As metamorfoses
Lula se valia de um saque do maluco beleza para definir-se: sou a metamorfose ambulante e agora, com essa convocação do João Santana para explicar-se na Lava Jato, mais do que nunca. Mais transformações do que as de Lula ocorrem com o Brasil e, em especial, com as suas instituições, nem todas, é verdade, como se dá com setores do Ministério Público e do Judiciário.
Inimaginável, três décadas passadas, termos casos hoje fazendo a nossa rotina como o do mensalão, embrião de tudo que transformou o ministro Joaquim Monteiro em herói e agora com os feitos da Lava Jato, de sua força-tarefa de policiais e procuradores e do juiz Sergio Moro, que conduz o maior processo de nossa história e que abre a perspectiva clara e segura de um breque na corrupção, nossa endemia mais deletéria do que os males da dengue vertida em tsunami desagregador.
Com o predomínio dos desvios, a nossa metamorfose lembrava muito mais a de Kafka, aquela saga sinistra, entre o sonho, o pesadelo e o sonambulismo de Gregório Samsa ao perceber, no despertar em meio à vigília, que se transformava numa barata. Não poucas vezes acreditamos que mudaríamos em momentos de afirmação nacional como os de Getúlio Vargas, em lances como os da Coluna Prestes, na crueza da Revolução Federalista, na epopeia de Canudos ou nos lances do Contestado e na euforia da vitória na Segunda Guerra ou em momentos de apoteose como os de Kubitschek e do Brasil Grande dos militares. Ulysses Guimarães, que crismou o texto constitucional de "Cidadã", parecia cultuar essa esperança de reencontro do povo com a Nação. Aos poucos, cada um desses feitos se mostraram insuficientes e nos devolveram à realidade do país macunaímico. Que isso não ocorra com a Lava Jato, penetrando cada vez mais fundo nas vísceras do sistema, que parece levar o país à contemporaneidade.
A torcida para que a operação pise na bola é um desejo grande daqueles que acham normal a promiscuidade do público e do privado e que encaram tudo o que está acontecendo como algo provisório e que terá logo definido o seu termo para que volte à estaca anterior onde não há lugar para lindes e marcos no nosso jeito de ver a república.

Pendular
Segurança é ainda nosso maior problema e o pior é que a cada feito temos a registrar alguma falha clamorosa: por exemplo, a descoberta da ação do PCC no interior dos presídios com o processamento de quase 800 pessoas é seguido de falhas como as que possibilitaram duas fugas seguidas da Penitenciária Central, num teste permanente à eficácia da ida do Depen à pasta policial, praticamente acabando com as funções da pasta da Justiça e da Cidadania. Um pêndulo, portanto: à cada avanço, um recuo, como se viu ontem, numa distância de minutos, o assalto a duas unidades dos supermercados Condor, uma na Água Verde, outra na Avenida das Torres.

Tzar em foco
Mauro Ricardo Costa, o Sassá Mutema do ajuste fiscal, vai falar sobre o quadrimestre final do ano passado hoje na Assembleia e, naturalmente, posto que se reconheça a relevância da missão indispensável que vem exercendo, tentar-se-á edulcurar a pílula, vale dizer o tratamento fiscal. O governo, e isso só para destacar problema grave da Segurança, não está pagando, há dez meses, as progressões dos quadros intermediários e as promoções da hierarquia funcional, delegados. Com isso, ficam represadas aposentadorias nos dois setores quando só de delegados estaríamos em número de 30 para a inatividade. Como Sassá Mutema não pode mostrar fraqueza a base aliada, empenhada no sabujismo militante, irá blindá-lo de todas as formas e as mágicas ficarão irreveladas como sempre. Outra coisa: já se sabe que vem outro garrote vil para oprimir o contribuinte, pois a receita anda a pé e despesa de escada rolante.

Inflação
Estávamos liderando a inflação brasileira na Capital. Agora somos a segunda menor 1,14% de 15 de janeiro a 15 de fevereiro, enquanto a do Brasil cravou 1,42%, A de Brasília foi a mais baixa com 1,01%. Da mais cara cesta básica chegamos à medalha de prata dentre aquelas mais baixas. O setor público continua sendo o maior algoz com água, energia, ônibus que sobe de novo logo logo.

Folclore
No meio do noticiário sobre a convocação de João Santana deram o nome de sua mulher como sendo Mônica Santana, nossa coleguinha da agência NQM, sócia do Sergio Wesley. Como sempre tenho dito "às vezes mais vale ser um anônimo do que ter um homônimo".

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