Jurisprudência salvadora
A hipótese de que o marqueteiro de Lula-Dilma, João Santana, venha a admitir caixa 2 no exterior foi levantada por repórteres que cobrem a Lava Jato. O primeiro homem da propaganda de Lula, no andamento do mensalão, Duda Mendonça, admitiu em 2005 ter recebido, dessa forma, US$ 5 milhões do PT em contas no exterior pela campanha de 2002 e acabou absolvido em função de não haver provas de que sabia da origem dos recursos.
Se o entendimento gerar jurisprudência, como é da nossa praxe, Santana poderia assim ser beneficiado, posto que as provas até aqui levantadas revelem que tanto ele como a sua esposa e sócia, que inclusive controlava uma offshore, participaram de operações suspeitas, o que tornaria difícil a tese que beneficiou Duda.
A admissibilidade de recebimento ilegal no exterior não estaria protegida como no episódio anterior também por haver a consciência do ato infracional, ainda que possa alegar em seu favor o volume de negócios que mantinha e mantém em vários países. A manchete da Folha de S.Paulo de ontem "Marqueteiro de Dilma vai admitir caixa 2 no exterior" é exemplo de jornalismo prospectivo, talvez uma das saídas para o meio ante o peso da plataforma digital e sua instantaneidade, fazendo da futurologia um plantão necessário no fato jornalístico, claro que vulnerável às barrigadas como se deu com os profissionais da especialidade, dentre eles o mitológico Herman Khan, sobre o que seria o ano 2000 e cujas profecias caíram antes da segunda edição. Aliás nesse estudo "dançaram" especialmente as previsões sobre a economia brasileira, cuja recuperação dos dados assustadores e sinistros se deram também antes da sua edição em português, na qual Roberto Campos foi o autor do prefácio e do qual se valeu para novas e alentadas críticas aos nossos hábitos, especialmente as nossas Petrosauro e também a Eletrosauro.
Essa presença no exterior, campanhas em várias partes do mundo, a mais recente na República Dominicana, será um dos argumentos mais fortes para desafiar a argúcia dos que se empenham no rastreamento da grana que no mínimo trará problemas com a Receita Federal, como já detectou um relatório em que o crescimento dos bens entre 2010, 2011 e 2014 não corresponderiam aos valores que tinha em conta.

Um oásis suspeito
Como é que pode haver um oásis fiscal no Paraná, conforme a versão de ontem de Mauro Ricardo Costa no legislativo estadual, configurado como o melhor do País, quando boa parte dos quadros fiscais está na cadeia ou prestes a enfrentá-la e além disso o governo parece escamotear a opinião pública ao não pagar compromissos obrigatórios como aqueles das progressões do pessoal intermediário da polícia e se recusar a pagar promoções de delegados, o que estaria, inclusive, provocando um represamento de aposentadorias.
Se em questões tão singelas quanto essas, inclusive as decorrentes da manobra que botou a mão no capital da Paranaprevidência, e que pode ser revertida judicialmente por ainda permanecer "sub judice", a troco de que todo o triunfalismo? Ocorre que o secretário da Fazenda é a derradeira esperança do governo que quebrou o Paraná e se ele não fizer sua autopromoção quem o fará quando se sabe que é perceptível o rosnar dos gastadores que apostam em sua queda para voltar a deitar e rolar como fizeram anteriormente.
Com parte apreciável da hierarquia respondendo processo criminal em Londrina na operação Publicano e também em processos administrativos que corporativamente conselhos de fiscais tentaram obstaculizar ao desespero, que paz é essa? Provavelmente a dos cemitérios.

Um em cinco
Um em cada cinco domicílios na campanha contra a dengue pelo Exército estava fechado. Isso mostra a dificuldade em fazer um rastreamento adequado dos focos. Forma inspecionados 5 mil unidades, das quais mil estavam fechadas.

Tio Patinhas
Capturaram em Londrina, em flagrante criminal, o sobrinho do doleiro Youssef, Mauricio Youssef, com vasta ficha policial em mais de 30 ocorrências. Ao contrário do Tio Patinhas não terá, pelo menos no momento, como sair dessa. Em lugar de delação premiada, ele tem uma vasta relação de delitos.

Reversão
A melhora de posição de Curitiba no ranking inflacionário pode ser mais passageira do que se imagina, especialmente com o novo aumento das tarifas de ônibus em função do contrato coletivo de trabalho de cobradores e motoristas. Aí novamente os dois, município e Estado, dão sua forte contribuição para os males.

Folclore
É comum dizer-se que há falta de quadros humanos para governar e que não se pode confundir esse objetivo com o eventual excesso de quadrúmanos.

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