O PIB caiu
Não faz muito tempo festejamos a ultrapassagem do Rio Grande do Sul em renda interna, embora a pequena oscilação, ao longo de sessenta anos, ainda persista e possa até recuperar a quarta posição, ainda que o setor público esteja muito mal, bem pior que o nosso. Para um momento agudo de recessão, como a que estamos enfrentando, a queda do Produto Interno Bruto (PIB), num momento em que investimentos brecam, tanto os públicos quanto os privados, em 2,8%, bem menor que a do país, afinal de 3,8%, perturba por causa do nosso hábito do oba oba na apropriação de indicadores macroeconômicos como se derivados das ações de Estado, o que fazemos por método certamente um velho cacoete do marqueteiro de plantão.
Por sinal que semanas atrás não demos muita atenção a um registro negativo do IBGE relativo ao rendimento médio dos trabalhadores: o nosso, do Paraná, foi em 2015 o mais baixo de todo o Brasil meridional, com R$ 1.241 enquanto o dos gaúchos chegava a R$ 1.435 e dos vizinhos catarinenses a R$ 1.368. Com todo o abuso anual do salário mínimo regional se sobrepondo ao de São Paulo, o que é uma cortesia do governo pródigo com o chapéu alheio, a realidade está aí exposta na remuneração média dos trabalhadores.
Convenhamos que a diferença em favor de gaúchos e catarinenses não é pequena mesmo com o artifício do mínimo regional supervitaminado, e isso sem falar na remuneração superior, e paga em dia, dos nossos barnabés, uma das causas dos nossos desequilíbrios. Por isso que é preciso andar de vagar com o andor nessa história da nossa renda interna, afinal o Paraná só superou o Rio Grande do Sul agora e por oscilação mínima que ao longo das décadas vigorava em favor deles. De qualquer forma aparecemos entre os desenvolvidos na Pesquisa por Amostra de Domicílios Contínua, liderada pelo Distrito Federal , centrada no aparato público e no fulgor dos poderes e da hipertrofiada burocracia, seguida por São Paulo (R$ 1.482). Para se ter uma ideia de como anda a renda domiciliar, Pernambuco aparece com R$ 598, Pará (R$ 672) e Ceará com R$ 680, Maranhão com R$ 509. A renda domiciliar média do país é de R$ 1.113.
Só em janeiro o Brasil fechou 99,7 mil empregos. No Paraná não vamos tão mal, mas de certa forma nada justifica a pose adotada, ainda mais quando constatamos a obviedade de como é pobre a renda domiciliar brasileira. Festejá-la parace humor negro, lembrando que renda per capita é uma abstração socializante segundo a qual o meu ganho, mais o da minha diarista e o do Odebrecht dividido por três a estabelece e consagra.

No ventilador
Uma nota assinada pelo senador Delcídio do Amaral e o advogado paranaense Figueiredo Basto não nega e nem confirma a suposta delação publicada pela revista "Istoé" que mexeu com a política nacional na tarde de ontem. Assim o senador, que teria jogado titica no ventilador ao atingir o ex-ministro da Justiça e o deputado federal Franceschini, dentre outros, continua mantendo o mistério em torno de ter feito ou não a delação premiada.

Dengue
Só neste ano em Curitiba nada menos de 248 novos casos de dengue registrados. Alguns, como se noticiou, autóctones. Péssimas as condições de salubridade especialmente na periferia.

Portos
Batalhão de Fronteiras mapeou, ao longo de quatro anos, nada menos de 300 portos clandestinos, boa parte deles em Itaipu.

Pula catraca
Enquanto movimentos sociais falam em agito na questão do aumento da tarifa de ônibus e ficam nas promessas, os pula-catracas, que não param de agir, são a expressão mais visível de protesto. Nada menos de dezesseis deles foram presos pela Polícia Militar. É impossível fiscalização cerrada que já foi tentada sem sucesso pela Guarda Municipal e com logística insustentável. É curioso ver jovens da classe média alta brincando de guerrilheiros.

Goleada
Dez a zero contra o Eduardo Cunha. Assim falou Zaratustra e também o STF. Mas a onda do Delcídio Amaral foi de maior impacto ontem, já que os pareceres dos ministros anteontem indicavam a goleada. Outra expectativa era a da prisão preventiva de João Santana e da Mônica, pleiteadas pela Polícia Federal e Ministério Público.

Folclore
Como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) original não funciona, dizem alguns críticos, que o do STF opera bem. Trata-se do "Programa de Aceleração da Cagoetagem" centrada na caricatura de que prisão prolongada a favorece.

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