político está complicada e ainda por cima com salpicos da "Publicano", que atinge o governo bem como vários dos seus integrantes na ratificação do depoimento do delator Luis Antonio, e o que se repete nos desdobramentos da "Quadro Negro", que acabou atingindo, meio de raspão, o presidente da Assembleia, Ademar Traiano. No depoimento também vieram as referências do parente distante Luiz Abi e ao chefe da gangue que seria o companheiro de Beto em aventura automobilística, Marcio Albuquerque Lima.
Situações como essa invocada no Dia Internacional da Mulher - a convocação de Bertoldi como primeiro suplente da bancada - são insuficientes, embora o alertamento cartesiano, para conter arremetidas emocionais, substância essencial do fazer político. Percebe-se, também, que o governador não comanda o processo e isso não se dá apenas em relação a Mauro Ricardo Costa que parece contar com as prerrogativas de um interventor: se fosse um da área federal talvez não tivesse as facilidades operacionais do salvador que veio da Bahia. Resiste radicalmente a qualquer concessão tributária e até mesmo um embate em torno do quantum deveria ser colocado como subsídio no transporte metropolitano a sua opinião é conclusiva. De outro lado, bloqueia gestões razoáveis de empresários que pleiteiam menor carga fiscal sobre o vinho e com isso estreita espaços de negociação do governo com clientelas.
É a prova de que concedeu os máximos poderes ao homem que teria sido indicado por José Serra como a pessoa melhor qualificada para botar ordem nas finanças estaduais. Como se vê aí também a expressão cardinalícia da hierarquia tucana. Ao contrário do símbolo da bandeira paulista, somos por aqui menos condutores e mais conduzidos.
E para confirmar essa perda de rumos, a ausência de bússola, tivemos ainda o líder do governo, Luiz Claudio Romanelli, discursando em defesa de Lula, o que prova que essa administração tucana carece de um mínimo de condução coercitiva

Patrulha
Quem festejou, na capital, seus dois anos de operação ontem foi a patrulha Maria da Penha, organização posta a serviço da mulher que contabilizou até agora seis mil atendimentos em casos de vítimas de violência de maridos e companheiros. Aqui, no Paraná, especialmente na capital, cresceu o emprego de medidas protecionistas que impõem limites de distância para o agressor. Em São Paulo houve alta de 26% entre 2013 e 2015, saltando de 3.445 para 4.326 casos. Casamentos da alta roda no Paraná rompidos foram submetidos à proibição quando a postura do marido ofensiva acabou exigindo, judicialmente, a restrição.
Em São Paulo, a Justiça proíbe pelo menos uma dúzia por dia de chegar perto da mulher.

Kasatu Maru
A reportagem de Adriana De Cunto sobre a saga do navio Kasatu Maru, que trouxe a primeira leva de imigrantes nipônicos ao Paraná, me fez lembrar da ida da equipe do programa Memória Histórica do Bamerindus a Londrina para entrevistar, entre outras pessoas, Tomi Nagakagawa, passageira da aventura e nome de praça na cidade. Ouvimos também Milton Menezes, ex-prefeito. Acompanhava a equipe o Dinho, o escritor Domingos Pellegrini.
Esse acervo, sob guarda do Museu da Imagem e do Som, pertence ao HSBC e com a fusão com o Bradesco seria indispensável que autoridades culturais interviessem na questão para preservar um respeitável banco de dados com centenas de entrevistas com os irmãos Davi e Newton Carneiro, o historiador Luis Carlos Tourinho, Ney Braga, Saul Raiz, Canet, Hosken de Novaes, Euclides Scalco, José Richa, Anibal Curi e figuras internacionais como Jaime Lerner, Metry Bacila e o geneticista Newton Freire-Maia.

Folclore
Não houve a mancada da designação de Osmar Bertoldi como suplente para a bancada federal no Dia Internacional da Mulher, mas tivemos a significativa intervenção do presidente do Legislativo, Ademar Traiano, que afirmou que elas não têm maior representatividade por competirem demais entre si e mostrarem distanciamento da política.

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