LUIZ GERALDO MAZZA
Diálogo de surdos
Tivéssemos um governante com porte de estadista e a essa altura a contingência da crise recessiva o levaria ao comando de uma operação em que convocaria os demais poderes e assemelhados à prática sistemática da sobriedade nos gastos e corte de qualquer forma, por mínima que fosse, de abuso. Obviamente, teríamos que abstrair a crise atual e isso com o reconhecimento, de lado a lado, dos abusos cometidos. Age-se, no entanto, como Pangloss de Voltaire de "Cândido" como se todos estivessem no melhor dos mundos.
Ironicamente a circunstância de melhora fiscal em nada favorece a essa possibilidade pelo fato de a compulsão do Executivo pelo acesso, na base da trombada, aos depósitos judiciais encontra no Judiciário, por força da doutrina do CNJ, a expressão da austeridade que o governo tenta, simuladamente, encarnar. Fica bem claro que não apenas o Judiciário não quer abrir mão de crônicas mordomias como também o Executivo, o Legislativo e o seu apêndice o Tribunal de Contas, isso sem falar do Ministério Público, esse novo poder que ganhou nova sede de área pertencente à Junta Comercial no Centro Cívico. No penúltimo reajuste, ainda do ano passado, impôs-se gradualidade ao Executivo enquanto os demais tinham seus servidores abonados pela inflação acumulada, o que rompia a forma igualitária de tratamento.
Não é só o Judiciário nesse aspecto, conforme a frase agressiva de Mauro Ricardo Costa, uma "ilha de prosperidade", até porque mesmo no Executivo há secretarias que perderam a essência de suas funções como a de Justiça e as meramente nominais como a de Assuntos Estratégicos, isso sem falar no desempenho frágil da maioria delas que poderiam ser alvo de fusões até porque geram superposições e paralelismos. E os cuidados deveriam também ser estendidos às estatais superprotegidas como Copel e Sanepar, autarquias de luxo em termos de salários de seus executivos como se fossem de multinacionais e não área de absorção de companheiros muito assemelhados nas vantagens aos comissários do PT.
De outro lado, a vulnerabilidade aos desvios como os detectados na "Publicano" com servidores de fé pública transformados em quadrilheiros na Fazenda, na Segurança e agora na Educação com os esquemas de assalto na "Quadro Negro" com ações mafiosas de gente ligada ao governo sacando antecipadamente grana por obra inconclusa, evidência maior de falta de qualquer monitoramento respeitável. É hora de autocrítica de todos porque ninguém pode se acreditar fora de responsabilidades que mediata ou imediatamente detém.
Berçários
Cada dia uma bronca específica em cima do prefeito Gustavo Fruet, agora a dos berçários fechados (fala-se em 47) em vários pontos da cidade o que levou as brechtianas mães-coragem ao protesto ontem pela manhã diante da Câmara Municipal. Liguem-se políticos que estamos em ano eleitoral e a hora é de botar a boca no trombone.
Assalto
Um assalto à agência do Santander na Fazendinha frustrado: guardas municipais mataram pelo menos dois bandidos, embora um companheiro sofresse ferimento na perna. Até algum tempo atrás se discutia se a corporação teria direito a armamento letal, hoje em função do caos da segurança é indispensável que esteja treinada e equipada para agir.
Gaeco
Na sede do Gaeco, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari prestou depoimento para o Ministério Público de São Paulo em função dos episódios do tríplex da praia. Manteve-se calado e não respondeu nenhuma das cinquenta perguntas.
Sem segurança
Tempos atrás o secretário de Assuntos Estratégicos, Flávio Arns, então na Educação, ficou entregue em sua casa a sequestradores e agora se dá o mesmo com o especialista e consultor em segurança, o coronel Vandaruck, submetido a constrangimentos na própria residência. Nem isso refreia a visão oficial de que tudo vai bem.
Cristiane
Projetada pela cruzada que fez em defesa do filho e contra o ex-deputado Ribas Carli, autor do acidente que o matou, Cristiane Yared se tornou a deputada federal mais votada do Paraná. Agora como ela, valendo-se da janela do troca troca partidário, foi para o PR. A direção tentou convencê-la a disputar a prefeitura da capital e isso já mexeu com os nervos de muitos dos que estão se habilitando. Para quem tem um mandato e tem tudo para renová-lo, a exposição na campanha é um arranque relevante como se dá com Tadeu Veneri, Ney Leprevost e o próprio ex-prefeito Luciano Ducci que capitalizam atenção, ainda que perdendo.
Folclore
Quando um prefeito da capital for atacado de leptospirose não há a menor garantia de que o título de "Cidade Ecológica" deixaria de existir.





