LUIZ GERALDO MAZZA
Um pouco de quixotismo
Muitos dos jornalistas que integram a Gazeta não se conformaram com a maneira como a empresa se comportou diante da reação de juízes e promotores, expressa em direito de resposta e fizeram uso das redes sociais para manifestar o seu desagrado, alguns deles para sinalizar um clima de censura, valendo-se de alegórica receita de bolo como se dava nos anos de chumbo. Às vezes, o senso extremo de participação (não esquecer que o texto da Carta Magna de 1988 abrigou a "democracia direta") vai ao quixotismo como se deu, antes da derrota do populismo na Argentina, com um editorial do "La Nacion" que via exagero no trato com os militares, com o que a redação inteira mais outras áreas, do gráfico ao administrativo, tiraram uma foto de todos em protesto que ganhou a rede mundial e teve a maior repercussão, superando a força do ponto de vista empresarial.
Essa modernidade, é evidente, mexe com hierarquias do poder, mas tende a ser, cada vez mais, uma balizadora nas relações intraempresariais, mal geridas até mesmo nos avanços da cogestão, em que se procura harmonizar o possível na relação capital-trabalho. No antigo "Correio de Notícias", que foi criado por um grupo político-empresarial para respaldar o governo José Richa, chegamos a fazer uma greve contra a direção do jornal porque ela, seguindo o governador, defendia a candidatura de Amadeo Geara, enquanto a maioria dos repórteres e gráficos estava com Roberto Requião no pleito prefeitural de 1985.
Nesta FOLHA havia uma sintonia de tal ordem nas mobilizações internas, que dispensava convocações e gerou uma cultura de resistência que não poucas vezes criava situações de constrangimento para João Milanez, mas que ele procurava metabolizar com sua incrível e inesgotável reserva de tolerância.
O caminho das pedras
Como aconteceu no mensalão e no petrolão, quem indicou o caminho das pedras para atos de corrupção foi o Partido Progressista, o PP, que por isso mesmo atribuiu nova semântica ao distinto adjetivo, de que é pra frente e que nada tem de reacionário. As ações do Janene, gente nossa, que teve amplo destaque em tabelinhas com Youssef, são marcantes em eventos locais e nacionais.
Pois agora, com todo esse histórico, o PP, além de ter o governo paranaense, lutará por sua reeleição com a hoje vice de Beto Richa, Cida Borghetti, que anunciou o seu retorno na janela arrombada da troca de legendas. É evidente que se trata de alguém, até por força de sua atuação pessoal e mais a do marido, famílias engajadíssimas no fazer político, que tem uma imagem positiva e que não se confunde com a das deformações partidárias.
Aliás qual a afinidade entre um grêmio social democrata, meio frouxo como o PSDB, e o PP? Ocorre que ninguém se lixa pelo tema face a inexistência de substância em nossos partidos de uma forma geral. Por exemplo, quando Getúlio Vargas, que criou o PSD, e também o PTB para agregar o proletariado urbano numa sociedade rural, havia todas as razões, não só de fundo mas também logística, pela afinidade que mostraria sua força com Jango na chapa de JK e de forma relativa na de Jânio por ser impossível o eleitorado engolir o general Lott, mesmo com o viés ideológico nacionalista e a imanência da Guerra Fria. O "P" do PP ficaria melhor definido como pragmático, conquanto nesse particular ninguém supere o PMDB, como se vê no solerte oportunismo de voltar a "esquentar" o impeachment e é claro ficar de olho nas ações do TSE, Tribunal Superior Eleitoral, no sentido de anular a vitória de Dilma-Temer.
Percebe-se que o individualismo e isso está presente no troca-troca - é predominante e um Alvaro Dias, como um Rubens Bueno ou um Ratinho Júnior, tem que ser dono de partido, o que aliás está secando o PMDB com o centralismo asfixiante de Roberto Requião, o seu maior eleitor. Essas razões fazem desaparecer o currículo do PP, aquele que indica o caminho das pedras no roteiro da corrupção, e não tiram o brilho da ascensão de Cida.
É evidente que a aliança PSD-PTB não se constituía numa "frente popular" como alguns dos seus integrantes, mais intelectualizados, tentavam doutrinar. Aliás na volta de Getúlio e na "cristianização", vale dizer bloqueio, de Cristiano Machado, que era pessedista, ela voltou com toda a força em 1950, conquanto o vice de Vargas fosse João Café Filho, figura atacada com veemência pela Liga Eleitoral Católica e que depois do suicídio ficaria ao lado dos liberais que iriam ser moídos por Juscelino Kubitschek, dentre os quais estavam os paranaenses Munhoz da Rocha e seu cunhado Aramis Ataíde, ministros da Agricultura e Saúde.
Folclore
Ninguém tira do vereador Soriano de Paranaguá o máximo em redundância ao finalizar um discurso veemente com a frase apoteótica "E viva a paz universal do mundo inteiro todo!".





