Beto, cabo eleitoral?
Ricardo Barros, chefe do clã político de Maringá, tem convicção plena de que sua mulher, Cida Borghetti, a vice atual, terá o apoio do governador pela reeleição. Até lá esse apoio ajudará ou poderá, na verdade, ser um tormento, caso se ampliem e se aprofundem as investigações da Publicano e da Quadro Negro, ainda mais com a fé que a maioria do povo está acompanhando o ciclo de moralidade instaurado pela Lava Jato.
As relações de Beto com Ricardo já geraram um mau exemplo, que foi a volta triunfal de Requião pelo fato elementar de o governador ter apostado na eleição do maringaense quando quem tinha as melhores condições era seu então correligionário Gustavo Fruet na disputa senatorial. Se o governador, então fora de suspeitas e com Ibope alto, desse um mínimo de respaldo a quem detinha as melhores condições de ser sufragado, o terrateniente do PMDB estaria fora do cenário e não geraria o problema para a turma da dissidência richista, ora obrigada a mudar de partido no troca-troca de legendas.
Claro que há um automatismo nessa aliança, como houve no caso Luciano Ducci, que de vice de Beto acabou prefeito da Capital, mas, como se sabe, não obteve a reeleição, o que pode se dar também com Cida Borghetti, caso a correlação de forças até lá esteja sensivelmente mudada. Há outros complicadores como o fato, por exemplo, de Maringá, durante a gestão Beto Richa, ter suplantado Londrina em vários indicadores sociais e econômicos por força também da atuação secretarial de Ricardo Barros no programa Paraná Competitivo.
O governador tem tudo para eleger-se numa das vagas do Senado, tanto por sua exposição de deputado estadual a prefeito de Curitiba por duas vezes e também no Palácio Iguaçu e ainda pela fragilidade do nosso quadro político, todavia não se pode subestimar o seu desgaste e aí, especialmente, em relação ao massacre de 29 de abril que vai dar celebrações até aquecer os dias eleitorais.

Petróleo e soberania
Quem pode competir, ainda que hoje desnutrido tanto ao governo como por uma das vagas ao Senado, é Roberto Requião, desagregador contumaz, mas um eleitor inegavelmente forte, a despeito de ser uma das mais avançadas linhas do atraso, como o demonstra na questão da emenda José Serra sobre a exploração do pré-sal, hoje cada vez mais inviável economicamente face ao preço vil do petróleo, ainda mais numa estatal desonrada e quebrada como a nossa Petrobras, que prova que discurso patrioteiro não salva ninguém.
A propósito, lembro nos tempos heroicos da campanha "O petróleo é nosso" de um discurso do relações públicas Dalton Boechat, no Guairão ainda em obras, em que ele anunciava para breve, o que afinal não aconteceu, a frota de petroleiros própria e dizia que no alto do mastro não teríamos mais bandeiras internacionais mas – e aí haja emoção- "o auri verde, pendão da minha terra, que a brisa do Brasil beija e balança, estandarte que a luz do sol encerra, nas divinas asas da esperança". Era o grito nativista de Castro Alves e hoje ironicamente vemos o que se faz de sórdido com as negociações de sondas e navios.

Mais um
Depois da vitória consagradora que foi a nomeação do ministro Luiz Edson Fachin para o STF tivemos agora a designação para o STJ do mestre e desembargador federal Joel Paciornick. Lembro de uma coincidência o fato de o primeiro julgamento no STJ de Milton Luis Pereira foi justamente a decretação de intervenção federal motivada pela invasão da fazenda Can Can pelo MST. Dele a decisão mais histórica foi a que interditou a utilização da Estrada do Colono no Parque Nacional do Iguaçu.

Vapt vupt
A polícia surpreendeu ontem ao prender em poucos minutos uma quadrilha que roubou celulares e notebooks no Magazine Luiza da Vila Hauer. Uma das pessoas anotou a placa do carro que conduzia a gangue e os pertences afanados e isso foi suficiente para a prisão e a recuperação dos objetos roubados. Todo o time tinha passagens criminais e um deles havia saído recentemente da prisão.

Folclore
Houve uma decisão sobre a Lava Jato que implicou em seu fatiamento no STF, obrigando-a a se limitar e a aprofundar-se, como de fato aconteceu, no petrolão. Mas ontem houve busca e apreensão de documentos nas sedes da CR Almeida e na Ivaí Engenharia em função de delação premiada de empreiteira nos casos históricos das ferrovias norte-sul (uma denúncia do jornalista Jânio de Freitas lhe rendeu o prêmio Esso) e leste-oeste. Mais uma prova de que o Paraná perdeu a timidez.

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